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domingo, 26 de maio de 2024
PORTO
sábado, 25 de maio de 2024
sexta-feira, 19 de abril de 2024
ESQUERDOPATA!
Ontem eu estava fazendo minha caminhada vespertina pela praça do Parque Alvorada e ouvi uns amigos que caminhavam e conversavam animadamente, quando me aproximei, já que meus passos estavam um pouco mais acelerados que os deles, pude perceber que a conversa era sobre política. Esse assunto perdeu, para mim, a importância que tinha há alguns anos, mas não havia como não escutar a conversa mais ou menos apaixonada que andava a passos ritmados um pouco à frente.
- Mas nenhum deles mora em Cuba. - Escutei
um deles dizer, aparentando uns setenta anos de idade, cálculo que faço única e
exclusivamente comparando ele comigo, que tenho sessenta e cinco. Ele parecia
ter alguns anos mais que eu.
Não sei se ele já morou em Cuba ou
se, pelo menos, já visitou aquele país caribenho. Eu estive lá em 1997, quando
eles, os cubanos, ainda sofriam muito com o bloqueio econômico imposto pelos
Estados Unidos. Passei vinte e oito dias na Ilha, andei livremente pelas ruas
de Havana e até tomei banho nas praias de Varadero, um lugar lindíssimo que
atrai turistas do mundo todo. Mas, voltemos aos caminhantes do Parque Alvorada.
- Ainda tem gente que defende o
comunismo! – Respondeu o outro caminhante, quase ao meu lado, pois meus passos
já os alcançavam. Dei boa tarde e eles me responderam alegremente.
- Isso aí, esses que defendem o
comunismo, são gente que não tem religião. – Ouvi isso claramente quando estava
a uns três passos adiante, segui minha caminhada, estávamos passando em frente
da igreja católica que fica localizada do outro lado da rua.
Eu sou um escritor, e parece que
escritores quando escutam conversas como essas logo buscam algum contexto em
que elas se encaixam. Quando falavam de Cuba e do comunismo, fiquei me
perguntando se eles tinham conhecimento real sobre a vida naquele país ou se
suas opiniões eram deles mesmos, ou só repetiam o que viram na imprensa que
reproduz seus próprios interesses ou de classe.
Mas, quando falaram de religião,
olhei para o prédio da igreja e me lembrei do texto bíblico que descreve a
atuação dos apóstolos quando iniciaram o trabalho de pregação do cristianismo
de forma organizada. Tudo está escrito no livro de Atos dos Apóstolos, do qual
transcrevo fielmente um trecho: “Os que criam mantinham-se unidos e tinham
tudo em comum. Vendendo suas propriedades e bens, distribuíam a cada um
conforme a sua necessidade” (Atos 2; 44-45). Não sei porquê, mas esse texto
me parece um tanto quanto... digamos... comunista!
Continuei caminhando e me afastei dos
camaradas, à minha frente caminhava
uma jovem senhora, ela não sabia nada sobre comunismo e nem se importava com
religião. Ela era uma mulher bonita!
sábado, 3 de fevereiro de 2024
EU QUERIA FOTOGRAFAR O IMAGINÁRIO
Um escrevinhador vive da imaginação.
Não basta ver para escrever, é preciso imaginar, e imaginar fortemente senão a
escrita fica devendo para o leitor mais exigente. Mas tem coisas que não dá
para escrever, senão a história fica real demais e pode ofender algum
personagem mais discreto, conservador ou tímido, talvez alguém que não queira
ser revelado num determinado lugar ou situação. Daí entra em cena a imaginação
de quem escreve. Ver coisas que deveriam existir ou apagar coisas que existem
faz parte da produção de textos. Eu escrevo crônicas, e estas são textos
literários com base em algum fato.
Em janeiro tirei um mês de férias,
fui passear pelo Sul do Brasil, conhecer a maior praia do mundo, Praia do
Cassino, no Rio Grande do Sul, duzentos quilômetros de praia! Conheci, também,
a Ilha do Mel, em Paranaguá, depois passei uns dias em Canasvieiras, em Floripa,
daí São Bento do Sul, Curitiba e finalmente a volta para casa em Dourados. Em
cada lugar desses deu vontade de pegar o computador e escrever um texto. Fiz
isso saindo da Ilha do Mel. Em Floripa o texto teria que ser traduzido para o
espanhol, tamanha a quantidade de gringos
naquele lugar. É quase uma invasão argentina e olha lá que os Hermanos estão
vivendo uma terrível crise econômica! Claro, nem todos, boa parte está ganhando
muito dinheiro com a crise e passeando em Florianópolis.
As praias têm de tudo. Quase! Tem
futebol, peteca, Voleibol, Tênis de praia, baralho, música, dança e até gente
que toma banho de mar! Muita gente curte as férias se divertindo livremente e
comendo frituras, cozidos e doces que se vendem pelas areias. Umas quatro e
meia da tarde de um belo dia de sol passou um vendedor de milho apressado e eu
o chamei para comprar uma espiga, ele parou para me atender dizendo que já ia
para casa pois seu filho estava de aniversário e ele queria voltar mais cedo.
Conversamos um pouco e ele se foi para a festa do filho.
É quase estranho constatar que um
vendedor de milho verde nas areias da praia tenha uma família! Parece que as
famílias estão todas embaixo dos guarda-sol sorrindo uns para os outros. Vendedores
ambulantes são só vendedores ambulantes. Nos quiosques tem vendedores também.
Eles têm mesmo família?
- Milho verde, milho verde!
- Picolé, olha o picolé!
- Queijo coalho, quem quer?
- Água mineral, refrigerante. Vai uma
cervejinha?
- Saída de praia, uma blusinha...
- Batidinha de coco com amarula...
O pôr do sol na praia é maravilhoso!!!
terça-feira, 23 de janeiro de 2024
A ILHA
Como se sabe, ilha é uma porção de
pensamentos cercados de um mar de possibilidades! Eu sou uma ilha. Eu estou
numa ilha. Ilha do Mel é uma infinidade de possibilidades cercada por um mar
ilusões. Eu amo mel! Amei estar na Ilha por três dias e conhecer a Dona Preta,
nativa do local e que pouco sai de lá e não vê graça nenhuma no continente onde
seu filho morreu trabalhando de soldador de navio no porto de Paranaguá.
