Translate

quinta-feira, 27 de outubro de 2022

PINTOU UM CLIMA

             Fim de semana chegando e está pintando um clima que me deixa esperançoso, afinal estou divorciado pela quarta vez e sempre que pinta um clima é sinal de que pode ter um quinto divórcio e divórcios são emocionantes, mesmo não sendo muito lucrativos, aliás bem prejudiciais às contas bancárias. Pensando bem, só com o divórcio é que deveria ‘pintar um clima’ com as garotas venezuelanas, mas eu não moro no Planalto onde tudo parece permitido, até mesmo chamas ardentes que nunca se apagam numa eterna fogueira imbrochável, então melhor me contentar com um clima mais ameno e deixar a imaginação esquentar o travesseiro enquanto escrevo cartas no SLOWLY.

E por falar em fogueira, tem um ‘clima’ nas igrejas evangélicas que parece ter acendido fogo muito estranho entre os filhos de Arão. Um igreja do Evangelho Quadrangular de Dourados fazia campanha explícita para um candidato “da igreja” que defendia nada mais, nada menos, que a candidata Soraya Thronicke, até aí tudo normal, não fosse o fato de a candidata ser sócia proprietária de uma rede de Motéis, que no Brasil não são só lugares para se passar a noite, mas efetivamente símbolos de relacionamentos, digamos, não muito aceitos pelos ‘crentes’, bem, até o ‘clima’ esquentar e Nadabe e Abiú começarem a fazer arminha com as mãos, aí liberou geral.

Mas eu sou escritor e quando pinta um clima dá logo vontade de fazer um texto ou uma poesia. Um clima romântico, claro, daqueles que deixa a gente assim meio sem jeito e sem noção. E olha que nem precisa ser a bonitona que passa na rua em direção à praça como se fosse a Garota de Ipanema indo para a praia, às vezes o ‘clima’ vem de longe e eu fico procurando no teclado do computador as letras certas para a poesia e na distribuidora a bebida certa para dar um clima para as ideias, lá no Planalto é tudo ao vivo e em cores, basta ser imbrochável e ver as garotas de São Sebastião, mesmo sendo menores de idade. Que que tem se pintou um clima?

 As ruas estão cheias de pessoas e o clima, que é de primavera, esquenta quando o assunto é futebol ou política, meu grêmio já está na primeira divisão  e eu divido meu tempo entre as letras, o quintal e uma boa caminhada pelo Parque Alvorada onde tem muitas bandeiras do Brasil estendidas do lado de fora das casas simbolizando que os moradores não são exatamente patriotas, mas bolsonaristas e eu tento memorizar cada uma dessas casas porque, se acaso pintar um clima a primeira coisas que eu vou tentar saber é se a incendiária é moradora de uma dessas casas, estou muito velho para radicalismos e meu sangue é vermelho. Por hora, estamos pintando a casa, eu e meu filho, mais ele do que eu, e está pintando um clima de mais alegria, aproximação e felicidade nesta nossa ‘nova’ casa. Domingo tem eleição e está pintando um clima de esperança!

quinta-feira, 20 de outubro de 2022

A COPA DO BRASIL E A METÁFORA DO CAPITALISMO

             Eu não sou corintiano e nem flamenguista, sou gremista e o time está na série B do brasileirão, mas já foi cinco vezes campeão da Copa e ganhou muito, muito! dinheiro. A bola da vez é o flamengo, o atual campeão da Copa acabou de levar a bolada de R$ 60.000.000,00, isso mesmo, sessenta milhões de reais e tem uma leva de 32.500.000 torcedores que, além de não ganhar nada com o título, ainda pagam valores altíssimos para entrar no estádio e ver os jogos do time do coração. São, na maioria, trabalhadores assalariados que guardam parte do suado dinheiro para abastecer os cofres do clube, muitos deles são sócios e pagam mensalidade que varia de R$ 43,00 a R$ 321,00 por mês.

Em 2.021 os vinte maiores times de futebol faturaram quase 7 bilhões de reais. E, o que foi que eles produziram mesmo?

Ilusão, talvez seja a resposta mais adequada. O torcedor é iludido a pensar que faz parte daquele time, que de alguma maneira aquele time é “seu”, aí ele defende o time, idolatra os jogadores, briga com amigos que torcem por outra equipe, deixam a família de lado porque tem que assistir ao jogo, pagam caro para rir ou chorar nas arquibancadas, postam selfies com jogadores nos aeroportos depois de esperar por horas a chegada do time e o que é ainda pior, aceitam que dinheiro público, muito dinheiro público, seja drenado para os clubes enquanto postos de saúde não tem o básico para atender esses próprios torcedores e seus familiares.

