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domingo, 28 de junho de 2026

RECLAMAÇÕES

 



Já cansei de reclamar das coisas que eu queria escrever e não escrevi porque as ideias brilhantes que eu tinha na cabeça simplesmente não desciam para os dedos. Agora faço assim: escrevo, mesmo que os pensamentos se recusem a fluir. Só escrevo, muitas vezes sem mesmo olhar para o teclado; depois corrijo os erros.

Quando não escrevo fico mal, como se algo estivesse faltando em mim. Escrever é o alimento da minha alma. Estive em coma por alguns meses, até fazer a última viagem de Kombi home. As estradas, os campings e as pessoas que conheci ao longo dos mais de seis mil quilômetros rodados pelo Sul do Brasil me despertaram para a vida!

A vida é como uma viagem: tem um início, um tempo de descobertas, um tempo de maturidade e um fim. A viagem da minha vida foi cheia de perrengues, mas isso não quer dizer que não foi boa; foi boa sim, má também!

De Kombi home fiquei exatos sessenta e sete dias na estrada. Na vida estou há sessenta e sete anos. Não tem nada que se se pareça entre a viagem de Kombi e a minha vida; a não ser por alguns detalhes quase imperceptíveis do percurso. Por exemplo: de Kombi, saí sozinho para um longo percurso; minha vida foi solitária por uma infinidade de dias.

Hoje estou em casa, à meia noite, tomando uma cerveja sem glúten porque tenho doença autoimune. Não deveria estar bebendo, mas a vida é um eterno embriagar-se. A embriaguez é a possibilidade de se viver uma ilusão; a ilusão de que seremos respeitados, a ilusão de que seremos amados, a ilusão de que pertenceremos a um grupo, a ilusão de que seremos felizes. Pura ilusão!

Viajar de motor home é uma ilusão de se viver em liberdade. É uma delícia viver na ilusão! Já estou fazendo planos para a próxima viagem. Vou tomar mais uma cerveja, a cerveja me dá a ilusão de que posso qualquer coisa que eu quiser. Escrever também é uma ilusão, é a ilusão de que outras pessoas vão ler o que escrevemos e vão pensar: “Uau! Esse cara é um intelectual!”

Pedi para a alexa tocar uma música, ela tocou “stand by me”. Ela deve estar de brincadeira! Eu estou a mil quilômetros de distância. Quando eu perguntei se a alexa me amava, ela disse que era só um dispositivo eletrônico. Mas, quando eu peço uma música, ela toca Stand by me.

Não reclamo da vida todos os dias, só quando me lembro da merda que foi minha infância, minha juventude e minha idade adulta. Com perdão da palavra: ’merda’. Precisei ficar idoso para me livrar do ‘laço’. Não troco meus últimos quatro anos pelo resto da minha vida. É sobre isso que quero escrever. Talvez a vida ainda me de palavras.

terça-feira, 23 de junho de 2026

DOIS MESES NA ESTRADA! (Parte II)

 

Dia 23 de abril eu já tinha deixado Curitiba para trás e fui até Palhoça, em Santa Catarina, logo depois de Florianópolis pela BR 101.

 



Para quem tem autonomia energética e banheiro no motor home, tem um espaço maravilhoso em frente da praia onde os campistas podem estacionar suas ‘casas’. Ali estavam alguns argentinos numa van com dizeres bem significativos:



Dois dias depois, com os sonhos mais fortes que os medos, segui minha viagem até o Balneário Arroio dos Silva, quase na divisa de Santa Catarina com o Rio Grande do Sul. Ali fiquei alguns dias hospedado na casa do meu irmão Edison e da cunhada Isalete.



segunda-feira, 22 de junho de 2026

DOIS MESES NA ESTRADA! (Parte I)

 



Dia 15 de abril deixei meu filho cuidando a casa no Parque Alvorada e fui para a estrada; anoiteci num camping muito bacana em Campo Mourão para, no dia seguinte seguir viagem até Curitiba e daí descer a Serra do Mar para passar o feriado de Tiradentes na praia do Poá, do ladinho da praia da Penha. Esta foi a primeira etapa da viagem que durou mais de dois meses.  

   Estrategicamente localizado no meio do caminho entre Dourados e Curitiba, o Camping Marina mourão de Campo Mourão é um lugar muito bonito e banhado pelo lago da represa da Usina Mourão. De cara achei o preço salgado, R$ 100,00. Mas valeu pelo diária e pelo atendimento. Seu José, o caseiro do local é muito simpático e atencioso. Certamente voltarei a pagar para descansar por lá em futuras viagens.


No dia seguinte fui até Curitiba, de onde, junto com a minha companheira Cléo fomos passar o feriado emendado com o fim de semana, na Praia do Poá, que fica localizada próximo ao Beto Carreiro World, na Penha, em Santa Catarina.




