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sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

RESILIÊNCIA


Palavra bonita de se escutar!, esse ‘zil’, ‘resil’ soa como música, parece um pouco ... não, não parece. Que foi compadre? É que eu ia dizer que parece ... deixa para lá. O quê compadre? Essa palavra eu nem sei o que significa! Meu filho que me falou ela ontem, e depois que ele me falou eu nem consegui dormir, só pensando.

Parece residência. Residência, compadre? É, tem residência que é tão grande que dá para uma favela inteira morar dentro dela. E tem favela inteira que não tem residência para morar! É compadre... .

Também parece resistência! Não, isso não é, se não a ministra, aquela do azul e rosa, ia proibir de se ensinar nas escolas. Verdade! Resiliência... zil, resil... Estou querendo dizer, mas acho que não vou, não. Diga logo compadre, você é muito teimoso!

Isso, foi de teimoso que eu aprendi que apanhando a gente segue o caminho que traçou. Cada pancada que levei fez eu endireitar o caminho e permanecer no meu trajeto. Endireitar, compadre, mas você não era de esquerda? Endireitar para ficar na esquerda, só que mais entendido que antes, entendeu?

Mas essa vida tem problemas demais para a gente continuar no mesmo trajeto! Problemas, compadre, é essa coisa que fica entre o que nós somos realmente e o que gostaríamos de ser, é essa tensão. É isso que é a substância da vida! Que que isso tem a ver com resiliência? Sei lá compadre, eu não sei o que que é essa tal de resiliência, mas eu sei que empatia é quando a gente se coloca no lugar da outra pessoa e vê os problemas que ela tem.

E o que que isso tem a ... deixa para lá! Se tem problema, tem que ter tenacidade, que é para remoer os contratempos e as desilusões e até as injustiças para alcançar o objetivo. Entendeu? Endireitar o caminho para continuar na esquerda!

Oi pai, tão falando de que? Resiliência, meu filho. Ah, então o senhor foi pesquisar e agora sabe o que é! Não filho, não sei e o compadre também não sabe. Está bom, vou explicar então: “Resiliência é uma palavra que junta dois termos do latim: o verbo silie (saltar) e o prefixo re (novamente) sendo entendido atualmente como saltar de volta ao estado normal”. Ah, então é isso, mas não entendi. Eu também não.

Tá, vou explicar de outro jeito: “Resiliência significa voltar ao estado normal, resiliência é a capacidade de voltar ao seu estado natural, geralmente após alguma situação ruim e fora do comum”. Agora entendi, é endireitar o caminho para continuar na esquerda!

Mas compadre, que que você ia falar que parece... Ah, é bonito o som: zil, resil. Eu ia dizer que parece Brasil! Não é não, compadre, não é mesmo!

 

Elairton Paulo Gehlen

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

FOTOGRAFIA


Que será que faz
Essa mão na cabeça.
Segura os pensamentos?
Acolhe sentimentos?
Ou é para que não se esqueça!

É capaz de beijar o mundo
Com essa boca vermelha!
O batom que encobre um sorriso
Meio maroto, meio indeciso,
Com tudo, parece, se assemelha.

O olhar que não vejo,
Muito bem protegido.
Será que também esconde algum desejo?
Alcançar o céu, ver estrelas, um gracejo?

O cabelo pende de um lado para o ombro
Em ondas, feito praia de mar!
Deslizando em ondas sinuosas,
Como um jeito estranho de amar.

A pele é tão lisa e macia
Que tenho receio de tocar.
Parece tão frágil e tão dócil,
Que tudo o que quero é poder te amar!
 

Elairton Paulo Gehlen

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

ESTRANGEIRISMOS


Okay, eu não concordo com a utilização de palavras estrangeiras como se fossem parte do nosso vocabulário! Ontem mesmo estava me arrumando para sair, tomei meu banho e usei um novo shampoo, esqueci do condicionador e meus cabelos ficaram espetados. Ainda bem que o show era de rock e depois veio o povo do funk. Aí fiquei cool!