Time de futebol e banco são a mesma coisa, só os valores são maiores. O flamengo dos bancos é o Itaú/Unibanco com ativos de R$ 2,1 trilhões e lucro (em 2.021) de R$ 24,9 bilhões. E, o que é mesmo que os bancos produzem para a sociedade?

Isso mesmo: Ilusão! O cliente é levado a pensar que deixando o dinheiro no banco ele vai ter, no futuro, uma vida tranquila, que a especulação financeira é boa e melhor que investir em conforto para a família é investir no mercado financeiro. Mas, se a grana está curta e o cliente quiser refinanciar a conta do cartão de crédito os juros variam de 7,78% a 1.153,38% ao ano, segundo dados do banco central (https://www.bcb.gov.br/estatisticas/reporttxjuros?parametros=tipopessoa:1;modalidade:204;encargo:101), e o susto não para por aí, pelos dados levantados pelo site Brasil de Fato, entre agosto de 2.021 e julho de 2.022, em um ano, portanto, o governo pagou aos banco a bagatela de R$ 586 bilhões de jutos da dívida pública. E o sistema financeiro garante que, se esse dinheiro for para os postos de saúde e para a educação será pior para o povo e o povo acredita!

Ilusão é a palavra de ordem do capitalismo. A mesma ilusão que leva torcedores a defender seu time e investir nele é a mesma que leva o povo a crer que o sistema financeiro merece o lucro que tem, e que a televisão deve ser trocada de tempos em tempos, e que a casa nunca está boa o bastante, os eletrodomésticos estão ‘ultrapassados’, o colchão ideal é o que custa R$7 mil reais o celular está vencido e as roupas e os calçados têm que ter a marca Nike, Zara, Adidas, Gucci, Cartier, etc., senão são “feias”.

Jogadores de futebol que ganham R$2 milhões por mês e bancos que lucram R$ 20 bilhões por ano são essenciais para o capitalismo, assim como a ilusão de que a pobreza é culpa do pobre, a miséria do miserável e a fome do faminto, como se o sistema não tivesse nada a ver com isso.

Futebol não é só uma ilusão em si, é uma metáfora do capitalismo.

domingo, 16 de outubro de 2022

PROFESSOR

             Se eu fosse um escritor escreveria no dia de hoje uma homenagem aos professores pelo seu dia transcorrido oficialmente no último sábado, mas, antes de ser escritor, eu fui professor, então sou muito suspeito para escrever qualquer coisa que seja nesta data. O professor não sabe quase nada do escritor e o escritor sabe muito pouco do professor, então fica difícil eu escrever sobre mim mesmo nesta data que, além de ser feriado nas escolas, neste ano, ainda, por azar, caiu no sábado, que é quando as escolas estão fechadas, e é por aí que começo meus escritos, sobre as escolas fechadas nos sábados.

Quase em frente da minha casa tem uma praça e ao lado uma escola de nome Aurora Pedroso de Camargo. A praça está sempre aberta, mas a escola fecha quando os professores saem depois dos alunos. Até o último aluno sair, os professores são os desejos mais íntimos dos pais daqueles alunos. Cada professor é a aliteração na poesia do adolescente recitando versos para a virtual namorada. Cada professor é a derivada que maximiza os lucros do futuro empresário. Cada professor é o furo de reportagem do futuro jornalista. Cada professor é a conjuntura que se atualiza à cada bomba que explode na Ucrânia. Cada professor é o herói de cada aluno e cada aluna que sabe que uma vida de herói se constrói em cada aula bem dada na escola Aurora Pedroso de Camargo e em todas as outras escolas públicas e privadas do mundo.

Ser professor é muito fácil, basta conhecer todas as regras gramaticais, as funções sintáticas e analíticas, adjunto adverbial, e adnominal, aposto, sintaxe, léxico das palavras e também as figuras de linguagem, a metáfora, metonímia, catacrese, sinestesia, etc. e, claro, saber como explica-las aos alunos que nunca antes ouviram falar delas; basta conhecer os limites e derivadas e as funções infinitesimais, logaritmo, geometria, cálculo diferencial e integral, matemática financeira, física e estatística, sólidos em revolução...; ciências da natureza, química, geografia, sociologia e, quando ensinar isso tudo levar em consideração que ganha pouco e é maltratado pelos políticos que não tem interesse na educação das pessoas.