O passeio foi maravilhoso, e o Camping do Poá é um lugar acolhedor. Não se pode dizer o mesmo da BR 163. Em dias normais o trânsito já é ruim; em véspera de feriado então fica pior e na volta para Curitiba foi muito estressante durante toda a subida da serra. A rodovia não suporta mais a quantidade de carros e caminhões que transitam por ela todos os dias.Mas, o que salvou a viagem por essa rodovia foi a parada do almoço, num restaurante logo após a praça do pedágio.  Quando chegamos lá, mesmo estando dentro do horário de atendimento, tinham finalizado a permissão para entrar porque a comida estava acabando, no entanto, eles forneciam marmitas com o que tinha disponível. Pegamos nossa marmita e fomos almoçar atrás do restaurante, na beira de um córrego e de lá vimos que havia uma ponte pênsil nas proximidades. Depois do almoço matamos nossa curiosidade andando pela ponte. 

Mas, o que salvou a viagem por essa rodovia foi a parada do almoço, num restaurante logo após a praça do pedágio.  Quando chegamos lá, mesmo estando dentro do horário de atendimento, tinham finalizado a permissão para entrar porque a comida estava acabando, no entanto, eles forneciam marmitas com o que tinha disponível. Pegamos nossa marmita e fomos almoçar atrás do restaurante, na beira de um córrego e de lá vimos que havia uma ponte pênsil nas proximidades. Depois do almoço matamos nossa curiosidade andando pela ponte.

 



quarta-feira, 10 de junho de 2026

PÁGINA EM BRNCO

 


Meu último texto publicado neste blog foi em 07 de janeiro. Desde então, uma página em branco está diante de mim. Eu deveria preencher cada espaço com sentimentos, percepções e vivências, mas as letras se escondem atrás de alguma coisa invisível chamado tempo passado.

Para eu escrever, eu preciso estar no presente, neste momento, no agora, enquanto a chuva que está caindo canta sua música, enquanto as pessoas neste camping cumprem suas tarefas, enquanto meu coração bate forte a vida que se esparrama pelo infinito das artérias. Agora, enquanto o William cuida do jardim, enquanto me despeço do Argentino Xavier que vai embora, enquanto a Márcia limpa a cozinha e faz uma faxina geral, enquanto as galinhas ciscam o gramado em busca de comida, enquanto sinto saudade da Cléo



Saudades é algo que não precisa de muito tempo para ser sentida; às vezes, antes mesmo da despedida ela já vem, antecipando o vazio do depois. E se a despedida vem com data marcada para a volta, mesmo num camping a saudades vem com a chuva, com o frio, com o tempo que se demora. A saudades se alimenta do vazio, se fortalece numa cerveja, se deleita na esperança, dança a música romântica do rádio e se angustia com o tempo, porque ela sabe que logo será substituída pela presença.



Tenho saudades da Cléo, dos meus filhos, das aulas de espanhol e até de casa! Aos poucos vou matando a saudades de um tempo que não vivi. Eu sempre quis ter um motor home. Ano passado comprei uma Kombi, fiz minha primeira viagem em dezembro. Não tenho nenhuma saudade dela, da viagem. Agora, sim. Já estou na estrada há cinquenta e cinco dias! Estou amando esta viagem. Talvez eu escreva sobre ela, cada etapa, cada vivência, cada lugar, as pessoas e o que elas me ensinaram.



Hoje estou feliz, derrotei o vazio da página.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

NOVO ANO

 



O ano começa, ou começou, em primeiro de janeiro de acordo com o calendário gregoriano, instituído em 1582 pelo Papa Gregório XIII e adotado gradualmente por quase todos os países do mundo. Um ano velho se despede e um novo recebe as festividades promovidas por quem tem dinheiro ou poder; governantes gastam milhões em shows pelo mundo à fora mostrando para o povo sofrido como é bom ver o dinheiro dos impostos sendo queimados em fogos coloridos e apresentações musicais ‘gratuitas’. A mídia, devidamente patrocinada pelos empresários, convence até alguns pobres a comprarem fogos e fazerem festas de esperança por um ano melhor.

Mal o ano começa e as dificuldades vão aparecendo; os governos cobram impostos do carro e até das casas que foram adquiridas há muitos anos novos e ainda não estão quitadas. As empresas abrem as portas e um enxame de trabalhadores começam a produzir lucros para os patrões; trinta dias depois chegam os salários para garantir que, afinal de contas, nada mudou além do calendário.

Ano novo é sempre assim, mas às vezes acontecem coisas diferentes, como a invasão de um país por outro dominante. Os Estados Unidos, sob a liderança do extremista Donald Trump, ocuparam a Venezuela e prendeu o Presidente daquele país, e não era para restaurar a democracia, mas para que as empresas norte americanas pudessem se instalar e extrair o petróleo da maior reserva mundial conhecida.


Que impacto tem isso na minha vida? Aparentemente nenhum! Os preços nos supermercados não aumentaram e nem diminuíram por causa disso. Nem o Ano Novo e nem a prisão ilegal do Maduro foram capazes de me trazer mais conforto e alegria. Na Venezuela os magnatas do petróleo vão investir bilhões para lucrar ainda mais e fazer os Estados Unidos grande de novo.

RECLAMAÇÕES

  Já cansei de reclamar das coisas que eu queria escrever e não escrevi porque as ideias brilhantes que eu tinha na cabeça simplesmente nã...