Em casa, cansado e com fome, liguei meu PC, fiz um pedido de pizza pela internet. Tirei minha calça jeans, vesti um short e fui para a cozinha. Preparei um cappuccino, aí pensei: melhor um drink. Tomei um whisky, liguei a TV e procurei por um programa de variedades, estava passando humor com uma drag queen, uma verdadeira sex-appeal.  Não gostei, tentador demais para quem está sozinho! Mudei o canal e assisti dez minutos de um nada cheio de gestos ensaiados, sorrisos Colgate e muito clichê de uma apresentadora pop star.

O telefone tocou e meu amigo me disse que perdi o melhor happy hour do mundo. O chopp estava trinta por cento off e ainda teve meia hora free no self service, enquanto curtiram uma belíssima performance da dançarina da casa. Fiquei com o coração partido. Além de ficar só e ouvir muito remake, o funk para mim é Trash. No pub, poderia ter aproveitado um happu hour agradável com boas companhias e quem sabe um happy end no meu studio, curtindo a night vendo um filme de cow boy e ouvindo roling stones.

Taí o meu protesto. Estrangeirismos são unusual em meus textos.

 

Elairton Paulo Gehlen

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

POESIA: ANO NOVO


Todo mundo gosta
De celebrar o ano novo,
Fechando o ano velho
Já pensando na Páscoa e no ovo!


Mas no meio
Tem o carnaval
Que vem por primeiro
E desperta o instinto animal.


Em março vai se comemorar
Um dia de bem-me-quer,
Que é para se lembrar,
Quão especial é a mulher!


Passando a Páscoa,
Que será em abril,
Maio tem dia das mães,
Especial como nunca se viu.


Junho, ah, em junho!
O mundo fica parado.
Porque nesse mês, tem
O dia dos namorados.


Julho tem férias,
Agosto dia dos pais,
Setembro semana da Pátria
Para cantar o hino nacional.


Outubro tem dia das crianças,
Que é para a gente se lembrar
Dessa vida que se renova
E que sempre podemos amar!


Novembro tem dia dos finados
Dezembro tem o natal
Assim acaba o ano
E temos um novo final!




Elairton Paulo Gehlen













sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

MELHOR JEITO DE DEIXAR SEU CACHORRO AMARRADO


Anoiteceu, mas o calor não dava trégua. Bem que poderia chover, mas o céu estrelado denunciava tempo ‘bom’. Bom se chovesse! Consultou a previsão do tempo: ‘tempo bom, com muito calor e baixa umidade do ar’. E isso é tempo bom? Andou de um lado para outro pela casa, carregando pensamentos aquecidos de preocupação. O cachorro amarrado no quintal, com todos aqueles pelos, e esse tempo que não chove, por nada!

Ligou a TV e viu dois homens se beijando. Seu homem já não a beija faz um tempão! Mudou o canal, talvez devesse mudar de homem. Vinte anos nesse relacionamento, virou uma espécie de prisão. O cachorro amarrado e o calor sufocante. Abriu a porta da cozinha, soltou a corrente mas segurou-o pela coleira, queria deixa-lo ir. A coleira era bonitinha, mas estava puída, melhor comprar outra, amanhã. Ia soltar, mas ficou com medo da liberdade.

Voltou para dentro com a firme promessa de fazer uns ajustes na casa, arejar um pouco, mudar os móveis de lugar, quadros na parede, um colchão novo. No dia seguinte comprou uma coleira da moda que viu no programa Dogs and the new fashion. Trocou a coleira e prendeu firme a corrente. Fiscalizou até onde iria, então decidiu que não tinha perigo. Pegou o celular do marido para ver as mensagens, pode ser que a corrente tenha se rompido sem que ela percebesse.

Nos últimos tempos andava com a pulga atrás da orelha. Comprou um antipulgas, fechou o WhatsApp e prometeu que teria mais cuidado para não se contaminar outra vez. O cachorro até que gostou do tratamento. As coisas pareciam estar melhorando, mas aquela sensação de que a corrente estava ficando fraca com o tempo e o uso!...