Você quer ser professor? Parabéns, eu fui por quase vinte anos! Quem dera todas as felicitações que vi no último dia 15 fossem votos de protesto contra pais que não educam filhos em casa e depois culpam os professores pela burrice dos alunos; quem dera fossem votos de protesto contra políticos que roubam verbas da educação em aquisições de Kit Robótica em processo duvidosos e os colocam em escolas que não tem nem água potável ou internet;  quem dera fossem votos de protesto contra um sistema educacional que privilegia uma elite estúpida que bota os filhos em escolas particulares no ensino básico e médio para depois se apropriar das vagas nas melhores universidades públicas. Quem dera fossem votos de protestos! Professores não precisam de felicitações, precisam de reconhecimento profissional e escolas mais adequadas!

Se eu fosse um escritor, escreveria um texto elogioso aos meus pais que nas suas limitações foram meus melhores professores, mas também um texto apologético aos trabalhadores e trabalhadoras da educação, que travam uma luta inglória contra a estupidez humana.

sexta-feira, 14 de outubro de 2022

SE EU TIVESSE

  

Se eu tivesse

Feito o amor que não fiz

Talvez tivesse vivido

A vida que não vivi

 

Se tivesse cuidado

O que não cuidei

Talvez tivesse colhido

O que plantei

 

Se tivesse

Estudado o que não estudei

Talvez tivesse aprendido

O que não sei

 

Se tivesse

Transado quando não transei

Talvez tivesse gozado

O que não gozei

 

Se tivesse

Vivido ....................

Talvez .....................

............... não sei......

quarta-feira, 12 de outubro de 2022

A CRIANÇA

 

Anoitece a criança deste dia 12

de um dia qualquer de outubro

sem brinquedo e sem graça

descalça de entendimento

despida de sentimento

ausente de tudo

 

Na roda viva do jogo do amor

a ciranda gira a roleta fatal

da criança que chora de fome

não tem identidade

não tem nome

não terá um dia de Natal

 

Ganha de presente a criança chorona

num dia qualquer de um mês qualquer

da vida que roda no sistema

como em um filme de cinema

onde tem tiros e pipoca

miséria de dar pena

 

Brinca de respeitar no dia 12

de uma dia qualquer de outubro

um adulto solitário e sem graça

que nada entende da criança

                                           descalça

nem ainda aprendeu que a vida

                                    pode valer a pena

 

Bebe a criança anoitecida de um dia

                                                            de outubro

esquecida de viver a vida

.........................................

...........................................

De um dia de outubro!


quarta-feira, 5 de outubro de 2022

O PADRE KELMON E O AZOLA DO BURRO

81.129, esse é o número de votos que o candidato do PTB-Partido Trabalhista Brasileiro, teve na eleição do último domingo para Presidente da República. Azola do Burro teve 1.022 votos para vereador em Dourados no ano de 1.992 e foi eleito. Mal comparando, já que estamos há trinta nos da eleição do Azola, mas mantendo a proporção de votos em relação à população, se o Padre Kelmon fosse candidato a vereador teria tido a confiança de 77 eleitores Douradenses!

Depois dos últimos debates em que o tal Padre participou, eu vi os jornalistas quase se desculpando por ter que convida-lo para estar ali, justificando que só o fizeram por força da legislação que obriga convidar candidatos cujo partido tenha um certo número de deputados eleitos nas últimas eleições e tal. Eu achei ótimo ele estar lá, apesar de ter se passado por ridículo quando defendia outro candidato, só o fato de estar lá foi a prova mais inconteste da democracia brasileira que não permite que as emissoras convidem somente quem eles querem para o debate.

Já estamos meio acostumados ao ridículo, Azola do Burro, o vereador, comia mandioca crua no plenário da Câmara Municipal, o palhaço Tiririca foi reeleito deputado federal e o estrela pornô Alexandre Frota foi eleito em 2.018 e compôs a bancada do terrivelmente evangélico Jair Bolsonaro. O belo disso é que esses tipos representam a sociedade brasileira, milhares de pessoas amam ir ao circo e se veem nos palhaços, outro tanto é viciado em pornografia e as igrejas estão infestadas de crentes tomados pelo espírito durante o culto e pelo capeta fora do templo.

Agora estamos no segundo turno das eleições e inimigos declarados se juntam na esperança de poderem dar pelo menos uma mordida na mandioca, quer dizer no poder, e quase dizem amar este ou aquele desafeto de poucos dias atrás. E o povo que aplaudia o Tiririca, agora acha que tudo isso é uma palhaçada! Nós somos assim mesmo! Quem nuca trabalhou para um empresário sabidamente desonesto e defendeu, com honestidade, a empresa, ou quem nunca puxou o saco de um ditadorzinho qualquer só porque este lhe fez um favorzinho? E os que mais foram favorecidos, agora odeiam os mais necessitados por votarem pelos seus interesses. Quem nunca foi um injusto juiz só para ser ministro?

