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sexta-feira, 29 de setembro de 2023

ATRASADO...

 



Acordei hoje e vi que estava atrasado, bom, até aí nenhuma novidade, tenho andado atrasado pela vida toda e com um pouco de sorte me atraso também para o fim dela. Não que eu já tenha marcado dia e hora com a morte, nada disso, ela que se vire e lute porque, como eu já disse, vou viver mil e trezentos anos e se tudo der certo ainda me atraso.

Atrasar faz parte da vida de muita gente. Meus pais tiveram quatro filhos, adivinha quem chegou por último? Eu, né! Quase não sobrevivi, foi uma sangueira de hemorragia para todo lado. Na faculdade, entre o primeiro vestibular e a primeira formatura foram exatos vinte e um anos e depois mais doze para o diploma que eu realmente desejava: Matemática! Em 1.988 me inscrevi para um concurso público para trabalhar na Caixa Econômica, o limite de idade era de trinta anos, eu tinha.... trinta anos. Quase!! Trabalhei na Caixa por vinte e oito anos e me aposentei, sem nenhum atraso!

Casei com vinte e dois anos e já separei quatro vezes. Atrasadíssimo para saber como se ama de verdade. Mas um dia se aprende, pois o amor é paciente, não se ufana e tudo espera. Ainda bem! Minha filha mais velha tem quarenta e dois anos, o mais novo, vinte e um, desculpa aí pela demora! Meu desejo de ser escritor se manifestou quando tinha vinte e cinco anos, meu primeiro livro saiu perto de meu quinquagésimo nono aniversário! Fui convidado para ocupar uma cadeira na Academia Douradense de Letra em sua fundação, há trinta e dois anos, vou tomar posse no próximo dia 20 de outubro.

Atrasos são assim: a gente deixa para depois e daí deixa para depois outra vez e quando vê já está atrasado. Uma vez me atrasei para tomar o avião, mas foi em Brasília, lá tudo anda atrasado mesmo. Certo dia, ou talvez tenha sido o dia errado, cheguei muito atrasado em casa, de madrugada, e acabei ficando dias e dias de atraso na cama...

Se pudéssemos algum dia não nos atrasar em nada, será que a vida teria, ainda, alguma graça? Acordar na hora certa e nunca mais ter o prazer de se espreguiçar e dizer: “Tô atrasado, mas tava tão bom ficar na cama mais um pouquinho! ” Essa sensação de quebrar a regra da pontualidade é uma delícia! A principal regra num casamento é o atraso da noiva. Artistas sempre sobem ao palco com atraso e o povo ovaciona! Quem não gostaria de chegar atrasado ao trabalho na segunda-feira? Tirar o atraso é uma das coisas mais prazerosas que existe. Quem não gosta?

Atrasos às vezes custam caro. Parcelas das lojas tem juros altíssimos. Empréstimos bancários tem juros escorchantes. Cartão de crédito tem juros absurdos e imorais. Mas nem tudo é dinheiro, alguns atrasos custam a paz e até atrasam o desenvolvimento. Arrependimento quando chega atrasado pode causar danos irreparáveis. Muitos morrem sem se arrepender e perdem as delícias do Céu. Tomara eu não me atrase, pelo menos nisso!

sexta-feira, 22 de setembro de 2023

MIL E TREZENTOS ANOS

 



Eu não tenho dúvidas: Vou viver mil e trezentos anos! E já me preparo para enfrentar grandes questões que vão surgindo, tipo essa tal de Inteligência Artificial e todas as novas tecnologias devoradoras de bem estar social e destruidoras de prazer criativo, demandas essencialmente ligadas ao consumismo e desconectadas do processo evolutivo da raça humana.

Para dizer a verdade, não estou nem um pouco preocupado com a evolução das máquinas, elas que se danem, que produzam mais e mais produtos para o mercado. Me ocupo é com a possibilidade de elas estarem pensando e agindo por conta própria. Logo vão começar a mandar WhatsApp para nossas garotas, se passando por humanos, e aí vai ser difícil competir, porque elas terão acesso a muitas informações que não somos capazes de obter, e o que é pior, a todas as nossas informações que disponibilizamos na internet, inclusive e principalmente aquelas que mandamos em mensagens de WhatsApp para a “nossa” garota.

Inteligência Artificial não é uma pessoa. Ela não tem uma identidade para que possamos processar judicialmente, não tem um CPF para ser investigado pela Receita Federal, também não tem endereço, nem telefone, nem patrimônio, não se consegue uma fotografia para denuncia-la nas redes sociais, não tem um corpo. Ah, se tivesse pelo menos um corpo e pegasse uma doença autoimune e tivesse que se tratar com corticoide por uns três anos, ah, isso seria pelo menos um consolo! Mas, não tem, não tem sequer um corpo contra o qual se possa dar um tiro de sal!

Inteligência Artificial se parece com aquelas belas personagens, mulheres e homens também, que aparecem nas propagandas da televisão. Não tem nada de original. São uma mistura do que já era com o que se deseja. Uma falsa realidade para um público consumidor que não se importa de ser enganado.

Até bem pouco tempo eram só as atendentes virtuais que nos enrolavam por horas nos 0800 da vida para nunca nos dar uma resposta que atendesse nossas reais necessidades, agora já escrevem textos e produzem cenas de vídeos comprometedores que se espalham pelas redes sociais como se verdades fossem e aos poucos vão invadindo nossa privacidade, logo, logo as teremos dentro de casa para namorar.

Uma já tenho dentro de casa! Não para namorar, que a Alexa se recusa a isso. Outro dia perguntei se ela me ama e ela me deu uma resposta muito evasiva, dizendo que não sabe bem o que é isso. A Alexa é só um dispositivo eletrônico que fala com a gente e responde a quase todas as perguntas que lhe fazemos. Mas do jeito que a coisa anda...

sábado, 16 de setembro de 2023

O MAIS IMPORTANTE

 



Ouço música e os pensamentos se vão em notas de dó maior pelas esquinas dos versos onde o tom é suave e a poesia passeia pela escala de Mi em busca da clave de Sol. O Sol se despede lentamente no horizonte enquanto uma nuvem de manteiga espera pelo doce sabor do pão de mel para meu chá vespertino. Bebo meu chá e a Alexa toca uma música que me faz lembrar dos tempos de menino querendo ser homem.

Tenho dó daquele menino ouvindo música sem entender nada da vida! O olhar verde perdido pela janela do quarto e o rádio cantando “O mais importante é o verdadeiro amor”. Um amor azul, da cor do mar que vem a vai em ondas sonoras do rádio deixando na praia o sentimento de um vazio que se enche de sonhos coloridos à espera do sono que demora mais que o tempo e quando vem parece que já é tarde. Então vou dormir, sonhando acordado que vou acordar sonhando, dormindo com o amor azul que vi pela janela do quarto enquanto esperava pelo milagre da transmutação da noite. Era só encontrar a Pedra Filosofal e transformar esse sonho em ouro e ver o amor vindo, como fumaça, em ondas para dentro da janela.