Fiquei encantado em Encantadas. A
praia de Encantadas é o cartão de chegada da Ilha. Tem um cheirinho de esgoto
pelo ar, mas não tem quem não se encante com Encantadas. A praia é uma
maravilha, muitos barcos ancorados no trapiche e gente chegando e partindo a
todo tempo, gente que passa a vida inteira achando que os carros modernos são a
maravilha da humanidade e quando chegam na Ilha se encantam com o silêncio dos
motores que não existem porque na Ilha não tem carros e em algumas praias não
tem nem sinal de telefone.
Ilha do Mel tem esse nome porque
produzia mel. Muito mel! E ainda produz. Não mais de abelhas, mas o mel que
está na essência da poesia. Tem quem se case na Ilha e aprecia o mel de
Encantadas. O amor na Ilha não precisa de uma cerimônia religiosa, a Ilha é uma
religião. O misticismo é quase regra geral. Nesse lugar não há quem não
acredite no sobrenatural, ainda que seja o amor. Amor à natureza parece ser o
maior ato de fé de quem se aventura por um barquinho até o trapiche de
Encantadas. Amar pessoas diferentes é um dogma do local, ali se pode ver de
tudo em relação ao comportamento humano... quase tudo... . Algumas coisas não
se veem porque estão tão distraidamente esparramadas pelas trilhas da Ilha que
até se confundem com a natureza. É natural que se faça coisas proibidas num
lugar onde o proibido é o deus do Continente.
Na toca do Raul se toda Raul: Metamorfose
Ambulante, Sociedade Alternativa, Ouro de Tolo, A Maçã... . Se você não
entendeu, não tem problema: Tente Outra Vez! Eu não Nasci Há Dez Mil Anos
Atrás, mas já comi da Maçã e Perdi o Medo da Chuva. Na Ilha tem sempre alguém
vivendo numa Sociedade Alternativa e a polícia, que anda num carrinho elétrico
em baixíssima velocidade, parece que entendeu que não há risco algum. E todos
vivem em paz.
Trilhei pelas trilhas da Ilha e até
me perdi. São muitos caminhos que levam ao paraíso de praias paradisíacas. Basta
se perder para encontrar seu pertencimento na natureza. A natureza não tem placas
de trânsito e nem barulho de motores, tem vegetação, animais, repteis, aves,
insetos, mas só um grupo de seres tem necessidade de regras muito específicas e
força policial: os humanos.
Três dias na Ilha e o barulho do
motor do barco que vai me levar de volta ao continente é um recado sobre o que
me espera do outro lado do mar! Ando pelo trapiche e me lembro de Dona Preta
que nasceu na Ilha, fez amor na Ilha, criou os filhos na Ilha. O continente
veio buscar um deles, levou ele num barco com um motor barulhento, despejou o
jovem num estaleiro barulhento, empurrou ele para um lugar muito alto e
ofereceu as maravilhas do capitalismo, daí o jogou para baixo. Dona Preta nuca
mais verá seu filho, o continente o tragou! Estou prestes a entrar no barco. Que
será que o continente tem para mim depois desses três dias na Ilha?
sábado, 20 de janeiro de 2024
NO MAR
Se você acorda
O mar
Te acorda para a vida
Amar não é causa perdida!
Amar o mar
Amar a vida
Uma pitada de amor
Um palheiro proibido
Uma pitada de dor
Amor perdido
Encontrado no mar
Do amor
O amor
No mar
sexta-feira, 12 de janeiro de 2024
DAQUI À POUCO EU SONHO
Sonhos, quem não tem? Se fizer uma
pesquisa acho que ganhar na mega sena vai estar em primeiro lugar no sonho de
todos os brasileiros. Ainda mais se for a mega da virada! Está cheio de crentes
crendo que o deus dinheiro pode fazer o milagre da felicidade. Eu apostei. E
você?
Já apostei em muitos outros sonhos
também. Há anos que venho alimentando o sonho de ter um motor home. Sair por aí
com liberdade, estacionar próximo do mar o de uma cachoeira e desfrutar de
lugares maravilhosos onde a natureza é exuberante. Quem não quer? É só ter
dinheiro, então, se ganhar na mega sena tudo estará resolvido.
Meu sonho é passear bastante, tipo um
ano sabático. Andar por lugares diferentes, conhecer pessoas diferentes e viver
experiências diferentes. E, se é para ser diferente é porque o igual não está
agradando. O lugar, as pessoas e as experiências. Parece que há um senso comum
de que é preciso sair do lugar onde estamos para que a vida seja agradável.
Parece que as “outras” pessoas são melhores e a vida tem mais sentido em outros
lugares. Se uma casa de 80 metros quadrados parece pequena, por que um motor
home de 10 metros parece grande o bastante? Se as pessoas que conheço não boas
o suficiente, como posso crer que estranhos serão melhores? Se não dou conta de
administrar o que ganho, como posso confiar tão intensamente em uma aposta que
só tem probabilidade de ser vitoriosa na proporção de 1 para 50 milhões? Tem
algo de errado com o sistema ou é comigo?
Mas, sonhar é livre! E eu sonho,
dizem que o sonho é o alimento da vida. Agora estou sonhando numa praia
maravilhosa do Sul do Brasil: Praia do Cassino, a maior praia do mundo. Repito:
lindíssima! Mas tem um tal de vento Sul
que incomoda tipo um pesadelo. Meu sonho para a semana que vem é ir para alguma
praia no litoral do Paraná ou Santa Catarina. Como ainda é um sonho não sonhado
ainda não tem pesadelos. Não ganhei na mega sena então terei que bancar o sonho
com as economias que guardei e a felicidade que se organize para se encaixar
nos recursos disponíveis, afinal já me dispus a sair de casa e procurar lugares
diferentes com pessoas diferentes e viver experiências diferentes. Estou fazendo
a minha parte.