Nessa catedral não tem santo. O mais honesto que se aproxima do altar da política é capaz de roubar a hóstia e comer o coroinha enquanto os irmãos se embriagam de vinho no arraial da hipocrisia cultuando vênus e promovendo orgias com as prostitutas cultuais. O valor gasto pelos partidos nesta campanha eleitoral, com dinheiro público, foi de R$ 5,7 bilhões e não tem fiel que tenha recusado essa oferta!

Quando o Azola do Burro era vereador eu era sócio de uma empresa de Entregas Rápidas, o serviço era feito com motos. Um dia o Vereador me perguntou se eu entregava qualquer coisa, eu disse que sim, a responsabilidade pelo conteúdo era do contratante. Depois fiquei pensando que talvez o “conteúdo” não fosse aceitável, penso isso hoje dos políticos.

terça-feira, 27 de setembro de 2022

LA BARCAROLA

Em 1.967, o maior poeta Latino-americano, Pablo Neruda, publicou em seu LA BARCAROLA, no nono episódio, alguns versos sobre o Brasil, agora, mais de cinquenta anos passados, quase às vésperas das eleições gerais, me encontro e me encanto com toda poesia e em como o poeta, sensível ao povo, consegue nos fazer sentir, como se fosse atual, e é, suas percepções do nosso país. Então observo nossa barcarola e escrevo:

Nossa Barcarola (Barca) navega em mares revoltos e, da praia, olho ao longe enquanto espero notícias que não me chegam do dia em que o vento há de trazer de volta a minha amada, pátria, vestida da brisa que vem do mar sobre as florestas amazônicas e em ventos que voltam ao mar, pelo Sul, levando chuvas Serôdia e Temporã, até que me encontre no horizonte infinito.

Enfraquecido, o Timoneiro já nem sabe o rumo do porto e as ondas que batem de lado enchem os olhos da minha amada, de sal ardente, e ela já não me vê. A bombordo uma luz que brilha na escuridão, a estibordo um sinal de alerta, o fogo se ascende na floresta iluminando as noites tristes. Para onde aponta a proa? Para onde vão minhas esperanças?

Um fino raio de sol tubular indica o Leste e ouço lamentos negros fertilizando canaviais, o açúcar escorre sangue, é doce a vida nas mansões que olham para o mar, a barcarola retesa as velas do mastro, da varanda vai o sinal do farol, pelo telefone celular, mas tem água, tempestade a bombordo.

O mar navega os olhos da minha amada, pátria. Marejam os olhos de água salgada, o coração balança as ondas e o ar suspira uma nuvem sobre a praia. Fecho os olhos para ver o tempo e uma lágrima de sal lava a alma da multidão que se aglomera no bonde. O sangue negro ainda mancha ruas do Nordeste onde o mar cospe o ouro negro no pinico misterioso do capital financeiro internacional. Os bancos têm fome, não importa a cor, o petróleo é sempre preto, o sangue negro sem cor não é mais raça, uma flecha acorda a Estrela Dalva e a Lua Cheia se prostra. O agro tem sede, de sangue que não é negro. Uma faísca desce pelo Amazonas e queima a justiça divina no Sul de Mato Grosso, do Sul. Na barcarola, a minha amada balança a alma e chora.

Um clarão, no céu, no Céu dos céus, a Terra, prometida, adora Baal. Olho da praia, as nuvens fazem o caminho do mar, a água salgada é um rio poluído, os olhos da amada não enxergam, os ouvidos não ouvem, e a boca não fala. Um rio, poluído, sai da boca dos adoradores que enchem a barcarola, o timoneiro, agarrado ao poste ídolo clama ao vento, mas o vento não para! A barcarola se enche à direita e afunda. Onde a esperança? Um fio alimenta o tempo em dois de dez.

quinta-feira, 22 de setembro de 2022

RUM MONTILLA

         Eu estou escrevendo um Livro de Memórias, é chegou o tempo! São muitas histórias e eu quase ia me esquecendo de escrever sobre o tempo quando tomávamos Daiqiri. Hoje, quando fui ao supermercado, vi na prateleira umas garrafas de Rum Montilla, daí me lembrei, era com essa bebida que fazíamos ‘daiquiri nos tempos de militância no Partido Comunista Brasileiro.  Essa bebida, assim como a Cuba Livre que tomava quando era ainda muito jovem, são como uma bandeira hasteada a meio mastro na Praça da Liberdade, para lembrar vidas que deixaram de existir, mortas junto com uma época da qual ainda se ouvem ecos nas músicas dos Beatles, Credence, Rolins Stones, Rita Lee, Caetano, Gil e o psicodélico Pink Floyd.