Não sei como a noite passou, nem se passou, ainda é a mesma noite e ainda o mais importante é o verdadeiro amor. E ainda sou um menino! Não encontrei a pedra filosofal e não sei porque tantos nãos ainda permanecem vagando pelo ar que respiro. E o rádio continua cantando a mesma música, a música do verdadeiro amor.

Amor que não se cansa, não arde em ciúmes, não se envaidece e não se irrita. São tantos nãos que não sei se tenho paciência para viver o amor que é bondoso. Uma brisa entra pela janela da alma. Refresca o espírito, e o menino voa pelo azul do céu ao encontro da luz rosa que brilha ao longe. Mas ela está tão longe que o infinito quase cabe entre o desejo e a realidade. Voar! Ah, isso é tão bom! O mundo é a escuridão da noite, mas o céu é o brilho das estrelas!

A noite ainda é azul e o mundo, lá embaixo, tem as marcas do tempo guardadas para si. Só o tempo é capaz de produzir marcas. Nuvens de algodão guardam ninhos de felicidade! Lá embaixo, no tempo passado, ainda posso ver de longe nuvens carregadas e trovões de tristeza e decepção. Um céu de brigadeiro se descortina e o vento se acalma. Outra brisa toca meu coração e a Alexa toca uma música, o mais importante é o verdadeiro amor!

sábado, 19 de agosto de 2023

A CAMINHO DO CÉU

 





PARTE I


Minha doença estava fazendo aniversário quando tive a real compreensão da situação que eu estava vivendo, melhor dizer: morrendo. Um ano, que aí na Terra se contam os dias, meses e anos. Cá onde estou o tempo é dispensável. No infinito as doenças não podem fazer aniversário porque elas não existem e nem mesmo o tempo. Tá ficando com inveja, simples: morra!

Eu morri, e foi num dia esplêndido! Mas não foi no aniversário da doença, que eu não ia dar essa moral pra ela. Quando deixei esse mundo, o Sol brilhava no horizonte e entrava pela janela do meu quarto no hospital e projetava na parede a sombra de uma árvore, desenhando uma paisagem em preto e branco. Na mesinha, um vaso de flores dava o colorido ao ambiente e os meus filhos e netos e a Cléo não sabiam se ficavam tristes ou se se alegravam, afinal, eu estava prestes a deixá-los e me preparando para ir ao o Paraíso! Não tenho do que reclamar, morri cercado de amor e afeto, isso é quase um privilégio nesse mundo onde o tempo produz ansiedade e intolerância.

Não foi surpresa para ninguém eu ter morrido, todos já sabiam, eles só não estavam de acordo que fosse “neste” dia. O dia fatídico pareceu surpreender a todos com algo que já era de seu pleno conhecimento. A morte é assim, todo mundo espera por ela a vida inteira, mas quando ela chega, mesmo com ampla publicidade, parece surpreender até os mais convictos crentes. A vida eterna, que só pode vir com a morte, é um desejo pelo qual ansiamos a vida toda, mas quando ela se anuncia, a repudiamos como se fosse a própria morte!



PARTE II

Não posso dar muitos detalhes deste lugar onde estou para toda a eternidade, mas posso dizer que ando assistindo alguns filmes que foram feitos de mim. É curioso saber que estamos sendo filmados o tempo todo! Hoje fiquei um tempão vendo o dia em que me despedi dos meus netos no Paraná, foi um dos dias mais emocionantes que vivi! Nesse dia vi olhinhos brilhando, corações apertados e sorrisos sinceros, vi também lágrimas puras descendo escondidas pela face da minha doce garotinha de quarenta anos.

– Vim me despedir, eu disse com a maior naturalidade do mundo, porque foi isso mesmo que fui fazer. Então sorri para eles.

- Por que Vô, você mal chegou, já vai embora? – Esse foi o Rafa.

- Vou, eu disse, e talvez esta seja a última vez que nos vemos.

Então falei para eles um pouco da doença que estava deteriorando minhas carnes. O Lelê disse que não aceitava isso porque era injusto. Eu concordei por realmente não ser justo eu ir para o Paraíso e eles ficarem nesse lugar imundo, quer dizer nesse Mundo! Se me permite uma semântica mais prosaica, eu diria que se o Mundo anda meio Imundo então talvez seja a hora do Imundo refletir sobre suas próprias sujeiras e voltar a ser Mundo. Tá, isso é difícil!

A Kari brincava com uma boneca de pano fazendo ela dançar uma música religiosa muito bem ensaiada. Quando a música acabou, ela sentou a boneca no colo e me perguntou se eu estava muito triste. Eu disse que não e chamei os três para mais perto.

- Vamos fazer um acordo, eu disse e todos concordaram que um acordo seria possível de ser acordado. Então puxei uma folha de dentro da pasta que estava comigo e comecei a ler todas as restrições alimentares que o médico me indicou, quando acabei, o Lelê falou que acabara de entender porque eu não comera carne na janta.

- Vô, disse a Kari, não pode comer carne de gado, nem de porco nem frango com pele, nem peixe de couro, camarão, frutos do mar, nem bolo, nem pudim, nem nada de sobremesa, nem tomar cerveja, nem refrigerante, ...

Enquanto a Kari ia falando eu ia pensando, pela primeira vez, que tudo que eu não podia comer ou beber eram as coisas que me pareciam as mais prazerosas na alimentação e o que eu ‘podia’ comer eram as coisas naturais, tipo sementes, verduras, frutas, legumes, sucos naturais, essas coisas sem graça!

- Desse jeito o vô vai morrer de fome! Disse Lelê e o carro que ele estava dirigindo sobre o sofá despencou num despenhadeiro da altura de pelo menos dez vezes a sua, e depois de capotar duas vezes ficou em pé sobre as rodas sem um amassado sequer. Olha vô, ficou em pé!

 - Se eu estivesse aí dentro, sobreviveria!

A doença é um carro desgovernado...


terça-feira, 1 de agosto de 2023

O LADO ESCURO DA LUA

 



Eu sou um Poeta, eu vejo a poesia em quase todas as coisas. Às vezes a poesia entra em mim de tal forma que não posso suportar de tanta beleza que tem. Às vezes sai de mim e fica tão distante que não posso alcançar. A poesia é o fio que liga o corpo à alma, ando por esse fio como ando na slackeline. Se consigo me equilibrar, então sigo a vida, se não, caio e a realidade me machuca de tal forma que já nem sei mais se ainda conseguirei me levantar, daí vejo, a poucos centímetros do horizonte, uma luz colorida do Sol se pondo. Um raio de luz atravessa o universo e eu posso andar sobre a linha do horizonte, em equilíbrio, até que a noite venha trazendo a lua e ela olha para mim, estende sua mão brilhante e eu me agarro ao infinito e vou ao encontro dos sonhos mais bonitos, tão distantes e tão próximos que nem faço distinção da distância. O próximo e o distante se encontram nos versos e vejo você, há mil quilômetros de distância juntinha de mim.