O sonho de todo capitalista é ser o
dono da praia, mas daí vem logo o pesadelo de que isso é ilegal. De que adianta
ter tanto dinheiro se a lei não permite que se gaste do jeito que se quer, tipo
comprar as melhores praias do Brasil? Seria um sonho teu uma praia bem
particular. Daria para andar pelado nela! Se bem que para isso tem as praias de
nudismo. São espaços privativos, onde só podem frequentar pessoas que se disponham
a ficar peladas mesmo. Quase como se fossem privatizadas. São quase os sonhos
dos capitalistas, mas eles gostam de andar vestidos e a maioria deles são preconceituosos.
Daí vem o dilema: O capitalista quer por que quer a praia privada, mas a lei não
permite. Ele olha e vê a praia privativa para quem não tem nada, nem se quer
roupa para vestir. Isso é um pesadelo!
Vou tomar uma cerveja e ver se acho
uma causa para lutar, mas só depois de passar uns dias de férias na praia!
quarta-feira, 3 de janeiro de 2024
DE MALAS PRONTAS
Começo de ano é assim, não há quem não esteja com as malas cheias de promessas para o ano que se inicia. Perder uns quilos, estudar mais, gastar menos dinheiro à toa, economizar, fazer o bem sem postar nas redes sociais (essa é difícil), ir para a academia e fazer os exercícios depois de tirar a fotos, beber menos e até orar, nem que seja de vez em quando. Tem quem prometa ser fiel ao cônjuge. Tudo isso parece bem interessante, mas além de prometer é preciso cumprir se quiser um ano diferente. E aí é que vem a parte difícil!
Este ano não fiz promessas, só
planos. Promessas são feitas para não serem cumpridas, planos tem táticas, estratégias,
objetivos, tudo para que dê certo, é só cumprir o planejado e pronto! Meu
objetivo está claro: não tenho objetivo nenhum. Este ano meu plano é ser um
peso para a sociedade. Planejei cuidadosamente como passar um ano inteiro sem
produzir nada de útil.
Em janeiro, agora, vou para o Rio
Grande do Sul, passar uns dias na praia do Cassino, a maior praia do mundo. Lá
deve ter muito espaço para não se fazer nada por um bom tempo. Não fazer nada
me parece uma boa coisa, costumamos eleger políticos que nada fazem por quatro
anos e daí elegemos eles outra vez. Eles até vão para a praia e parecem estar
sempre jogando em algum cassino!
A praia do Cassino não tem cassino e
eu não sou político, então depois de não fazer nada por um mês inteiro vou
assistir o carnaval pela televisão e ficar de jejum de qualquer tipo de
trabalho durante a quaresma. É bem cansativo descansar por tanto tempo, mas tem
uma questão religiosa aí, então acho que vale a pena.
A páscoa é uma dessas unanimidades
entre todas as religiões, as cristãs, lógico. O que não parece unanimidade é o
porquê de Jesus ter sido morto daquela forma tão cruel. Jesus foi preso,
torturado, condenado e morto na cruz. O apóstolo que mais defendeu a causa do
cristianismo também foi preso, condenado e morto de forma cruel. Mas tem um
monte de cristãos que acham que se alguém foi preso esse alguém é
necessariamente inimigo do cristianismo! Vá lá entender!
Com essa questão na cabeça, não vou
ter concentração para trabalhar depois da páscoa. Pelo menos até o meio do ano
vou descansar para refletir sobre a vida antes e depois da morte. E, antes,
ainda é muito tempo, eu pretendo viver por mil e trezentos anos!
Agosto e setembro não vou fazer nada.
Em ano bissexto não se deve correr nenhum risco e agosto é o mês do desgosto,
enquanto setembro, além de se comemorar a independência, vem a primavera, a
mais bela das estações do ano. Iria eu perder isso trabalhando?
Novembro começam a tocar as músicas
de Natal e dezembro decididamente já é fim de ano. Se a Cléo ainda me quiser,
vou descansar uma poesia para ela na Ilha do Mel para ver o novo ano nascer
junto com as esperanças renovadas para um ano Sabático. Ninguém é de ferro!
E outubro? Ah, sim, outubro é meu
aniversário, tenho direito a um descanso!
Então: FELIZ 2024! E que seja
produtivo!
quinta-feira, 28 de dezembro de 2023
TUDO É UMA MERDA!
Não quero dizer que isso inclui você.
Se bem que eu acho que sim. Pensa bem se você nunca se olhou no espelho e
disse: Que merda! Nesse caso não sou
eu, mas você mesmo quem está dizendo. Eu mesmo já tive essa triste experiência
por algumas vezes. Cada vez que me separava da mulher era certeza que ia dizer:
Fiz merda! Talvez não exatamente por
ter separado, mas convenhamos, que é uma merda é.
As merdas das escolhas que a gente
faz não se restringem a relacionamentos, se bem que esses parecem ser as maiores
cagadas da vida. Antes da lei do divórcio, era uma merda ter que ficar casado
com a mesma pessoa para o resto da vida. Agora temos a liberdade de separar
quando não dá certo. Dizem por aí que só 1 por cento dos casais são felizes
para sempre, o resto vai vivendo até que o divórcio os separe. Segundo
publicação da Jovem Pan deste ano, quase metade dos casais se divorciam depois
de casar (https://jovempan.com.br/noticias/brasil/brasil-registra-recorde-no-numero-de-divorcios-em-2021-apesar-de-alta-na-quantidade-de-casamentos.html). Fala aí se isso não é mesmo uma
merda!
E por falar em merda, tem adubo
melhor do que merda? Totalmente natural é usado para fertilizar plantações em
lavouras orgânicas de milho, soja, feijão, amendoim, mandioca, em hortas e
pomares, ou seja, nós comemos muita merda diariamente, principalmente se os
produtos forem orgânicos, os melhores e mais saudáveis!
Por outro lado, as lavouras
comerciais usam adubos químicos que associados ao excesso de agrotóxicos fazem
muito mal à saúde. Isso é uma merda! Se esse povo que busca dinheiro em vez de
saúde tivesse menos merda na cabeça, viveríamos mais e melhor.