Cuba Livre, lógico era uma referência à revolução liderada por Fidel Castro que libertou Cuba da ditadura de Fulgêncio Baptista e do domínio norte americano, também nos libertava das agruras da Ditadura Militar nos anos setenta, não era importante saber o significado, só beber e dançar Rock In Roll, com o copo na mão rodando o corpo e balançando a cabeça com os pés aflitos sobre o soalho da pista e os olhos filmando as garotas revisitadas em sonhos por longos dias da próxima semana.

Daiquiri é símbolo de uma nova era, nos anos oitenta os militares tiravam as tropas do campo de batalha da política, onde nunca deveriam ter se mobilizado e nós, os comunistas, travávamos a eterna luta inglória contra o império norte americano. Naqueles tempos, ainda pensávamos que a luta armada seria uma possibilidade e nos preparávamos para isso, o Brasil engatinhava sua democracia e nós pensávamos a revolução! Mas, como diria Chê Guevara: ‘Hay que endurecerse pero sin perder la ternura’. E la ternura eram Las chicas quando a solidão batia forte, e um Daiquiri sempre que havia motivo para festejar, e haja motivos! Comunistas e Crentes são muito fiéis às suas causas, mas na hora de celebrar as vitórias, haja daiquiri, não para os Crentes, comunistas tomam daiquiri, crentes tomam refrigerante, ambos fazem mal para a saúde, crentes buscam o sobrenatural tomando refrigerante, comunistas tomam daiquiri.

 

Feita com limão, rum, gelo, muito gelo, e açúcar, tudo batido no liquidificador, Daiquiri é quase uma memória afetiva desses tempos de luta por justiça social. Uma delícia! Não a luta, a memória. Foi tomando daiquiri que li livros que me despertaram para a literatura e para a escrita, foi tomando daiquiri que pilotava minha moto e ia organizar as associações de moradores junto com o Walter Hora, foi tomando daiquiri que me tornei poeta, foi tomando daiquiri que fiz a luta política mais importante, foi tomando daiquiri que me tornei um ator social, foi tomando daiquiri que me perdi no sistema para me achar só. Daiquiri é a metáfora de um tempo.

Hoje fui no supermercado e vi, na prateleira, várias garrafas de Rum Montilla, andei mais alguns passos e comprei uma Coca-cola.

sexta-feira, 16 de setembro de 2022

STAND BY ME

 

Quando você estiver só

Não se sinta triste

Eu estou com você

 

Ainda que o mundo

Não faça mais sentido

Eu estou com você

 

Eu amo você

Você é um anjo

Que veio do Céu

 

E já me satisfaz

Você é um anjo de luz

No meu caminho

 

Eu estou ligado em você

Como um fio de luz

Que ilumina o caminho

De uma vida eterna

 

Você me satisfaz

Em meus sentimentos

Como uma refeição

No melhor restaurante

 

Eu bebo uma cuba libre

Para viver um tempo

Com você

Enxugue aquela lágrima

 

Há de existir

Um tempo em que

O amor se fará

Isso é possível

 

Esse tempo sem você

Tem muita nostalgia

Mas agora é você

E eu voltarei a ser feliz

 

Com você

Hei de ser

Mesmo que em sonhos

Hei de se feliz!

quinta-feira, 15 de setembro de 2022

O MUNDO SERIA MELHOR SEM OS ESCRITORES

Em geral os escritores são uns pervertidos que não produzem riquezas para a humanidade, e o que é ainda pior, pervertem as ideias das pessoas fazendo-as pensar em possibilidades que nunca serão realizadas, criando sonhos inatingíveis e transformando bons operários em maus políticos e bons empresários em selvagens capitalistas. Escritores são capazes de arruinar qualquer sociedade, promovendo ideias irrealizáveis, corrompendo corações bondosos e condenando almas ao martírio sem fim!

Não precisamos ir muito longe para constatar o mal que uma escrita, por mais simples que seja, pode causar à humanidade, basta um pedaço qualquer de papel e uma caneta para escrever um bilhete e ele carregará em si uma mensagem devastadora ao coração sensível de uma garota desprevenida, causando a destruição completa de uma família com os pais revoltados e a filha solta na rua depois que se constatou a gravidez indesejada, o filho há de nascer numa casa de prostituição e será um filho da puta! Tudo por causa de um bilhete, escrito e, se escrito, por um escritor.

Quantas vidas foram entregues ao vento pelas cartas vindas pelos correios! Caixas de sapato se enchendo de envelopes cheios de linhas esperançosas, o Eu lírico envolto em manto branco imaculado, galgando degraus de sabedoria e flutuando em nuvens de algodão, abraçando corações e apalpando sentimentos íntimos fazendo do espelho testemunha do prazer sexual distante, até que, após anos de espera, chega a fatídica notícia da desilusão. Melhor teria sido não ter havido um escritor para primeira carta!