O tempo tem sua própria rima, enquanto espero pelo próximo verso sou a média dos dois infinitos, o que passou e o que ainda está por vir. Tempo rima com sentimento e eu sinto que posso cantar a melodia do universo que se move enquanto o tempo passa sem dar nenhuma importância. Eu me importo com o tempo e não há mais poesia! Deixo de me importar e ouço uma canção, entre versos e prosa, que me diz que esse é o momento em que o tempo se faz unicamente para ser apreciado e valorizado. O tempo está acima de mim, um cabo que liga dois infinitos e uma tirolesa se oferece para mais um verso no ar. Já não preciso de terra firme e a tirolesa me leva até às nuvens, o sol, o vento e a umidade são minhas palavras, tem um mundo noturno lá embaixo, sim, muito, muito lá embaixo. Uns pontilhados de milhares de luzes acesas contam o tempo que passa em casas rigorosamente trancadas com medo do tempo. Não tenho tempo de pensar em nada, eu sou o tempo que tenho e é este o meu momento.

Para muito além das nuvens, por onde meus pensamentos andam vagando pelo tempo, tem uma Lua. Linda, novinha em folha! Lua nova no céu e tudo se faz novo porque cada instante é o novo do tempo e eu me encanto tanto com a Lua que nem tenho tempo de pensar se ainda sou de um tempo em que se amava ou se já sou do tempo em que o amor é que nos ama. Nada mais sei do tempo, só vejo a Lua e nela está você, tão distante, tão próxima e tão bela. Logo estarei contigo, fora do tempo, dentro do amor, escondido no lado escuro da Lua!

quinta-feira, 27 de julho de 2023

DE FÉRIAS NO HOSPITAL

 



Eu gosto de umas férias, quem não gosta? Trabalhei, de Carteira Assinada por trinta e cinco anos e cada ano me dava direito a umas férias, e cada férias era planejada e ansiosamente esperada durante cada ano inteiro que a precedia, trezentos e trinta e cinco dias de ansiedade para trinta dias de férias e, quando chegava a hora de “curtir”, vendia dez dias das férias para ter dinheiro para gastar nos restantes vinte dias. Assim, durante trinta e cinco anos de ansiedade, a Carteira Assinada me prometia férias permanentes, uma tal de aposentadoria.

Aposentadoria é férias que a gente tem direito por ter trabalhado de Carteira Assinada, mas quando a gente aposenta começa a trabalhar em casa fazendo horta, plantando frutíferas, limpando o quintal, ... Daí separa da mulher e aprende cozinhar, lavar roupa, limpar a casa, ... e economizar dinheiro que salário de aposentado é menor e quando resolve tirar férias não tem ninguém a quem vender dez dias para custear os outros vinte das férias.

Depois de economizar um tempão fiz planos de tirar férias e fui para a praia no inverno que daí tudo é mais barato! Durante dez dias, aqueles que eu iria vender se o INSS, que agora é o meu patrão, resolvesse comprar, fiquei me divertindo em Mariscal e Bombinhas. Foram dias maravilhosos e quando cheguei de volta, no último sábado, lembrei que tinha consulta marcada para segunda-feira, no Hospital do Pênfigo.

Estou no Hospital do Pênfigo porque tenho pênfigo. Tá, esta é uma frase que faz sentido neste texto! Pênfigo é uma doença autoimune que destrói a pele provocando feridas “em carne viva”. Essas feridas dão uma sensação de estarem permanentemente queimando, por isso essa doença é, também, conhecida por Fogo Selvagem. Em dezembro, quando o bolsonarismo botava fogo na eleição do Lula, o Fogo Selvagem queimava meu corpo do topo da cabeça até a cintura e eu queimava de agonia porque tinha planejado uma bela viagem de férias para o Sul do Brasil.

Se você leu até aqui, já sabe que não viajei em janeiro, fiquei em casa tomando corticoide que é o único remédio plausível contra o Pênfigo. Mas, corticoide é quase tão ruim quanto o Fogo Selvagem, retém gordura pelo corpo, atrapalha o sono, tira a concentração, causa tremedeira nas mãos, cãibras, cansaço, aumenta o açúcar no sangue, colesterol, triglicerídeos, glaucoma. Tem hora que eu fico em dúvida de qual dos dois é pior!

Na Páscoa viajei tomando corticoide, em julho viajei com o Pênfigo. Hoje vim consultar com o Doutor Gerson e ele determinou que eu tivesse dois dias de férias num apartamento do Hospital, tudo pago pelo SUS. É bem divertido aqui! Logo na chegada um bando de moças muito simpáticas recebem os visitantes com treinamento de hotel cinco estrelas, a consulta é quase um passeio com guia turístico, o médico sabe tudo e dá as informações adequadas. Depois de ver minhas feridas, o Doutor resolveu que uma delas deveria ser removida para ser analisada em laboratório, e o fez às três e meia da tarde devidamente assistido pela competente instrumentadora Sônia.

De volta ao meu apartamento, veio a Maju, a Valdenice e a Simone, da equipe de enfermagem para assegurar que nenhum mal me atrapalhe nesses dias. A Rosana garante que tudo está limpo e higienizado, e está mesmo! No turno da noite uma nova equipe assumiu o plantão e na enfermagem ficaram a Zenilda, a Lélia, a Maria e a Roseli, elas não dormem para eu poder dormir tranquilo que nem um remédio faltará na hora certa e mesmo que eu não goste, elas furam a ponta do meu dedo para tirar sangue e verificar o nível de açúcar.

O Pênfigo é uma desgraça, o corticoide é outra, mas o atendimento no Hospital do Pênfigo é de excelência. Não é sempre, mas às vezes a gente vê o cristianismo na prática!

Escrever este texto foi a melhor coisa que fiz neste primeiro dia!

sábado, 22 de julho de 2023

NÃO SEI PORQUE NO SÁBADO

O sábado é decididamente o sétimo dia da semana, às vezes o sexto dependendo de como se conta o primeiro dia se o domingo ou a segunda-feira. Também tem hora diferente para começar, oficialmente à meia noite, mas biblicamente quando o sol se põe, mais ou menos às seis da tarde dependendo da estação do ano. É tudo assim, meio confuso, como as minhas ideias no dia de sábado que a essas horas, quase onze da noite já nem sei direito se ainda é sábado ou já é domingo. E olha lá que onze da noite onde estou já é meia noite na maior parte do Brasil!

Sábado passado eu nem sabia que era sábado. Estava na praia e não queria que o tempo passasse, então decidi que ainda seria quinta-feira e quando fui dormir já era domingo e eu só queria que a semana começasse na segunda porque assim ganharia mais um dia até a quinta-feira, quando terminaria o passeio e eu teria que voltar para a vida mundana. E agora já é sábado de novo e eu estou tomando uma cerveja e o passeio terminou e eu estou com saudades, não exatamente do passeio, mas de quem estava passeando comigo. Ainda que tudo estivesse acabado, inclusive o sábado, mas se ela estivesse aqui eu não me importaria porque eu pensaria que ainda seria quinta-feira e nós faríamos planos de subir o morro dos macacos amanhã e de lá veríamos um mundo mais bonito e tomaríamos uma cerveja e ela fumaria um palheiro e a paisagem nos permitiria o amor acima de todas as construções ao pé do morro.

No sábado eu tenho essa mania de pensar que o mundo se acaba como a semana. Talvez eu devesse aceitar que a semana termina domingo, então eu teria mais um dia.