E por falar em viver, já observaste
quanta merda o exército de Israel está fazendo na Palestina? O Natal foi uma
data bem bacana para se pensar sobre isso. Foi na Palestina que Jesus nasceu e
quando Herodes ficou sabendo ter nascido o Salvador, mandou matar todas as
crianças menores de dois anos. Nos últimos dois meses, o exército de Israel já
matou mais de sete mil crianças nessa guerra que é mesmo uma merda!
Em meio a tanta tristeza só nos resta
procurar por uma tal alegria. Dizem que ela vive escondida atrás de uma tal
felicidade. Mas, onde fica mesmo essa merda dessa felicidade? A vida inteira me
prometeram que eu seria feliz se fizesse isso ou aquilo que me dissessem para
fazer. Fiz quase tudo, mas a felicidade só de vez em quando me dava um oizinho, era só a alegria me dar um
abraço e pluft, lá se ia outra vez a felicidade para o quinto dos infernos! A merda é que Quinto dos Infernos era o Brasil na
época da colonização portuguesa. Teria a felicidade ido embora quando Dom João
VI abandonou o Brasil?
Se você achou esse texto uma merda,
tudo bem. Mas é só o que tenho para hoje!
sábado, 23 de dezembro de 2023
ENTRE A SATURNÁLIA E O SOLSTÍCIO, MEU NATAL É HOJE!
O verão começou antes de ontem com
força e vontade! Não me animei de comemorar a data ao deus Sol, pois não
acredito na sua divindade, apesar que em comparação com minha vida ele parece
sempiterno, e este ano se mostrou quase todo poderoso. Quem puder, que se
defenda nesse calorão!
Vamos tentando nos adaptar aos novos
tempos de temperaturas acima do normal. Tem um poder que causa essa mudança
climática e esse poder é maior do que nossa capacidade para combate-lo. E não
estamos só, a história conta que isso vem de muito tempo. Tem até um ditado:
Quando você não pode com o inimigo, alia-se a ele! Pois foi mais ou menos o que
o cristianismo fez, no século IV, para oficializar uma data de nascimento para
Jesus. Até então, ninguém sabia que dia ou mês era.
Eu acredito em Jesus e na sua
divindade. Tem que prefira acreditar em presentes e Papai Noel, verdadeira
divindade no comércio! Troca de presentes era costume no Império Romano antigo,
numa festividade ao deus Sol, nestes dias em que hoje comemoramos o Natal. Chamada
Natalis solis invicti, ou nascimento
do sol invicto, exatamente no dia 25 de dezembro, nesse período os Romanos
antigos também comemoravam a Saturnalia, festa ao deus Saturno.
Com sol ou sem sol, a verdade é que
eu antecipei as comemorações de Natal para hoje, dois dias antes da data
oficial. Foi por conveniência. O comércio faz a festa com o dinheiro dos
incautos consumidores há dias, e a Saturnália começava uma semana antes do Natalis e o Papa Júlio Primeiro oficializou
o Natal em 350 D.C. também por conveniência. Tudo normal!
Meus presentes? Já ganhei, e não
foram comprados em loja. Não há um presente se quer, que as lojas possam
vender, que tenha algum significado para o dia de Natal. Nem as luzes que ficam
piscando em frente das casas, nem as árvores enfeitadas e nem mesmo as festas
familiares com muita comilança e bebidas à vontade. O Natal só pode ser
presenteado se o presente for espiritual! Dei de presente para meus entes
queridos um tempo especial de oração.
Não ter uma data para comemorar o nascimento
de Jesus é muito apropriado. Cristãos verdadeiros não adoram o Jesus humano. Cristãos
verdadeiros adoram o Jesus espiritual, aquele que é Deus, que existe desde a
eternidade. Quem adora o humano, também adora as coisas deste mundo e constrói
imagens de adoração, prostra-se diante de ídolos e constrói monumentos a deuses
que não falam. Quem adora o humano, presta culto ao deus momo. Por estes tempos
as lojas andam lotadas de falsos cristão prestando culto em templos construídos
por mãos humanas.
Daqui uma semana será ano novo. Só
mais uma data no calendário!
sexta-feira, 15 de dezembro de 2023
ENGANANDO O TEMPO
O tempo passava normalmente até um
tal de Einstein resolver que o tempo é relativo. Daí em diante virou uma
bagunça! Nos últimos tempos, cientistas de quase todo o mundo andam dizendo que
os órgãos internos das pessoas envelhecem de forma diferente, como se o tempo
passasse mais de pressa para uns e mais devagar para os outros.
Não há como discutir com cientistas
no campo da ciência, mas posso discordar e até concordar no campo da
literatura. Supondo que fosse jogo de mata-mata, com um jogo em cada campo, eu
diria que na Arena Ciência eu levaria
uma goleada deixando a decisão para a Arena
Literatura, onde a poesia e a prosa fazem golaços. Com um pouco de
inspiração posso reverter o placar e levar o troféu!
Às vezes é o tempo que me engana. Me
distraio e triiiiimmmmm! Estou
atrasado! Onde estava o tempo durante minha distração? Distraidamente o tempo
passa como se ninguém mais tivesse compromissos. Os compromissos que se danem!
Tem tempo que o relógio nem marca de ruim que é, mas tem tempo que de tão bom,
até o relógio dispensa de registrar.
E o tempo não é só do relógio. Este
ano o tempo anda distraidíssimo. Desde julho que o tempo do frio está um
calorão dos diabos! E olha que diabo parece mesmo gostar de calor. Deus me
livre! Não fosse a energia solar e eu já estaria em tempos de miserabilidade só
pagando conta de luz.
Hoje me dei conta que já estamos no
tampo de comemorar o Natal. Parece que era ainda ontem quando recebi uma
mensagem no Messenger, e era dia 06
de janeiro! Por onde anda o tempo que ficou entre essas duas datas? Deve ter
derretido nas ondas de calor que já duram muito tempo!
Nem posso dizer que não aproveitei o
tempo que agora me sobra desde que aposentei. Em sete anos já fiz a revisão da
vida toda umas quinhentas vezes, e olha que são mais de sessenta anos! A vida
inteira passei esperando pelo tempo da aposentadoria, e agora me pego pensando
na vida inteira que passei, sem saber muito bem o que fazer com o tempo que
sobra.