Hoje não mais os correios, mas o Face book e o WhatsApp, essas terríveis plataformas que inventaram para que escritores, desde o mais analfabeto até o mais culto, todos se juntem num só e mesmo culto eufórico das coisas belas e maravilhosas que não são parte das suas vidas, e há quem acredita! e até curte e se atreve a escrevinhar um texto no espaço dos comentários, quase sempre um texto ridículo exaltando a feiura com palavras amenas e mentirosas: “olha, que lindo!”, “Eu concordo” Linda!!” Enquanto isso, a vida real está uma desgraça! Tanto de um como de outro.

Fake é a obra prima de quem faz sucesso com as palavras escritas. Não há uma novela que seja o retrato da vida real, o que atrai o público é exatamente a ilusão causada por uma história bem contada. Daí o leitor quer ser o personagem da história, mas a sua amada leu outro livro e o que seria um romance de John Green vira uma tragédia de Markus Zusak. E não só os escritores de livros de romance, também os filósofos. Há algum tempo comprei uma coleção chamada: “Os Pensadores”, o primeiro livro que li foi: “História da Filosofia”. Ou o autor desse livro mentiu ou os filósofos mentiram, ou todos eles, provavelmente todos, todos foram escritores! Menos Sócrates, este não escreveu uma palavra sequer que ficasse para a história! dizem que ele foi verdadeiro, uma referência para o pensamento universal! Quem escreveu foi Platão, muitíssimo criticado por seu pensamento comunista.

Escritores comunistas são achincalhados por pastores evangélicos que defendem que a Bíblia Sagrada contém toda a verdade, mas um dos principais livros da Bíblia Sagrada, o livro de Atos dos Apóstolos, onde narra o início do cristianismo, é um livro comunista! Aí eu pergunto: Quem é mentiroso, os pastores que criticam o comunismo ou o autor do livro bíblico que defende o comunismo? Vá lá saber! Tem muito pastor bancando o escritor!

A verdade é que somos todos mentirosos, vivemos pela mentira, para a mentira e por causa da mentira, não há um sequer que fale a verdade, a mentira é a regra de sociedade. Então, UM BRINDE À MENTIRA! E sejamos todos escritores, o mundo precisa de ilusão!

sábado, 10 de setembro de 2022

E SE EU FOSSE O PRESIDENTE DO BRASIL!

             Já não sou mais político, sou apenas um escrevinhador com direito a todos os sonhos e textos ficcionais e reais que minha memória, inconsciente ou subconsciente derrama atrás dos meus olhos, um pouco acima, nessa região que chamamos de testa, dentro do córtex frontal medial, onde o hipocampo decide por mim que imagens vão se formar pela comunicação que os neurônios fazem entre si através das sinapses elétricas ou químicas.

Já fui presidente algumas vezes, primeiro do Centro Acadêmico de Matemática, depois do Diretório Central dos Estudantes, também do Sindicato dos Bancários e finalmente da Associação dos Produtores Rurais da Agricultura Familiar, tudo em Dourados, onde não fui prefeito e nem vereador, só uma vez candidato a Vice-Prefeito, lá nos idos de 1.992 quando ainda se militava por uma causa que valesse a pena. Agora me vem esse pensamento: E se eu fosse presidente do Brasil? Acho que meus neurônios andam fazendo muitas sinapses!

Em tempos de eleições esses pensamentos devem passar pela cabeça de muita gente, talvez eu ainda seja uma pessoa normal. A pergunta que não cala minhas ideias é: Se eu fosse presidente, o que eu faria além de me declarar imbrochável? Bom, além de adotar o texto completo do livro UTOPIA como base para a nova Constituição, faria algumas obras importantes como melhorar as condições de saúde e educação para todos os cidadãos, além de filtrar as águas de todos os rios poluídos, reflorestar todas as cidades com mais de cinquenta mil habitantes e devolver todas as terras aos povos originários, feito isso pagaria toda a dívida pública e instituiria o acesso gratuito aos estádios de futebol.