 Ligou a TV, estava passando a novela das oito. Detesto essas correntes do WhatsApp!, berrou o marido, do sofá, com o celular na mão. Não dava mesmo para segurar. Quanto mais se prende mais se solta. Decidiu não olhar mais o celular dele. Saiu ao quintal, tirou a corrente que prendia a coleira nova. Pensou: ‘a melhor maneira de se prender um cachorro é solta-lo’. O cachorro se foi e ela estava livre!

 

Elairton Pulo Gehlen

terça-feira, 25 de dezembro de 2018

POESIA: HOJE É NATAL!


Mataram os meninos na minha infância,
Roubaram das meninas o prazer.
Regras são cadeias,
Onde os sonhos vão morrer!


É mais um dia qualquer,
O tempo que passa,
A vida, assim, sem graça,
E seja o que der e vier!


Os hormônios do adolescente
Foram roubados na euforia,
Negociados em valores inúteis,
Nas bolsas de mercadorias.


Já nem mais se sente
A idade que avança,
O objetivo que não se alcança
E o passado, agora é o presente.


Lucraram com minhas energias,
Me largaram aposentado,
Meio traste, meio triste,
Meio estranho, meio abandonado!


O futuro não existe,
Dele nada se espera.
Não importam as primaveras,
Nem tudo o que se disse.


De que me serve o natal,
Se nasci para ser explorado!
Dos meus dias, afinal,
É pouco o que me resta.


São migalhas que caem
Da mesa da abastança,
Dos que fazem festa de caridade,
Para enganar adultos e crianças.


E ENTÃO? É NATAL!!!!!!!!


Elairton Paulo Gehlen

sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

DESERTO


 Andava de cá para lá e de lá para cá descontando os dias que ainda lhe faltava. Não tinha celular, mas se comunicava o tempo todo com o mentor desse projeto em que se engajara totalmente.

A solidão, ah!, a solidão às vezes faz tão bem que desejamos estar sós por um tempo. Quarenta dias talvez seja um tempo razoável para quem precisa estar preparado para executar um projeto onde o erro máximo permitido é zero.

Comida boa, quem não quer? Há quem a tenha na mesa, posta de manhã, à tarde e à noite, com fartura! Também há quem a tenha na míngua e muitas vezes sem a mesa para pô-la. Não havia mesa, por quarenta dias não tinha comida e nem água para beber.

Uma boa companhia, faz tão bem que enche nossas horas de prazer! Gente que vai: até logo! Gente que vem: bom dia! Gente que passa: “e ae?’ Uma conversa para jogar fora, andar nas ruas, ver o movimento das cidades... No deserto não tem cidades, nem gente.

Quarenta dias, trinta e nove, trinta e oito,..., dez, nove, oito, ... sem alimento, sem água, sem amigos, nem gente, nem trânsito.

Quarenta dias em oração e vem o capeta para atentar oferecendo pão. O Príncipe deste mundo se põe em Sua presença e oferece poder e glória, promove um espetáculo no pináculo.

Depois de quarenta dias no deserto, seria o momento da glória. Reinar sobre o povo e transformar pedras em pães!

Mas a palavra, ah, a palavra: “Retira-te Satanás, porque está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele prestarás culto”.

Elairton Paulo Gehlen

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

POESIA: BOAS NOVAS QUE VEM


Nasceu em Belém,
Mas de lá não era.
Veio de Nazaré,
Onde fica Sua Terra.


Não teve acolhida
Para vir a este mundo.
E continua sem guarida
No coração de muitos.


De boas novas,
O coração está cheio.
Fala com sabedoria,
Ao povo que lhe veio.


No primeiro milagre,
Transformou água em vinho.
Não para beberagem,
Mas para mostrar o caminho.


Caminho de sangue e glória,
Só compreendido no final.
Que o acompanhou na trajetória,
Neste mundo desigual.