Como dizem: Sobra tempo, mas falta
energia. Suspeito que tem alguém se apropriando do tempo quando ele parece ser
o melhor das nossas vidas. Quando estamos cheios de energia nos dão metas de trabalho
para cumprir, cobram nossa fidelidade com a empresa, nos enrolam com o discurso
que somos colaboradores e até dizem
que a empresa é uma família à qual pertencemos, até um dia somos deserdados e
postos para a rua. Com muita sorte saímos com o título de aposentados e redução
de cinquenta por cento nos salários.
Daí pegamos uma doença crônica e
tomamos muito corticoide para tratar, daí o corticoide provoca efeitos colaterais
e o médico nos proíbe de comer carne, doces, derivados de leite, algumas frutas
saborosas como manga e, ainda, nos diz que o remédio pode causar tremedeira, cãibra,
taquicardia, glaucoma, etc. E o tempo, que era para ser nosso, passa a ser do médico,
passamos horas a fio no consultório esperando pelo atendimento e gastamos todo
nosso dinheiro nas farmácias.
Acho que o tempo anda meio enganado
comigo, comprei uma barraca, tá na hora de ter um tempo para mim!
quinta-feira, 7 de dezembro de 2023
O FIM DO MUNDO
O fim do ano está bem ali! Mas e o
fim do mundo? O ano é um fato histórico, tem começo, meio e fim. Desde janeiro
até agora já se foram trezentos e quarenta e um dias, todos contados um a um
na esperança de que em 31 de dezembro se possa celebrar todas as realizações
que foram planejadas há trezentos e sessenta e cinco dias atrás. Eu mesmo
prometi que neste dezembro estaria curado do pênfigo que me atormentava em
dezembro passado. Era só uma ilusão que eu criava para mim mesmo.
Muitas ilusões são postas na mesa de
Natal uma semana antes de se começar a perceber que nada do que foi planejado
será mesmo cumprido. Tem quem jure de mãos dadas, olhos fixos no bebezinho de
bibelô deitado na manjedoura, que vai fazer o que é certo, ... ano que vem! Uma
semana depois já é ano que vem e ele prepara as máquinas para encher as
lavouras de agrotóxicos e faz planos de lucros com a venda de produtos
envenenados. Quando chega o próximo Natal, ajoelha arrependido diante do bibelô
e jura que vai produzir alimentos orgânicos... se for mais lucrativo!
Enquanto os países industrializados
continuam se recusando a diminuir a emissão de gases poluentes na atmosfera e a
temperatura do planeta vai atingindo recordes, as organizações internacionais
fazem reuniões e mais reuniões para decidir, inutilmente, que as emissões
desses gases devem diminuir. Se decidissem que os lucros é que deveriam
diminuir seria bem mais simples e o problema estaria resolvido. Quanto mais
gases poluentes, maior a temperatura do planeta. Quanto maior a temperatura do
planeta, mais próximo o fim do mundo.
Se tem uma coisa em que a ciência e
as religiões estão de acordo é que o fim do mundo é mesmo o fim do mundo. Se
bem que nenhum dos dois entende que o fim seja mesmo o fim. Para ambos o fim
será uma espécie de recomeço. Temperaturas elevadas podem inviabilizar quem
está provocando as altas temperaturas, ou seja a raça humana. Sem os humanos o
planeta se reinventa por suas próprias leis naturais.
Por outro lado os religiosos
acreditam que depois do fim haverá um novo Céu e uma nova Terra onde animais
ferozes e pacíficos viverão em harmonia, acredite, inclusive com os humanos, mas
só serão aceitos nessa nova ordem os que não destruíram o ambiente
anterior. De qualquer forma, o que vai prevalecer são as leis naturais, neste
caso instituídas pelo divino. Desde 1947 existe o Relótio do Juizo Final. Não,
não foi um bando de lunáticos religiosos que o criaram, foram pesquisadores da Universidade
de Chicago. Esse relógio leva em conta os perigos das guerras atômicas, mas
também o aquecimento global e outras doideiras como a Inteligência Artificial. Quando
o relógio marcar meia noite: Pluft! Tudo
acabou! E só faltam cinco minutos! Isso, cinco minutos!
2023 deve ser o ano mais quente da história
da humanidade. Tudo bem que os Adventistas tinham certeza que o fim seria em
1844 e não foi. Em 2012 o mundo teria acabado, segundo interpretações do calendário
Maia. Quem sabe, ainda tenhamos um pouco mais que cinco minutos!
Talvez devêssemos dar uma pouco mais de atenção a Ailton krenak.
sexta-feira, 1 de dezembro de 2023
ACAMPAMENTO
Comprei uma barraca, isso mesmo, essa
aí da foto. Nela vou acampara todos meus pensamentos por alguns dias e depois
por mais alguns, e mais alguns dias ainda. Acampamento lembra natureza, ar
livre, sossego e descanso. É para lá que eu vou, para onde tenha uma boa sombra
e água fresca!
Ainda não sei se é nostalgia ou se é
vontade de acampara mesmo. Seja lá o que for, a verdade é que deu vontade de
montar a barraca em algum lugar de natureza e ficar por lá, sem ar condicionado
e com muito espaço fora de casa. Olhar para o mundo sem prédios e carros
barulhentos, sem lojas e propagandas de mercadorias inúteis. Já nem sei mais se
é vontade de acampar ou de deixar para trás esse mundo maluco que a humanidade
inventou, esse jeito de viver sem o menor significado.
Acampamento, claro, tem sempre por
perto um rio, uma cachoeira, uma praia ou simplesmente um belo bosque, árvores
frondosas e quem sabe frutíferas. Adão e Eva estavam acampados no Paraíso.
Podiam comer de todos os frutos daquele lugar, menos do que era proibido,
desse, melhor não comer, as consequências não são boas!
Tem quem gosta de acampar no deserto
para ver as estrelas e saber que não há nada ao redor. Quando estamos cheios de
um grande vazio pode ser uma boa estar num lugar completamente cheio de um nada
qualquer que faça sentido para o vazio interior que carregamos como se uma
carga pesada fosse. De que mesmo que meu coração anda cheio? A cidade é muito
confusa, vou acampar para saber...