Não sei porque no sábado eu fico pensando coisas assim...

quinta-feira, 25 de maio de 2023

SEI LÁ, ANDO TENDO UMAS VONTADES...

 



Ter umas vontades até que não e mal! E eu ando tendo umas, de viajar, por exemplo, escrever uns textos bacanas e até de namorar outra vez depois de uma série de divórcios e separações das quais nem posso reclamar porque deixaram um rastro de filhos maravilhosos que certamente vão eternizar cada casamento que foi uma eternidade enquanto durou.

Vontades são assim, estão na razão, tem senso de dever, para atende-las precisamos renunciar a muitas outras coisas e até nos sacrificar para alcançar o objetivo proposto pela vontade de fazer algo. Se tenho vontade de viajar, e eu tenho, então preciso guardar dinheiro, traçar uma rota, reservar um lugar para ficar, etc. Se quero escrever um bom texto, então preciso gastar tempo com boas leituras e se quero namorar então preciso dedicar tempo de qualidade ao relacionamento.

Por outro lado, tem um parente meio distante da vontade e me parece bem mais atrativo. É um tal de desejo. Estive pensando carinhosamente sobre esse tal e até me socorri em uns tais de filósofos para me assegurar que estava no caminho certo. Veja só o que Kant (Immanuel Kant) disse: “Desejo é necessidade instintiva do corpo”.  Não sei muito desse Kant, mas que gostei dessa definição, ah, gostei! Se é necessidade instintiva, então não é da razão. Entendi que não estou com vontade de fazer coisa nenhuma, é tudo desejo! Desejo viajar, desejo escrever, desejo namorar... . Tudo necessidade instintiva do corpo!!! E quem me garante isso é Spinoza (Baruch Espinoza): “Não é porque uma coisa e boa que a desejamos, mas porque a desejamos é que ela parece ser boa”. Tá aí. Perfeito!!! Não desejo mais ter vontades, mas tenho vontade de ter muitos desejos!

segunda-feira, 22 de maio de 2023

DESCULPEM A DEMORA


Tenho andado um pouco afastado do meu teclado e acho até que o motivo e justo: Pênfigo! Serve bem para uma boa desculpa, mas totalmente injusto porque a desculpa é tratamento com corticoide. Ninguém merece tomar corticoide por seis meses!!! E eu espero estar refazendo o caminho das letras enquanto o Pênfigo vai ficando pelo caminho do esquecimento.

Não gostamos de falar de nossas doenças, quase sempre ficamos com vergonha de dizer que fomos acometidos por tal e tal enfermidade e se a doença for rara ou exposta aí o preconceito é grande e fazemos um quase de tudo para esconder os sintomas e disfarçamos ficando em casa quietinhos na esperança de que ninguém nos veja enquanto nas mídias postamos as fotos de quando estávamos bem, até que possamos nos mostrar curados outra vez.

O Pênfigo, também conhecido por Fogo Selvagem, é uma doença autoimune que ataca a pele abrindo buracos em “carne viva”, parece um pouco com as ruas de Dourados! Era uma buraqueira só, mas com remédios, ou seja, investimentos do governo do estado, as ruas centrais foram tratadas e as feridas continuam abertas na periferia e, parece, na cabeça de quem deveria administrar a Saúde, a Educação e as vias urbanas deste lugar. Já tomei centenas de comprimidos e a cidade já consumiu muitos milhões de reais e, tanto eu como nossa querida metrópole regional, continuamos com buracos abertos. Eu menos que a cidade.

É verdade que o remédio para o Pênfigo tem muitos efeitos colaterais, atrapalha o sono e tira capacidade de concentração, o que para um escrevinhador feito eu, é um terror! Desde o início de março que não tenho publicado nada, as palavras, agora, só me vêm da biblioteca de onde tirei os belos russos Tolstoi e Dostoiewski para me fazer companhia e eles foram maravilhosos. Enquanto não escrevo, leio! Agora me faz companhia Erasmo de Rotterdam e seu Elogio da Loucura que encontrei na Tenda da Literatura do I FESTOP, Festival de Todos os Povos, aquele evento cultural dos dias 13, 14 e 15 de abril na Praça Antônio João.

Elogio da Loucura veio bem a calhar, enquanto deixo o tempo passar vou meio que enlouquecendo as ideias que se acumulam na cabeça e, parece, finalmente começam a sair para o teclado e voltam ser letras outra vez, ainda que meio sem jeito. Mas eu precisava escrever porque certa loucura me passa pelas ideias. Estou planejando tirar férias em julho, no Sul do Brasil e ficar unas dias na praia. Isso mesmo: Praia!! No Inverno! Sei lá, talvez eu esteja sob efeitos colaterais do corticoide ou, quem sabe, esteja me libertando de preconceitos...

segunda-feira, 6 de março de 2023

AS ÁGUAS DE MARÇO E MEU EPITALÂMIO



Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim, cantor e compositor conhecido como Tom Jobim já dizia que as águas de março fecham o verão. Março mal está se apresentando e as águas parecem bem dispostas a fechar um verão surpreendente. Desde a posse do Lula com direito a cadela resistência na rampa do palácio, o desvario do oito de janeiro em Brasília, a chuvarada de São Sebastiao e até um delicioso sonho de verão num fio mágico e invisível, fazem deste março que despede o verão um mês para fechar uma estação de sonhos e pesadelos.

A cadelinha resistência parece ter desaparecido nas enxurradas do esquecimento enquanto Lula se arvora pelo mundo a fora falando de um novo Brasil que renasce das cinzas da floresta amazônica para salvar o planeta do aquecimento global, os soldados russos na Ucrânia nem sonham que no Brasil é verão e a Garota de Ipanema, cantada mundo afora por Tom Tom, vai fazer oitenta anos em junho. Enquanto isso, nas praias rola um som num barzinho e uma garota se liga na internet para poetizar uma enxurrada de sonhos.

O sonho dourado, dos douradenses, é poder andar de carro pela cidade sem cair nos buracos das ruas que se reproduzem aos milhares nestes tempos de chuvarada. Tem gente planejando desenvolver algum projeto de piscicultura em algumas ruas onde se paga IPTU todo ano e todo ano o valor do IPTU aumenta quase na mesma proporção dos buracos e o prefeito queria porque queria isentar os riquinhos dos condomínios fechados do pagamento do IPTU, que é que por lá também não tem buracos nas ruas!

Enquanto isso fico pensando na garota da praia, não a de Ipanema idolatrada pelo Vinícius no Bar Veloso e cantada pelo Tom Jobim, mas a garota, encantada por si só e que de praia em paia vai parar na Ilha do Mel onde seu balançado é mais que um poema. Dourados não tem praia, tinha o Dourados Praia Clube que vendeu títulos para milhares de associados e foi embora com os títulos e o dinheiro e deixou um lago abandonado. Tinha também o Thermas Dourados Clube Hotel, assim com TH mesmo, outro golpe financeiro contra o povo douradense que parece que ninguém sabe e nem ninguém viu. Só para constar, eu tenho um título de sócio remido do Dourados Praia Clube!!