Há também que se pensar na Geopolítica. Nos primeiros seis meses de governo certamente faria uma grande reformulação geográfica do poder político, criando pelo menos cinco Repúblicas com governos regionais e submissas ao poder constituinte central, para isso basta dar poder a cada uma das regiões e para não perder a identidade nacional as Repúblicas seriam denominadas de: República Socialista do Sul; República Socialista do Sudeste; República Socialista do Centro Oeste; República Socialista do Nordeste e República Socialista do Norte e o governo central seria a União das Repúblicas Socialistas do Brasil. Assim, com governos voltados para os interesses locais, nunca mais teríamos problemas regionais e a República Socialista do Nordeste poderia exportar petróleo para o resto do país e se tornaria muito rica. A República Socialista do Sul importaria o petróleo do nordeste em troca de alimentos. No Centro Oeste se criaria gado para exportação, o Sudeste seria o grande polo industrial e financeiro e todas as Repúblicas pagariam royaltes para a República Socialista do Norte para que a floresta ficasse preservada garantindo chuvas regulares e clima ameno no resto do país.

Quanto aos criminosos, cada República que cuide dos seus, não mais será permitido traslado de bandidos entre as Repúblicas. A República do Centro Oeste e do Norte, por terem fronteiras muito extensas com países produtores e exportadores, poderão fazer acordo de livre-comércio de maconha e seus derivados para uso exclusivamente medicinal, a importação e o transporte serão livres desde que recolhidos antecipadamente os impostos devidos, considera-se medicinal, além do que for prescrito pelos médicos, todo consumo de até dez gramas por semana para cada cidadão maior de dezoito anos e de até vinte gramas para os maiores de sessenta e cinco anos de idade, conforme estabelecido no Estatuto do Idoso.

É óbvio que eu nunca serei presidente do Brasil, mas se, por algum feito do destino vier a ser, aí então, sim, faremos a revolução!

terça-feira, 6 de setembro de 2022

MORTE, LÓGICO!!

             Estamos há duzentos anos do brado heroico do Príncipe Regente Dom Pedro I às margens do Riacho do Ipiranga, quando ele teria erguido a espada corajosamente e bradado: “Independência ou morte! ”, tipo o Bolsonaro ameaçando usar ‘pólvora’ contra a maior potência mundial. Entre um extremo, o de Pedro gritando por independência quando ela já havia sido assinada pela sua esposa, a então Regente do Brasil, dona Leopoldina que, pelo fato do marido estar ausente, em viagem a São Paulo, assumiu o cargo de Regente e convocou uma reunião extraordinária, presidida por José Bonifácio e no ato assinou uma Declaação de Independência do Brasil, daí mandou a carta para Pedro, que a recebeu em 7 de setembro de 1.822, e de posse dela comunicou o fato ao público, às margens do Ipiranga. No outro extremo, o atual regente do Brasil, num de seus acessos de loucura, às margens de qualquer ato de sanidade, ameaçando declarar guerra ao Império dos Estados Unidos da América!

Entre um e outro, o Brasil conta duzentos anos de dependência, primeiro da Inglaterra, maior economia mundial desde a Revolução Industrial até o “crash” da bolsa de valores de Nova York em 1.929, tempo em que o Príncipe Regente, quer dizer, o Imperador Dom Pedro I, obedecendo ordens vindas do Britânicos, invadiu e dizimou o povo paraguaio, num dos maiores crimes de genocídio que se tem registro na história. Na década de 1.930, durante a ditadura do Estado Novo, o Brasil obedecia ordens de Hitler, com quem se identificava o primeiro governo de Vargas, em 1.944 aliou-se aos Estados Unidos de quem permanece dependente política e economicamente até hoje, não importa quanta pólvora tenhamos nos estoques do exército!

O grito de independência, lá dos idos de 1.822, ainda ecoa pelo nosso país, mas sem uma resposta, enquanto isso, as mortes são contadas aos milhares, centenas de milhares, milhões entre nossos valorosos soldados, não os do exército, que andam recebendo aumentos consideráveis em seus vencimentos, especialmente os de patente mais elevada, onde se tem fartura de leite condensado, viagra e próteses penianas, indicativo das suas principais atividades, mas mortes contadas entre o povo trabalhador que produz riqueza para empresas do Império Norte-Americano, commodities para alimentar o “inimigo” Chinês e muito lucro para os banqueiros, destino prioritário do dinheiro público, durante esse tempo, negros foram terrivelmente escravizados para depois serem brutalmente excluídos, trabalhadores da cidade e do campo que lutavam por justiça social foram massivamente torturados nos porões das polícias sob ordens do Império, trabalhadores rurais chacinados quando clamavam por um pedaço de terra, e centenas de milhares de cidadãos inocentes mortos na pandemia de COVID 19 por desleixo intencional dos órgãos governamentais.