Na Sua Terra não creram,
Nem em muitos outros lugares.
Mas para salvação de todos,
Deu a vida em pesares.


Dono de toda glória,
Era filho do Rei.
Viveu com humildade,
E obedeceu toda a Lei.


É o nosso salvador!
Nasceu da Virgem.
Viveu sem ser pecador,
Ai de mim que preciso
Ser Seu imitador!





Elairton Paulo Gehlen

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

A CARROÇA


Está vendo filho, nem é preciso andar muito para se chegar a cem anos atrás, é só voltar uns sessenta e tudo se parece! É pai, essa carroça parece que levou a gente para o século passado. Sim, século passado, talvez até mais. Rodas de madeira raiada com uma proteção de ferro no perímetro da circunferência para não quebrar com os choques das pedras e a dureza do chão. Duas juntas de bois puxando uma carga pesada, uma tora tirada do mato que deve ser levada para a serraria.

Veja, meu filho, somos os proprietários e esses escravos aí do lado e atrás da carroça são nossa propriedade! Eles fazem nosso serviço e tudo o mais que mandamos, esses negros não pensam, só obedecem.   Os bois são muito fortes, hem, pai! É só bater que eles puxam essa carroça pesadíssima. Se eles soubessem a força que tem não fariam tanta força! São animais irracionais, por isso a gente pode bater neles e fazer eles trabalhar.

Bater até sangrar o lombo quando não obedecem, o corpo amolece, mas o tronco está firme e a argola de ferro não cede. Sabe por que? O tronco e a argola são o patrão!    E o relho também, vai boi, toma! Essa canga do pescoço e o cabeçalho da carroça é de quem manda!

O carro anda lentamente como o tempo, cinco passos do boi para dar uma volta na roda da carroça. Trezentos e oitenta giros da roda para andar um quilômetro. E muitos anos até o caminhão descarregar a tora na serraria!

Agora sim, é só soltar as catracas e deixar as toras rolar da carroceria. No lugar dos quarenta escravos, agora só preciso de dez trabalhadores com motosserras! E um caminhão com um motor muito forte, pai. Isso, quanto menos pagar de salário, mais eles trabalham porque tem que viver. Quanto mais pagar pelo caminhão mais ele produz, o caminhão é o patrão!

Estou pensando, pai, e... e... e, se nós fossemos os bois e os bois fossem nós, lá na carroça do século passado? Ai, era nós pendurados naquele tronco e amarrado naquela argola, levando pancada nas costas até sangrar!... N Ó S ?!?!?!?!?!?!

 

Elairton Paulo Gehlen

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

POESIA: I AM THE BEST

Não, a poesia não é em inglês,
Mas bem que poderia,
Já que o estrangeirismo
É boa parte do nosso português.


Eles até que se acham os melhores,
Nos dizem o que vestir e o que comer.
Cantam músicas para a gente ouvir
E fazem filmes para a gente ver.


Falam com superioridade,
Como se o melhor do mundo fosse
E a gente bate continência
Até para o iracundo deles!


Hi-tech é a palavra da moda,
Pop star é o que no cinema se vê.
Sex-appeal é o principal da cultura
Que a internet traz para você.


Superman, Incrível Hulk ou o Pateta
Fique livre para escolher.
Qualquer um vai salvar o mundo deles
E o nosso cada vez mais empobrecer.


Dominam o mundo com alta tecnologia
E tem gente que baba no seu poder!
Estuda inglês todos os dias
Para melhor servir ao seu querer.


Nos obrigam a dizer ferry boat
Em vez de barco de passagem,
Mas é no happy end
Que nos deixam na vassalagem.






Elairton Paulo Gehlen

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

PATRICINHA


Aproximou-se do espelho para ver detalhes da sobrancelha que fizera no salão, mas afastou-se rapidamente. Melhor olhar de mais longe! A sobrancelha ficara maravilhosa. Lavou o rosto com o sabonete facial e limpou a pele com água micelar, passou o creme hidratante, o creme antirrugas e o filtro solar. Aproximou-se novamente do espelho. Melhor olhar de longe!