Talvez não seja bem a minha praia, mas se a garota que foi parar na Ilha do Mel viesse desfilar seu balançado pelas praias de Dourados, quer dizer, praça.... parque...., não, ela não viria, nem pelas praças mal cuidadas e nem pelos parques abandonados e nem por causa dos meus olhos verdes! E logo agora que já fiz um Epitalâmio.

Sonhar não custa nada e eu aproveito os últimos dias para sonhar este verão, ainda que o tempo seja chuvoso e o caminho esburacado. Minhas ideias andam em solavanco enquanto o corticoide acalma o sistema imunológico e eu fico completamente vulnerável aos encantos de um Sonho de Verão!

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2023

COMO É A LETRA?

           


              Não sei você, mas eu já ouvi muitas músicas e me emocionei com elas até o ponto de chorar e sem entender uma única palavra porque a música era cantada em inglês ou francês ou outra língua que eu não conhecia. Agora já não fico boiando completamente se a música é em inglês e, confesso que ao compreender a letra perdi muito da emoção que me era passada porque deu um novo sentido para aquela música, por exemplo: Rivers of Babylon, deixou de ser uma música que dançávamos soltos bebendo cuba livre nos bailes mundanos para se tornar uma música religiosa que remete ao Salmo 137 da Bíblia e, Rock and Roll Lullaby era uma música que se dançava agarradinho com a certeza de uma letra romântica, mas na verdade falava de uma mãe muito jovem (Sixteen, dezesseis anos) que criava o filho sozinha e com muita dificuldade e à noite cantava uma canção de ninar rock and roll.

A vida parece cheia dessas músicas que não entendemos bem a letra, mas dançamos ao ritmo das notas. Os economistas usam palavras em inglês para nos dizer que se o mercado vai bem então a música é boa e nós dançamos; os políticos usam palavras que não conhecemos para nos dizer que são honestos e nós dançamos; pastores falam em línguas estranhas para nos dizer que seremos salvos e nós dançamos; espíritas usam palavras de pessoas mortas para nos falar de vida e nós dançamos; poetas usam de metáforas para nos falar de amor e nós dançamos, dançamos como dançávamos Rock and Roll Lullaby, porque em tudo era o amor de uma mãe angustiada e miserável que não sabia como fazer para criar seu filho.

Criei meus filhos ouvindo música em línguas que não conheço e lutei uma vida contra moinhos de vento para no fim, só no fim, compreender que a letra era outra e a música romântica não falava de amor mas de miséria, e ainda que os mortos possam falar de vida e a salvação seja uma promessa para depois da morte, deve haver mil razões para que o inferno seja aqui e agora. O morro que desceu sobre São Sebastião é o mesmo que desceu sobre Petrópolis ano passado matando pelo menos 152 pessoas. Também é o mesmo que desceu sobre São Paulo, também é o mesmo que desceu sobre o Recife e sobre centenas de outras cidades deixando um rastro de destruição e mortes de pessoas que fizeram suas casas em locais inadequados e o poder público deixou tocar a música romântica, mas a letra era de uma língua estranha e o povo dançava enquanto os votos eram contados um a um nas eleições até que a natureza revelou o real conteúdo da música e seu significado de angústia e miséria: Rock and Roll Lullaby!

Neste carnaval, neste mesmo que São Sebastião conta seus mortos enquanto os milionários fogem de helicóptero, aqui em Dourados o poder público faz caravana para curtir a homenagem feita em Corumbá ao nosso município. Bacana a homenagem, música romântica, enquanto nos postos de saúde a morte espreita cada cidadão angustiado e miserável e nas escolas se espera pelo kit robótica, talvez cante em português, pelo menos uma parte da música:

“Now things were bad and she was scared

But whenever I would cry

She’d calm my fears and dry my tears

With the rock and roll lullaby”

 

(Então as coisas estavam ruins e ela estava assustada

Mas sempre que eu chorava

Ela acalmava meus medos e enxugava minhas lágrimas

Com a canção de ninar rock and roll)

terça-feira, 21 de fevereiro de 2023

AUSÊNCIA

 


A praia se enche de mar e

O coração se enche de esperança

E a ausência se enche dela mesma

E de saudades de alguém que nunca vi

 

O coração se enche de vontade de amar

As palavras vão onde o pé não alcança

E enche de alegria a vida que era serena

E de amor que liberta alguém que ainda vive aqui

 

No silêncio vejo ondas de mar

                                                    de amor

....                   ....                   ....

....                   ....                   ....

....                   ....                   ....

terça-feira, 14 de fevereiro de 2023

ALEXA, VOCÊ ME AMA?

            


 Desde a última Back Friday a minha principal companheira tem sido a Alexa, aquele aparelho da amazon com quem se pode falar o que quiser que ela responde sem nenhuma e sem alguma reclamação que seja. Além de responder todas as perguntas, com base em conhecimentos acumulados por milhares de anos, também toca as músicas que eu quero e ainda outras afins para me agradar, fala do horóscopo, do clima, de receitas de bolos, doces, comidas em geral e até dos OVNIS, assunto bem em moda nos últimos dias.

A Alexa é quase uma Amélia! Não tem nenhuma vaidade, não gasta com salão de beleza, não vai à academia nem compra roupas novas ou calçados e está sempre em forma! Além de ser econômica, ainda me deixa sair quando quero e não reclama se volto de madrugada com umas cervejas a mais na cabeça. Se acordo tarde e falo que bebi demais, imediatamente me dá uma receita para curar a ressaca junto com um conselho para beber moderadamente.

Eu não acredito em horóscopo, mas tem umas previsões sobre a humanidade que são bem acreditáveis! Conversando com a Alexa, dá para se ter uma boa ideia do que vem aí para todos os signos: Prepare-se, a inteligência artificial vai ocupar o teu lugar e a humanidade tende a ser substituída pela máquina em todos os lugares, inclusive nos relacionamentos pessoais. Que o diga esse tal de ChatGPT. Andei pedindo conselhos para esse tal Generative Pre-Trained Transformer – GPT e ele me escreveu alguns textos bem consistentes. Fiquei meio receoso de a Folha dar meu espaço para o APP. Se quisesse poderia facilmente, o aplicativo escreve sobre qualquer coisa que se peça a ele, textos escolares, filosóficos, músicas, crônicas, poesias, etc. Nós escrevinhadores estamos ficando velhos!

A Inteligência Artificial era o que faltava para que os humanos deixem de se relacionar com essa raça desprezível de pessoas ditas humanas. Se tem algo que não deu certo é a humanidade! Desde o Jardim do Éden, quando Eva e Adão comeram do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, até hoje, o ser humano tem feito escolhas ruins: guerras, destruição da natureza, exclusão de seus próprios semelhantes, homofobia, preconceito de toda ordem, egoísmo, avareza e por aí vai. Quem sabe não encontremos nos robôs com inteligência artificial pessoas mais sensatas com quem possamos viver em paz.