Vai ser bonito ver pela televisão o desfile militar, os aviões sobrevoando a praia no Rio de Janeiro onde paraquedistas vão descer feito super-homens, o Príncipe Regente vai dizer que está tudo bem!

quarta-feira, 31 de agosto de 2022

UMA POESIA: TOMARA

             Hoje eu preciso de uma poesia

Tomara eu tenha uma de sonhos,

                        feita na praia

Tomara eu tenha uma de contos,

                       de Sol e de chuva e de brisa

 

Tomara eu veja esse dia

De areia, de folga, de Lua

De Rio, de mar, de Janeiro

Desde a manhã até a noite,

                 um dia inteiro!

 

Tomara o dia não acabe nunca

Tomara eu seja o mundo inteiro

Tomara Mara me veja

E eu seja dela o primeiro!

 

Tomara eu não tenha roupas para vestir

Nem pensamentos a insistir

Tomara a noite respire

a brisa do mar em mim

 

Tomara eu possa balançar

              subir, descer, subir...

e eu me alimente do teu hálito

e viva eternamente assim

 

Tomara seja doce o querer

grande como o mar sem fim

e se a noite, por ventura, amanhecer

que sejamos um dia infinito em mim.

 

Tomara eu não esteja sonhando

Tomara seja lindo

Tomara eu possa ser

                               amado!

 

No Rio

              De Janeiro

              Grande do Sul

              Do Norte

De todos os lugares

 

Lugares de amar

 

Não vou dormir

O sábado não tem fim

Não quero acordar o domingo

Sem mim.

terça-feira, 30 de agosto de 2022

UMA DATA COMEMORATIVA

É uma delícia de se ver como existem datas comemorativas, eu até já escrevi uma crônica sobre esse assunto, mas agora volto ao tema porque não consigo me conter diante de tanta criatividade, hoje mesmo é Dia Internacional das Vítimas de Desaparecimentos Forçados. Teve comemoração na mídia, patrocinado por grandes empresas comerciais? Claro que não, isso não dá lucro, danem-se as vítimas! Logo, logo, teremos dia das crianças, finados e Papai Noel, aí sim! Até os mortos são capazes de movimentar a economia!

Fico pensando que data poderia ser comemorada se eu fosse instituir alguma. Pensei em “O dia do Ócio”, não Dia do ócio criativo, como propõe a Universidade Metodista de São Paulo, onde se fazem muitas atividades, mas ócio mesmo, uma data para ser comemorada sem nenhuma comemoração, um dia para que não tenhamos nenhuma atividade, um dia exclusivamente dedicado à preguiça! Poderia ser uma data mundial e todas as nações seriam obrigadas a comemorar esse dia sem fazer absolutamente nenhuma comemoração, nem mesmo motociatas! Tipo aquela música do Raul: O dia em que a terra parou! Claro que seria numa segunda-feira, de preferência chuvosa e fria.

Não vamos fazer elucubrações sobre o que faria o presidente da república neste dia, não faria nada e isso seria muito bom para o país, qualquer país, até aqueles onde o presidente trabalha honestamente, o que não parece ser o nosso caso! A televisão não funcionaria, nem os jornais, nem o transporte público ou privado, nem os restaurantes, nem os hospitais e nem se faria comida nas casas e assim todos seríamos igualmente miseráveis a ponto de não termos o que comer e aprenderíamos como vivem os mais desgraçados da nação, e o que é ainda melhor: ninguém seria capaz de fazer uma Selfie para publicar nas redes sociais porque o telefone celular também não funcionaria! Ai! isso ia ser duro demais! Isso seria como se estivéssemos todos desaparecidos.

O que aconteceria com a Guerra na Ucrânia? Nada! Absolutamente nada, os soldados de ambos os lados ficariam o dia todo sentados à toa, sem disparar um único tiro e buscariam em suas mochilas livros de literatura, quem sabe um Dostoiewski ou um Tolstói. Eu sei, os fabricantes de armamentos tentariam uma grande mobilização de protesto, um dia sem guerra significa um grande prejuízo econômico, mas de nada adiantaria, pois neste dia nem mesmo protestos seriam possíveis. As bolsas de valores e de mercadorias também não funcionariam e nem os mercados, a inflação seria zero e a paz estaria em todos os lugares.

Nesse dia, eu iria trabalhar, escolheria cada palavra cuidadosamente e escreveria uma crônica que seria publicada no dia seguinte e nela eu descreveria todo o silêncio dos automóveis, dos rádios, da televisão, dos celulares e computadores e como esse silêncio permitiu que o ser humano se tornasse original, autêntico, livre de influências externas e assim, despido de qualquer pudor, olhando para o céu e para a natureza se sentisse parte dela. Depois desse dia, talvez não houvesse mais capitalismo.


UMA GRAVIDEZ INESPERADA

VIII O segundo filho de João Damasceno nasceu no dia 20 de janeiro de 1.995, dia de São Sebastião. A mãe queria porque queria pôr o nome do ...