Em frente da barraca, tomando vinho e
filosofando sobre a vida se pode chegar a muitas conclusões. Ou a nenhuma! O
bom da filosofia é que nela nunca se chega a uma conclusão. Tem sempre uma
possibilidade a mais e isso é o que há de mais puro na humanidade: saber que
não se sabe o suficiente e tem sempre alguém, por mais simples que seja, que
sabe algo mais do que aquilo que pensávamos saber.
Na cidade esse saber é quase sempre
relegado a um segundo plano. As cidades são racionais, e o racionalismo é
estúpido. É preciso ter ordem, hierarquia, obediência, uniformidade, regras
rígidas, julgamentos, prisões, controle, autoridade. As cidades são de concreto
e asfalto. Impermeáveis e sólidos. Tudo é privado!
Eu preciso mesmo é de um espaço de
liberdade. Falar com as árvores e não ter que ouvir nenhuma reprovação, ver os
pássaros e quando eles gritarem: tiu tiu
tiuiii tiu tiu tiu, acreditr que estejam dizendo: é isso aí, você é um cara legal! O rio que desce a montanha traz mais
saúde que os remédios industrializados e a música noturna do acampamento
substitui, com vantagem, as três gotas de melatonina que tomo cada noite antes
de dormir.
Difícil é acordar pela manhã e perceber
que ainda estou em casa!!!
quarta-feira, 22 de novembro de 2023
SONÂMBULOS
Era de manhã ainda, já?... nem sei,
só sei que era de manhã e o dia parecia verdadeiro, tão verdadeiro que parecia
dia mesmo! Mas não era, nem de manhã e nem dia. Era sonho, sonho quase
verdadeiro. Tinha claridade no sonho e tinha gente também, gente que se
relacionava, de um jeito bem estranho é verdade, mas é verdade que era gente
mesmo. E se relacionava com gente e também com a natureza e com o dia, o mesmo
dia que não era verdadeiro, era verdadeiro para o sonho e, se é o sonho que
interessa, então era verdadeiro.
O sonho tinha promessas para um dia
lindo! E do nada a promessa se realizava e uma praia linda era o lugar dos
desejos e os desejos se realizavam porque no sonho não é preciso planejar, tudo
já vem pronto e quando o sol começava a arder na pele: pluft! Já era noite e
estava num belíssimo restaurante comendo e bebendo e vendo pessoas alegres...
Mais um Chopp?
“ÁREA PARA FUMANTES”
- Sim, por favor! Posso fumar um
palheiro?
As promessas para aquele dia não eram
as mesmas promessas do sonho. O dia prometia um dia cheio de trabalho e afazeres
domésticos que parecia não ter fim. Aquele dia certamente teria seu fim antes
do fim dos trabalhos. Dia que termina antes dos trabalhos não é dia que se
possa dizer que foi dia de promessa, a não ser que a promessa seja de
pesadelos, como os que acontecem quando estamos sonhando e pensamos que estamos
acordados, mesmo ainda estando dormindo.
“ADMINISTRATIVO”
- Ah, vontade de fumar um palheiro e
tomar um Chopp!
O mundo também tem promessas, e se
parecem com as do sonho. Tão reais e tão absurdas! O mundo promete realizar
todos os desejos, e você não precisa planejar, tudo já vem pronto. Basta
trabalhar. E muito! Daí, quando você não tem mais condições físicas ou
intelectuais, daí você pode realizar seus desejos. A Amazon disponibiliza milhares de filmes para assistir pagando a
bagatela de R$ 15,00 por mês. O governador anunciou que ano que vem vai ter um
mutirão para cirurgia de catarata.
Israel promete paz com os Palestinos.
Depois de matar todos os terroristas do Hamas,
Jihad Islâmico, Hezbollah, e todas as crianças e jovens e adultos
palestinos que possam virtualmente se tornar terroristas, ou apoiar
terroristas, ou conviver próximo de terroristas ou pensar em terrorismo. E tem
apoio dos Estados Unidos!
Estamos num mundo sonâmbulo. O Brasil
está em sexto lugar na tabela das eliminatórias para a Copa 2026. A Venezuela
está em quarto lugar, dois à frente!
Eu sei que o capitalismo mente, mas é
uma mentira que parece tão agradável! Dá vontade de acreditar!
terça-feira, 14 de novembro de 2023
UFA! NOVEMBRO. (O TEMPO)
“Cada dia é um dia
Para o tempo, mas
Um tempo quase
infinito
Para o sentimento! ”
Não sei se vale a pena continuar
contando os dias, eles passam tão de pressa que os sentimentos não conseguem
acompanhar. Ainda estou sentindo as emoções de janeiro e mal me dou conta que
estamos em novembro. O que dizer dos dias da Páscoa? Parece que foram ontem! E
o mês de julho, tão presente que nem dá para acreditar que foi há quatro meses.
Quatro meses! Exatamente o tempo que
parece ter durado uma infinidade! Se julho tivesse emendado com novembro sem a
necessidade dos meses de agosto, setembro e outubro tudo seria mais fácil. Mas,
não! O calendário insiste em manter os meses rigorosamente em sequência e os
dias um atrás do outro. Cada dia feito para o tempo, sem nenhuma combinação com
os sentimentos.
Justo o tempo. Este que sequer
existe! Ou está no passado, ou ainda será, no futuro. No presente, é uma fração
que tende a zero! Ou seja, não existe. Sentimentos existem e estão sempre no
presente. O dilema é conciliar o que existe com o que não existe, o futuro que
vira passado em frações infinitesimais com as emoções que não são passado e nem
futuro.
Às vezes fico horas a fio pensando em
quanto tempo desperdicei com sentimentos que não valeram à pena. Daí volto meus
olhos para a estante e vejo um livro que me diz que a esperança é vida. Me
pergunto: Quanto tempo ainda tenho de esperança? Tenho muitos livros na
estante. Por que guardo livros na estante por tanto tempo?
quarta-feira, 8 de novembro de 2023
SÓ
Em casa, na rua, nos bares
Nas praças, cinemas e parques
Na academia, na escola ou fazendo
arte
Estamos sós em quase todos os lugares.