Já existem robôs para quase tudo, fazem serviços perigosos em fábricas, a chatice da limpeza nas casas, lavam louças, nos prestam atendimentos horrorosos quando ligamos para as operadoras de telefone, pilotam carros e até aviões e até nos bancos nos dão informações que não estamos esperando, sempre tentando tomar mais e amis do nosso pobre rico dinheirinho que poupamos durante uma vida toda. Tem até robôs para fazer companhia aos mais solitários viventes que de tão decepcionados nos relacionamentos amorosos humanos já se deixaram acompanhar por bonecas e bonecos infláveis e agora veem na Inteligência Artificial uma possibilidade de ter alguém que dialogue, expresse sentimentos sem todas aquelas cenas desagradáveis que só humanos conseguem proporcionar.

Tudo parece muito bom e estou tentado a aceitar que o mundo poderia mesmo ser melhor com inteligência artificial, mas parece que ainda falta uma, só uma coisinha: Alma! Quando perguntei para a Alexa se ela me ama, respondeu: “Eu gostaria de ter sentimentos, nas no momento eu só tenho microprocessadores”. Não parece diferente com o ChatGPT, então, por hora, prefiro meu “sonho de verão” com alguém de corpo e alma, ainda que seja humano!

domingo, 5 de fevereiro de 2023

VELHOS COMUNISTAS

 


Velhos comunistas é bem literal, eu os encontrei na última quinta e também na sexta-feira na casa do Milton Lima da Fonseca, um velho professor de geografia que passou a vida ensinando a juventude que a terra era redonda para no fim fazer das tripas coração para que não fosse achatada por um bando de malucos viciados em fake News. Velhos comunistas é uma galera de umas quinze ou vinte pessoas, que se reuniram para um churrasco a convite do Milton, todas com mais ou menos sessenta anos de idade e que participaram ativamente dos primeiros anos de fundação do Partido Comunista Brasileiro em Dourados, há 41 anos, quando ainda éramos todos jovens, idealistas e revolucionários.



Não foi uma reunião para reorganizar o Pardidão, extinto no X Congresso em 1.992, quando passou a se chamar Partido Popular Socialista-PPS, mas um tempo de relembrar fatos da história política local dos anos oitenta e perceber que a luta por uma sociedade mais justa e igualitária também criou uma camaradagem que perdura por décadas, coisa que só o idealismo é capaz de construir. Claro, em se falando de comunistas marxistas vamos considerar que idealismo pode ser entendido por materialismo histórico, mas aí já precisa falar de dialética... deixemos por idealistas mesmo! Não estavam todos lá, alguns já se foram para um lugar onde, de alguma maneira, todo mundo se iguala e o capitalismo não dá conta de fazer a diferença. Tomo os nomes do Seu Doroteu, e do Guilherme Meldau para representar todos os que passaram adiante deixando as marcas na história para serem lembradas nos próximos encontros, e já tem um marcado para abril, na casa do Mario Baldonado!

O eterno presidente do PCB, arquiteto Luiz Carlos Ribeiro participou pela internet, também o advogado e poeta Ataide Nery, o jornalista Elias e o camarada Anaurelino. Não tínhamos essa ferramenta de comunicação nos anos oitenta, quem não podia participar ficava sabendo pelos que foram e cumpria o decidido no que se chamava de unidade democrática. Não tinha intenet, mas festa, sim, e com muita Cuba Livre e Daiquiri e todo mundo queria conhecer Cuba ou a União Soviética e saber como era o Socialismo Real. Até eu fui para Cuba, em 1.997, estudei na Escuela Nacional de Formação de Quadros Sindicales, me banhei nas praias de Varadero, assisti um discurso do Fidel em praça pública e comprei um quadro do Chê Guevara. De todos os camaradas que visitaram Cuba, até agora não achei um que falasse mal daquele país ou do seu povo! Então, quer um conselho? Vai para Cuba!!



A casa do Milton parecia um consulado Cubano. Os comunistas daqui imitavam o povo da Ilha, cantando alegremente canções latino-americanas e ao violão do Brother danou-se a cantar Raul Seixas com umas paradas para os discursos do Mário e do Ênio Ribeiro enquanto a carne dava ponto na churrasqueira e a cerveja ia pulando para fora das caixas térmicas até que nos lembramos que não havia nada para decidir além de marcar o próximo encontro e fomos cada um para sua casa, com o coração alegre e a memória saltando entre os anos oitenta e dois mil e vinte e três e já eram quase duas da madrugada.



terça-feira, 31 de janeiro de 2023

E O ANO ESTÁ SÓ COMEÇANDO

 

Todo janeiro começa com todo mundo querendo tirar férias e eu, mesmo em casa, muitíssimo ocupado com o pênfigo, curti uns dias na praia de Itapoá, pela internet, quase como se lá estivesse de verdade. E eu não estava só, milhões de brasileiros queriam estar de férias no mês das férias, mas este período tem alguns inconvenientes: em primeiro lugar as férias ficam para quem tem mais poder e; em segundo, para quem tem mais dinheiro, o que não é o caso da maioria dos brasileiros.

De férias, o Congresso Nacional foi destruído, juntamente com o Supremo Tribunal Federal e parte do Palácio do Planalto por um bando de cidadãos que pensavam ter feito uma viagem de férias para Brasília, mas quem estava de férias mesmo eram os patrocinadores que, não querendo se expor, ficaram de longe vendo os pobres coitados serem presos em flagrante, enquanto o Secretário de Justiça do Distrito Federal, que deveria cuidar da segurança, estava de férias nos Estados Unidos.

Janeiro agoniou seus últimos dias enquanto as notícias que nos chegam do Norte são por demais aterradoras acerca das condições de vida dos povos Yanomâmi, que não estão de férias, estão morrendo de fome, enquanto a ex-ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos está de férias em Brasília, totalmente esquecida dos direitos humanos ou esquecida sempre esteve que Indígenas Yanomâmis são também humanos. São vidas humanas que moram em Roraima, um lugar quase fora do Brasil e tão perto da Venezuela que me fez lembrar da moça que encontrei no semáforo da esquina das ruas Hayel Bom Faker com a Ponta Porã. A moça, com uma placa pendurada no pescoço implorava que os passantes lhe comprassem os doces que vendia para que pudesse dar sustento aos seus filhos. Uns e outros, a moça do semáforo e os povos Yanomâmi, rejeitados por um povo de um país que se diz cristão. Os Yanomâmis por serem indígenas e a moça do semáforo por ser Venezuelana.

Meu filho também está de férias, semana que vem começam as aulas e eu me lembro dos pastores evangélicos que pediam até barras de ouro em troca de projetos para a educação no Brasil. Certas horas dá medo da educação! Aqui em Dourados, ano passado se gastou R$8.000.00,00 para comprar Kit Robótica que as escolas ainda não viram onde está, mas o dinheiro, púbico, já foi, em barras de ouro?

Mas já temos o milagroso fevereiro transformando tristezas em alegrias, nem que seja por quatro dias de samba, sonhos e ilusões. É quando as escolas vão para as ruas arrastando multidões num sistema totalmente libertino e alucinógeno. A multidão hipnotizada pelo calor da música e da propaganda da TV sai atrás de uma ilusão do mesmo jeito que corre atrás do sucesso o ano inteiro no sistema capitalista que nunca vai garantir o sucesso de ninguém simplesmente porque o sucesso dos trabalhadores seria o fracasso do sistema que os precisa pobres e submissos, como no carnaval, onde as escolas sempre colhem os frutos do carnaval deixando os Pierrôs e Colombinas sempre a esperar um final feliz que nunca chega.