Virou para o lado onde estava o espelho de corpo inteiro. Passou as mãos pelo cabelo, viu-os em câmera lenta esvoaçando pelo ar. Nada como uma tinta para rejuvenescer! Abriu um sorriso e foi abrindo o roupão. Lentamente soltou o cordão que o prendia pela cintura, as cortinas se abriram e surgiram dois seios, firmes, redondos, a barriga de tanquinho recebeu um elogio e os seios um acolhimento com as mãos. Com o indicador e o polegar seguros, a cortina se abriu por completo e a estrela mostrou seu espetáculo! Olhos fixos na musa, percorreu todo o perímetro para conferir as curvas e as ondas. É muito sacrifício: academia, lojas, salão de beleza! Mas vale a pena. Se eu fosse homem, me apaixonava imediatamente!

Como bom psicólogo, o terapeuta aguardava tranquilamente que o tempo do atraso fosse vencido. Ela paga para me fazer esperar. Catorze minutos desperdiçados e a porta se abriu. Hoje eu quero deitar no divã! Não tinha divã, mas tinha uma poltrona reclinável e um apoio para os pés. Sentou-se quase deitada e fechou os olhos. Desde o banho da manhã vinha flutuando em sua própria admiração. Eu me acho uma mulher muito bonita! Isso é narcisismo?

- Hum...

Hum... significa... não sei o que significa. Não queria mesmo saber a opinião dele, estava vendo sua própria imagem flutuando nas nuvens. Imagem em HD, 3D. 360 graus. Tinha todo o céu ao seu redor.

- Hum...

Então narrou, sem nem saber que estava narrando, tudo o que via, e tudo o que via, era o que tinha visto no espelho. Fazia caretas, mexia com as mãos, esfregava as pernas uma na outra. Por vinte e cinco minutos teceu todos os elogios possíveis e imaginários ao seu próprio corpo.

- Hum... – disse o terapeuta pela terceira vez e emendou – você está vendo o que tem por fora, mas.... e por dentro, quando é que você vai olhar?

Despencou das nuvens com aceleração muito superior à da gravidade, estatelou no chão e ergueu-se da poltrona esperneando e com os olhos arregalados, o coração aos solavancos, o apoio dos pés voou para longe.

- Dentro! – ela disse – dentro não tem nada!

 

Elairton Paulo Gehlen

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

POESIA: INFINITO


O que faz a liberdade
Que ainda não me libertou
Será ela verdade
Ou foi só um caso de amor.


Infinito é o espaço,
Muito restrito meu caminho.
O que não quero eu faço,
A não ser só um pouquinho.


Infinito é o tempo,
Mas dele só tenho um pedaço.
De perde-lo muito me arrependo,
Vem daí o meu fracasso.


Infinita é a sabedoria,
E eu a busquei tão pouco.
O saber a outro plano releguei,
Meus ouvidos fiz de mouco.


Infinita é a tristeza,
Tal qual é a alegria.
Quem me dera tivesse eu escolhido
Viver bem a cada dia.


Infinita é a compaixão
Mas eu sou muito egoísta.
Se tivesse aberto mais meu coração
Do amor teria sido um expansionista.


Infinito é o amor,
Dele não podemos prescindir.
Seja lá por que motivo for,
Não amei como deveria agir.


Infinita é a liberdade,
Mas eu vivo numa prisão.
De preconceitos e ativismo
Que limitam minha ação.


Infinita é a ilusão
Que me faz pensar
Que no capitalismo
Algum dia vou me realizar.


Infinito é Deus,
Que no mundo existe sua crença.
E eu só me liberto
Se estiver em Sua presença!







Elairton Paulo Gehlen

MARIA CLARA E SUA LINDA CABELEIRA (II)

                      Maria Clara tinha dezoito anos quando se casou. Seus cabelos castanhos, ondulados até o meio das costas, estavam guard...