Carros perambulam pelas avenidas
Cheios de sonhos e preconceitos
Casais e famílias divididas
Racionalizando deveres e direitos
Fôssemos irracionais
E não estaríamos só
Viveríamos soltos pelas vias
Em bandos estaríamos protegidos
Fazendo amor em praças públicas
Sem moda, sem estigma, sem
preconceito
Os corpos todos em pele nua
Sem dilema, sem drama, sem súplica!
sexta-feira, 27 de outubro de 2023
ONDE NASCE O RIO
Na sala de aula, disse o aluno sem
pestanejar. Só podia ser ali, onde mais houvera de ser? O rio que passava perto
da vila não tinha nascente, só barranco, um pouco de mata meio devastada e
lavouras cheias de veneno. Máquinas de veneno era o que se via de tempos em
tempos, parecia que o veneno era o alimento das plantas.
- O rio nasce mesmo, professora?
Não podia ser que um rio nascesse
mesmo de verdade. Quem nasce são as crianças, os porcos do chiqueiro que o pai
criava com cuidado para depois vender, os bezerros que a vaca criava para dar
leite que o pai tirava para vender, os pintinhos que a galinha chocava e o pai
criava para vender. Ano passado nascera seu irmãozinho, que a mãe cuida dia e
noite, ele nunca ouvira o pai falar que ia vender o irmão, será que ainda é
muito novo? As plantas da lavoura também nascem, mas depois o pai fica passando
veneno nelas, disse que é para elas crescerem bonitas. Meu pai nunca passou
veneno em mim!
- Nasce, disse a professora, todo rio
nasce em algum lugar.
Algum lugar pode ser qualquer lugar,
o chiqueiro, galinheiro, potreiro, a cozinha da casa, a sala de aula ou a casa
do Seu Oliveira. Deve ser lá que nasce o rio. Ele sempre fala que o rio é dele.
Ele não trabalha e todos os dias vai pescar. Seu Oliveira sempre leva uma
garrafa de pinga junto, deve ser para agradar o rio dele. Ele fala que o rio dá
os peixes para ele, mas eu acho que ele está mentindo, ele rouba os peixes do
rio e fala que ganhou de graça. Lá no mercado ninguém deixa pegar peixe de
graça! E o rio não nasce na casa dele porque senão ele ia guardar o rio só para
ele e vender todos os peixes e ia ficar rico, mas o Seu Oliveira é pobre e vive
bêbado.
- O rio Guaçu nasce na casa do Seu
Oliveira?
- Joãozinho, o rio não nasce dentro
de casa.
Então nasce dentro da igreja. Tá
escrito na Bíblia e a mãe leu que o tem um rio que nasce no altar do templo.
Quem manda na igreja é o pastor ou o padre. Seu Oliveira não é pastor e nem
padre, então, por que ele diz que o rio é dele? Deve ser que ele é dono daquela
parte do rio que está muito suja porque ele é um bêbado. Quer dizer, então, que
o pastor e o padre ficam com a parte limpa do rio e deixam a suja para o Seu
Oliveira?
- Esse rio, que tá na Bíblia, não é
um rio de verdade, ele é fictício, nasce da imaginação do profeta Ezequiel.
Ah! O rio nasce da imaginação! Nasce
limpo e puro como o amor e depois se transforma em poluição e venenoso como o
ódio! Foi assim que nasceu a Nação de Israel?
sexta-feira, 20 de outubro de 2023
TERRITÓRIOS OCUPADOS
Não sei bem definir o que é um
território ocupado, mas me ocupo muito bem em buscar um território para ocupar
em minhas idas e vindas do amor, que nada mais é do que uma ideia de
relacionamento afetivo. Há muitos anos que Israel ocupa ilegalmente territórios
palestinos na Cisjordânia, causando confusão num lugar de paz. Conflitos assim
acontecem na vida da gente. Meu território foi ocupado e tive que lutar por
anos até que deixei tudo e fui ser estrangeiro na cidade onde não quero viver.
Meu lugar é no campo, talvez próximo
do mar da Galileia, quem sabe no Pantanal Sul Matogrossense, ou numa praia do
nordeste. Talvez, ainda, no Sul do Brasil ou em Cuba. Sou um comunista de
carteirinha, daqueles que lutam a vida inteira pelo fim da propriedade privada
e do controle dos meios de produção por uma classe social sobre a outra. Não
lutei na segunda guerra mundial e também não presenciei a fundação do estado de
Israel em 1.948. Quando nasci, dez anos depois, os descendentes de Ismael já
lutavam contra a existência de um país tradicionalmente inimigo naquele lugar.
Um lugar! É isso que eu preciso. Um
lugar onde possa sossegar minhas lutas e descansar as ideias. Folgar. Não
pensar em nada, sequer no tempo! Preciso de tempo para viver, ando muito
ocupado enquanto a vida passa. O povo da Palestina tem expectativa de vida de
aproximadamente dezessete anos. Quantos anos eu já vivi de verdade? Talvez eu
ainda tenha um pouco mais que isso para viver e não posso desperdiçar em lutas
inglórias. Quem quiser que ocupe os territórios, eu vou pro mar da Galileia!
O mar da Galileia tem águas doces e
se eu não quiser ser encontrado posso dizer outros nomes: Mar de Quinerete, Lago
de Genesaré ou Mar de Tiberíades e não estarei mentindo, estarei em vários lugares
ao mesmo tempo e ainda assim no mesmo lugar: o mar da Galiléia. E, ainda que as
águas se agitem em tempestades repentinas, terei quem acalma as águas agitadas
do meu coração. Israel está muito agitada, mas busca calmaria em quem patrocina
a violência. Os Estados Unidos não serão nunca calmaria, eles vivem da guerra!