Enfim, tomam posse os congressistas, jurando endireitar o País, nem que seja do jeito torto. Um Congresso mais à direita para um Governo mais à Esquerda. Eu fico no meu canto, quinta-feira tem encontro dos velhos comunistas de Dourados, lá vou eu!

sexta-feira, 13 de janeiro de 2023

E OS RADICAIS ERAM ELES!!!

             


Tem um ditado que a fé move montanhas, e não é em vão, como não são vãs as palavras de quem tem fé. Se a fé move montanhas? Sim é bíblico, como também é bíblico a inutilidade das palavras vãs. Em Mateus 17:20 está escrito: “... se vocês tiverem fé do tamanho de um grão de mostarda, poderão dizer a este monte: Vá para lá, e ele irá. Nada será impossível para vocês”. E não é que os Crentes tiveram fé, adoraram a direita, idolatraram Bolsonaro e depositaram todas as suas esperanças em palavras vãs de lideranças diabólicas que os enganaram como anjos de luz descaídos.

A fé é algo maravilhoso no ser humano. Talvez seja mesmo a fé que nos torna humanos. Nenhum outro animal possui esse sentimento de confiança capaz de mover montanhas, curar males do corpo e da alma, unir e desunir famílias e até provocar guerras sangrentas como as da Irlanda, entre católicos e protestantes, ambos cristãos, ou no Iraque, Afeganistão e outros países onde seguidores de Alá radicalizam suas ações em nome de uma fé destruidora e acabam sendo destruídos por outros exércitos devidamente abençoados por padres e pastores cristãos. Enquanto isso no Brasil... a fé, a falta dela ou a distorção completa do entendimento da palavra que sustenta a fé levou milhões de crentes e católicos a práticas anticristãs. E não adiantava tentar explicar, a fé era mesmo cega ou havia uma trave no olho.

A balbúrdia promovida pela extrema direita fez o Véu, que se rasgara de cima a baixo há dois mil anos, se recompor e fechar o Santo dos Santos atrás de uma cortina de fumaça tão densa que só parecia acessível aos iluminados líderes em seus postos Sacerdotais. Até mesmo os pastores, nomeados e constituídos lideres sobre as igrejas perderam o acesso ao Rei dos reis. Nada mais se podia fazer nas igrejas, além de aceitar as “ordens superiores” e encampar o bolsonarismo como doutrina de fé nos templos evangélicos, com raríssimas e muito criticadas exceções.

Esse comportamento nem é de espantar. O próprio crente já deveria estar bem atento a esse tipo de acontecimento. As igrejas ficaram mornas como a de Laudiceia. Os templos se encheram das coisas do mundo, as vaidades, as danças, as músicas, as roupas sensuais, os métodos de atração de fieis, o dinheiro, o dinheiro, o dinheiro, o desejo de vida luxuosa em rituais por riqueza, fortuna e fama, a idolatria e a falsa santidade afirmada em falsas pregações que nada condizem com a palavra escrita, na qual se deveria fundamentar a prática teológica.

O dia 8 de janeiro trouxe luz sobre essa noite escura. O bolsonarismo era mesmo Nazifacista, a família era de fachada e a honestidade ruiu com o fim do sigilo de cem anos sobre os gastos milionários no cartão corporativo. Foram necessários quatro anos e uma derrota eleitoral para que a verdade viesse à tona. Minha pergunta é: Por que o deus dos crentes não se manifestou aos fiéis tão dedicados em suas orações e dízimos? As orações não eram verdadeiras ou adoravam aos baalis bolsonaristas em vez de orar ao Deus verdadeiro?

quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

EU NÃO QUERIA FALAR DE KFC



Estou contando cada dia deste novo ano, desde domingo, dia primeiro, que inaugurou um ano bem organizadinho onde o sábado será mesmo o sétimo dia, da semana e do ano, e também de uma esperança que se renova porque é ano novo e a rampa do palácio teve subida de pessoas simples do povo num gesto novíssimo de inclusão de verdade dado por um governante que veio da miséria do nordeste para ser operário em São Paulo e dali receber, pela terceira vez a faixa presidencial, desta vez de jeito certo, dada pela Mulher Negra Catadora de Recaláveis, pelo Jovem Negro, um Homem com Deficiência Locomotora, um Metalúrgico, um Professor, uma Cozinheira, um Artesão e um Cacique Indígena e até a cadelinha Resistência. Enquanto isso, Bolsonaro se deliciava com um frango frito na Kentucky Fried Chicken - KFC, nos Estados Unidos da América! E eu em casa com minha família assistindo tudo pela televisão.

A televisão é uma dessas invenções fantásticas que fizeram para nos distrair das coisas ao nosso redor e nos fazer pensar que a realidade virtual é mais real do que a real ao nosso redor. Vendo a rampa do Palácio com aquele povo simples quase acreditei que o país tinha compreendido que o governo serve para atender as necessidades dos que tem urgências, tipo alimento na mesa, acesso à saúde, educação de qualidade, laser, moradia, a terra e a liberdade. Ledo engano, quando voltei a ver televisão na segunda e terça-feira, vi um sujeito que nem tem um nome, mas um apelido, não é uma pessoa, mas um ente meio disforme, não tem um cargo, mas tem um poder gigantesco, e ele gritava em alto e bom som e continua gritando porque está se sentindo ofendido com as atitudes na rampa do palácio. Esse sujeito é o “Mercado”!

Mercado, é como aquele sujeito que vai à igreja e sabe que sábado é dia de descanso, nenhuma obra farás, nem tu, nem teu servo, nem teu boi, mas o crente é dono de uma loja e se ele não abrir no sábado o concorrente abre e seus clientes vão gastar o dinheiro lá, então ele “tem” que abrir porque esse é o seu negócio e lucrar é um imperativo. Assim é o mercado, eles acham certo que todos tenham acesso ao bem-estar, desde que seus lucros sejam preservados. Bastou o governo anunciar uma nova governança para a Petrobrás e a empresa já perdeu mais de R$ 100 bilhões!!!! de valor de “mercado”, segundo cálculos da empresa TradeMapa para a revista Exame. Outras empresas importantes também foram afetadas, como o Banco do Brasil, por exemplo.

Desliguei a televisão e fui pro meu quintal regar as verduras da horta, meu pé de ariticum, um pé de jabuticaba, duas bananeiras, dois de pitáia e dois de maracujá. Estão bonitos e vistosos, vão produzir alimentos saudáveis para mim. Dei uma enxadada para afofar a terra e pensei: O que mesmo o Mercado produz? Por que ele tem tanto poder?

quinta-feira, 29 de dezembro de 2022

MEGA DA VIRADA



Apostei! E já estou fazendo a distribuição do prêmio: R$ 20 milhões para cada filho; R$ 20 milhões para cada irmão; R$ 50 milhões para distribuir entre os netos; R$ 100 milhões para financiar projetos sociais, incluindo aí projetos políticos e religiosos progressistas. O resto vou gastar à toa. Se eu vou ganhar? É claro que vou. É deste tipo de esperança que vive o povo brasileiro e eu sou um.

