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quarta-feira, 10 de junho de 2026

PÁGINA EM BRNCO

 


Meu último texto publicado neste blog foi em 07 de janeiro. Desde então, uma página em branco está diante de mim. Eu deveria preencher cada espaço com sentimentos, percepções e vivências, mas as letras se escondem atrás de alguma coisa invisível chamado tempo passado.

Para eu escrever, eu preciso estar no presente, neste momento, no agora, enquanto a chuva que está caindo canta sua música, enquanto as pessoas neste camping cumprem suas tarefas, enquanto meu coração bate forte a vida que se esparrama pelo infinito das artérias. Agora, enquanto o William cuida do jardim, enquanto me despeço do Argentino Xavier que vai embora, enquanto a Márcia limpa a cozinha e faz uma faxina geral, enquanto as galinhas ciscam o gramado em busca de comida, enquanto sinto saudade da Cléo



Saudades é algo que não precisa de muito tempo para ser sentida; às vezes, antes mesmo da despedida ela já vem, antecipando o vazio do depois. E se a despedida vem com data marcada para a volta, mesmo num camping a saudades vem com a chuva, com o frio, com o tempo que se demora. A saudades se alimenta do vazio, se fortalece numa cerveja, se deleita na esperança, dança a música romântica do rádio e se angustia com o tempo, porque ela sabe que logo será substituída pela presença.



Tenho saudades da Cléo, dos meus filhos, das aulas de espanhol e até de casa! Aos poucos vou matando a saudades de um tempo que não vivi. Eu sempre quis ter um motor home. Ano passado comprei uma Kombi, fiz minha primeira viagem em dezembro. Não tenho nenhuma saudade dela, da viagem. Agora, sim. Já estou na estrada há cinquenta e cinco dias! Estou amando esta viagem. Talvez eu escreva sobre ela, cada etapa, cada vivência, cada lugar, as pessoas e o que elas me ensinaram.



Hoje estou feliz, derrotei o vazio da página.

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