Mal me dou conta e já estou em
conflito. Ismael e Isaac eram irmãos, mas Isaac era filho da promessa. Já
prometi para mim mesmo que não lutarei contra meus irmãos. Vou morar no Sul ou
no Nordeste, tanto faz, o que eu quero é viver em paz. Paz em Israel, nos
territórios palestinos, em Cuba, paz dentro do meu coração.
sexta-feira, 13 de outubro de 2023
ENTRE A VERDADE E A MENTIRA
O último ano de vida da minha mãe eu
estive com ela, cuidando cada dia da sua vida. Minha mãe era totalmente
Católica Romana e suas crenças estavam firmadas na tradição da Igreja. Ainda
que a tradição católica seja contrária, em muitas coisas, ao texto que deveria
ser a base da fé, a Bíblia, a Igreja afirma a autoridade Papal e os documentos
da Igreja como autoridade suficiente para que a interpretação seja dada
conforme os interesses da instituição.
Eu fui Católico Romano, ia ser Padre,
desisti depois de três anos internado num Seminário Beneditino. Algum tempo
depois desisti da fé católica romana. Me tornei comunista e, por incrível que
pareça, foi defendendo o comunismo que me tornei Evangélico, essas instituições
cristãs que dizem defender os ensinamentos bíblicos e firmam sua fé, ou pelo
menos deveriam fazê-lo, fundamentados na Palavra.
Comunistas são pessoas que defendem
que tudo deve ser distribuído igualmente entre todos, ou seja, que tudo é de
todos, mais ou menos como está escrito no livro bíblico de Atos dos apóstolos.
Evangélicos acreditam nisso também, mas defendem o capitalismo que é contrário
ao comunismo e ao livro bíblico.
Por muito tempo pensei que sabia a
verdade. Primeiro porque meus pais me diziam qual era e eu acreditava porque
eram os meus pais que diziam e eu achava que eles sabiam de tudo. Depois porque
o Padre dizia e eu acreditava que ele sabia de tudo porque ele falava por um
Deus do qual ele era o representante. Daí descobri que os professores também
sabiam tudo sobre a verdade e eles me ensinaram muitas coisas. Os caras que
falavam pela televisão e pelo rádio também pareciam ser muito conhecedores da
verdade, e muito convincentes. Finalmente, quando li livros, descobri que
outras verdades estavam escondidas em suas páginas, li-os avidamente para
encontrar a verdade definitiva e passei a lutar por ela.
Entre a verdade dos meus pais e a dos
comunistas e religiosos e as da mídia estava eu querendo acreditar em alguma
coisa. Hoje sei que a verdade não estava com nenhum deles e que cada um deles
tinha sua verdade e tentava de alguma maneira, leal ou deslealmente, impor essa
verdade aos outros. O mais dramático é que parece que TODOS querem, de alguma
maneira, firmar sua verdade apoiados num ser supremo, transcendental, todo
poderoso, infalível e justo. Prestei atenção nas verdades e percebi que elas
continham uma certa dose de mentiras.
Fiquei com vontade de discutir o
conflito entre Hamas e Israel, mas logo percebi que ninguém que estava no
assunto sabia sequer a origem dos povos em questão, desisti. Estou também
desistindo da verdade, ela me parece tão mentirosa quanto a mentira se parece
verdadeira.
Talvez eu deva pensar uma poesia,
nela a Lua está verdadeiramente próxima e os mil quilômetros que me distanciam
do Curitiba não passam de alguns centímetros no mapa, distância facilmente
vencida numa conversa pelo WhatsApp.
sexta-feira, 6 de outubro de 2023
DIA DE NADA
Hoje eu não quero comemorar. Acordei
no sossego da vida onde um ar gostoso de memória percorria todo o ambiente
refrescando as ideias e trazendo renovo de espírito. Abri as janelas do
pensamento e me deparei com paisagens verdes de lugares por onde andei.
Preguiçosamente me debrucei sobre o peitoril da idade e andei por tempos de
juventude quando jogava sinuca no bar do Seu Domingos. Era primavera e a flor, vestida
de azul, era linda! Era linda a primavera da vida e os temporais se sucediam um
após outro arrancando os brotos do renovo que insistiam em revigorar.
Acordei cedo hoje, disposto a não
fazer nada. Trabalho? Só o conceito de física que pode ser entendido como
transferência de energia para um corpo ou sistema. Nada a ver com trabalho
remunerado, aquele sistematizado para explorar um determinado grupo social em
favor de outro. Meu trabalho, hoje, é apreciar a paisagem pela janela da vida.
Logo cedo vejo um raio de sol a brilhar sobre minha alma. Enquanto a carne
milita contra o espírito a alma perambula entre o céu e o inferno, fico a
imaginar como seria o céu se eu estivesse lá. O céu tem estrelas, um horizonte
perfeito para depositar os sonhos e nuvens de algodão para o aconchego dos
prazeres mais puros. De repente uma tempestade varre as nuvens do céu e
enegrece o horizonte dos desejos levantando poeira de humanidade sobre a
primavera.
Meio dia e o sol arde sobre a alma
derretendo sonhos e abrindo rachaduras no solo fértil dos sentimentos. Entre
cardos e abrolhos vejo a vida que passa pela janela se fazendo mais e mais
inútil. A primavera voa lentamente sob o sol, deixando o suave aroma das flores
azuis, e se vai, para além da linha do horizonte, esconde sua beleza juvenil envolta
em brumas de Avalon. Mebahiah, o anjo, passa ao longe, faz sinal que quer me
falar. Deixo que se vá. Não estou disposto. Hoje não, não quero falar, só ficar
olhando. Hoje não quero nada.
Ainda na janela, vejo a paisagem da
existência e algumas nuvens estão se formando sobre a planície. Um vento forte
surge de repente e leva consigo a árvore do amor. Então vem do Sul uma brisa
refrescante. Quantas tempestades passaram pela janela? Quantas árvores foram arrancadas?
Quero fechar a janela, já não suporto mais ficar contemplando a vida! Olhei
para dentro de mim, entardecia uma luz azul no horizonte.
Mebahiah, ouvi uma voz quase
silenciosa que nada dizia. Seria o vento na janela da vida?
MARIA CLARA E SUA LINDA CABELEIRA (II)
Maria Clara tinha dezoito anos quando se casou. Seus cabelos castanhos, ondulados até o meio das costas, estavam guard...