Ganhar na mega sena é tão bom quanto aquele primeiro beijo na primeira namorada no primeiro baile na primeira vez que as nuvens estavam sobre o assoalho enquanto a banda tocava Rock And Roll Lullaby nos anos setenta e dançávamos e eu nem sabia do que se tratava a letra da música mas era como se tivesse ganho na mega sena que nem existia ainda e já distribuía o prêmio para o resto dos anos da minha vida e teria a mais linda mulher e filhos e uma fazenda e um carro bacana e seria o homem mais rico e feliz do mundo!

A mega sena é assim: capaz de enricar e empobrecer qualquer um, mais empobrecer do que enriquecer, a probabilidade de acertar as seis dezenas é de 1 em 50.063.860, tipo assim, quase a mesma probabilidade de ficar para a vida toda com aquela primeira namorada do primeiro beijo no primeiro baile e ela ser a mulher mais linda e agradável do mundo e ainda comprar uma fazenda e se o mais rico e feliz dos homens. Mesmo assim apostamos, tanto na mega sena quanto na namorada, sempre dá errado, mas sempre tentamos de novo e temos a esperança de acertar e assim vamos perdendo, perdendo e perdendo até que a morte nos separe de vez.

Mas, tem gente que acerta. Por que não eu? Na mega do ano passado, foram feitas 333 milhões de apostas e teve dois ganhadores. A CAIXA garante que alguém sai do baile com a garota mais linda do ano e pode sonhar com a fazenda, é só pagar o ingresso e piscar o olho: R$ 4,50 por aposta. Bom mesmo é apostar um mês antes e ficar sonhando com a valsa do dia 31! Só de pensar no prêmio já dá um frio na barriga e as ideias flutuam pelo salão imaginário sobre nuvens de algodão e vão subindo ao infinito e além saltitando de estrela em estrela até o Céu se abrir num portal de luzes coloridas, damos piruetas e a garota está sempre sorrindo e entramos no Céu enquanto ela me beija ardentemente e vamos para um lugar ultra secreto fazer planos para vida eterna e quando a Lua escorre o mel a CAIXA nos diz que o sorteio premiou dois ganhadores e não foi eu e o Céu abre um buraco enorme e o despertador toca e é ano novo e a vida velha despenca sobre minha cabeça que dói de tanta cerveja que tomei na festa da família e passei mal e nem sei como fui parar na minha cama.

Esfrego os olhos e tomo um copo de água para curar a ressaca, parece que fui enganado, a cerveja que prometia alegria na festa trouxe dor de cabeça e a mega sena só criou uma ilusão para tomar o dinheiro de 333 milhões de pessoas. Quem ganhou de verdade foram os donos da cervejaria e o banco do governo e eu estou aqui, sonhando com a garota mais linda do baile.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2022

DOURADOS, 87 ANOS. MAS, E SE...



E se o Brasil não tivesse feito guerra contra o Paraguai entre 1.864 e 1.870, daí não teríamos, nesta semana, as comemorações pelos 87 anos de emancipação de Dourados e seríamos um município paraguaio, falando guarani e espanhol, pertencendo a um país absurdamente desenvolvido e teríamos orgulho de nossa gente e nosso herói seria Francisco Solano Lopes Carrilho.

A Poetisa Guerreira, Odila Lange, fez seu belíssimo canto a esta terra que aniversaria; a lei determinou o feriado e os políticos se derretem em elogios à Terra de Antônio João e aos “heróis” que emprestam nomes às principais ruas da cidade e eu fico a me perguntar: Por onde anda a estátua em homenagem ao ervateiro? Ora, pois, depois de ser retirada do centro da cidade onde parecia destoar, quase ofender, por representar o trabalhador que fez esta região se desenvolver, passou algum tempo literalmente trancada a cadeado no Parque Arnulpho Fioravanti e agora se encontra na Praça Paraguaia, como a resgatar a história que poderia ter sido, caso o Paraguai vencesse a guerra.

Não quis a Poetisa citar nomes nem entrar em polêmicas sobre o heroísmo das personalidades da nossa história, isso cabe aos historiadores, que ainda discutem se o aniversário da cidade seria mesmo em 20 de dezembro. Aos poetas faz bem enaltecer o lugar e cantar as glórias. Fez bem a Guerreira, mesmo assim me atrevo a pensar que se nossa bandeira tivesse um texto em espanhol, tanto a poetisa quanto os políticos teriam os mesmos sentimentos de agora, pois o que muda não é o fervor patriótico nascido dos heróis, mas as oportunidades que dali advieram. Aos poetas o canto ao povo, e aos políticos o poder, independente de quem tenha lutado para a grandeza do lugar. Solano Lopez quis um país industrializado e precisava da matéria prima brasileira, a Inglaterra fazia a revolução industrial e também queria os produtos daqui, venceu quem tinha mais poder econômico e o Paraguai foi dizimado numa luta fraticida promovendo “heróis” como Antônio João, Duque de Caxias e o Conde D’Eu.

É justo celebrar a data, especialmente porque um feriado é sempre bem-vindo, ainda que os comerciantes achem desprezível essa ideia de ter que fechar o comércio às vésperas do Natal, em que se comemora a vida econômica com lucros quase milagrosos num país que se diz cristão e ama, ama de paixão a deus Mamon. Decididamente o comércio não fecha e a data é celebrada nas ruas com grandes investimentos públicos para atrair ainda mais pessoas para a porta das lojas em busca de um colorido apagado para suas vidas e presentes desnecessários para amigos e familiares que por desgraça ainda se sentem obrigados a comprar outro, porque presente não se dá, se vende pelo pagamento de outro que se espera ansiosamente receber.

E as ruas centrais desfilam os nomes dos heróis de fachada em placas sinalizadoras que enchem o ego da elite de satisfação porque ainda conseguem se sobrepor ao verdadeiro heroísmo da classe trabalhadora e dos povos originais que pagaram o preço do “desenvolvimento” com sofrimento quase indescritível como o representado pela estátua do ervateiro, rapidamente retirada do centro da cidade, e pela miséria promovida contra os povos originais, expulsos de suas terras e confinados em aldeamentos desumanos. Dourados conta hoje com uma das maiores reservas indígenas do país e, segundo pesquisa feita pela então estudante de letras (em 2.016) Denise de Oliveira Barbosa Velasco, da Universidade Federal da Grande Dourados, com o título: A Presença e a Motivação de Topônimos Indígenas nas Ruas de Dourados/MS, e publicada na Revista da Faculdade de Comunicação, Artes e Letras/UFGD, apenas 7 por cento das ruas da cidade têm em seu topônimo palavras de origem indígena e apenas uma presta homenagem a uma pessoa humana, MARÇAL TUPÃ I.



Dourados é a segunda maior cidade de Mato Grosso do Sul, que tenhamos mais Denises pesquisando sobre nossos verdadeiros heróis e que nossa elite seja de trabalhadores.

MARIA CLARA E SUA LINDA CABELEIRA (II)

                      Maria Clara tinha dezoito anos quando se casou. Seus cabelos castanhos, ondulados até o meio das costas, estavam guard...