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sábado, 15 de maio de 2021

RODA POR AQUI UM CLIPE DA TINA TURNER

 

Acabei de ouvir um clipe da Tina Turner cantando The Best e fiquei com vontade de escrever qualquer coisa que me viesse à mente porque a Tina é um show e se você prestar atenção em como ela canta fica com vontade de fazer algo que seja tão envolvente quanto ela demonstra no palco com aquele vozeirão peculiar dela, sua dança, a cabeleira especialmente preparada para aquela artista e a paixão com que ela canta, encanta e envolve a plateia que sem descontar um sequer, gostaria de ser a Tina. Quem não?

Logo na sequência veio um clipe do Dire Straits, uma gravação de garagem que me pôs bem aqui no meu escritório, onde antigamente era exatamente a garagem do carro do meu pai. Não, o clipe não foi gravado aqui, só que eu pensei que muitos casos de sucesso começam assim, na garagem. Se eu quero ser um caso de sucesso? Claro, minha ‘garagem’, transformada em escritório, tem livros em abundância onde me deleito em leituras do Drummond, Vinicius, Garcia Marques, Lima Barreto, Fernando Sabino, Rubem Braga, Odila Lange, ... Acabei de encomendar dois livros do Ernst Hemingwai, no original em Inglês que é para melhorar meus estudos da língua.

Enquanto escrevo, volta o clipe da Tina Turner, agora em outro palco, espalhando seu vozeirão e esbanjando beleza em seu corpo negro num vestidinho branco, curto. A cantora tem aquela beleza negra que muitas brancas gostariam de ter, mas não conseguem, é própria da negritude. O clipe foi postado no facebook pela minha amiga Marina, negra também, dona dessa beleza incomparável. O treze de maio marca as comemorações relativas ao fim da escravidão no Brasil e eu fico pensando se não eram os ‘brancos’ os escravos dos preconceitos que ainda hoje escravizam mentes desde ingênuos idosos aculturados em tempos idos até brutamontes encastelados no palácio do planalto.

É bem possível que boa parte da nossa juventude não tenha a menor ideia de quem foi Tina Turner ou Dire Straits ou o que significou realmente o treze de maio. Perdidos entre o Sertanejo Universitário, as novelas da televisão, os programas do Faustão e o Big Brother fica difícil encontrar uma saída para o lado de fora da caverna. Volto meus olhos para o livro que me chegou há poucos dias: Contos completos de Lima Barreto. Por uma dessas coincidências da vida, o autor nasceu no dia 13 de maio, exatamente sete anos antes da Princesa Isabel assinar abolição da escravatura neste país. Autor de belíssimos contos e romances, o escritor, negro, só teve reconhecido seu talento muitos anos após a sua morte.

Roda aqui um clipe da Bonnie Tyler, Total Eclipse of the Heart. Hoje é sábado e eu vou tomar uma bohemia.

sexta-feira, 7 de maio de 2021

A RAINHA DA BOA VISTA

 


Acordo de manhã e a primeira coisa que faço é ir até o quarto da minha mãe para saber se ela acordou, se passou bem a noite e se precisa de ajuda para se vestir, daí vou até a cozinha preparar o chimarrão enquanto preparo o café da manhã. Algum tempo depois escuto o barulho da bengala contra o piso, então vou até a mesa e ajeito a cadeira onde minha progenitora senta-se com dificuldade sobre uma almofada, empurro a cadeira para que fique próximo da mesa e então tomamos chimarrão por uns trinta minutos, daí sirvo o café com leite, corto uma fatia de pão e me sento à mesa para o desjejum. Para completar, tiro da ‘saboneteira’ seis comprimidos que serão tomados para que a vida continue. Um para afinar o sangue, outros para hipertensão, pressão alta, asma e mais outro tomado anteriormente para proteger o estômago contra a agressão destes.

Hoje levei a Rainha da Boa Vista de 1.951 para uma consulta com a dermatologista. As notícias que me vieram do diagnóstico das manchas no rosto não foram boas! Escutei em silêncio, não tive coragem de antecipar qualquer preocupação, melhor esperar pelo resultado da biópsia que será feita depois de um tratamento alternativo. A médica disse carinhosamente: “Isso parece um cancerzinho”. Disse ‘cancerzinho’ como se dissesse ‘e´so uma gripezinha’! Minha mãe não ouviu, semana que vem tem agenda com um otorrinolaringologista para ver se melhora a audição usando aparelho nos ouvidos. A doutora estava com um barrigão enorme, logo entrará em licença maternidade, vai ser mãe, talvez daqui a uns sessenta anos será seu filho a leva-la para tratamentos de pele e outras doenças que aos oitenta e poucos anos vão transformando idosos em crianças outra vez.

As histórias se repetem. ‘Acho que já contei para você’, ela diz quando vai contar outra e outra e outra vez a mesma história já contada. E são muitas as histórias. Desde a viagem do Rio Grande do Sul para o Paraná que demorou catorze dias, até o isolamento social por quê está passando, tem uma vida de liderança na comunidade. Mas tem uma que eu não quero repetição. Quando eu nasci, minha mãe quase morreu, teve hemorragia e não tinha um hospital, sequer uma farmácia onde se socorer. O recurso veio de uma parteira que injetou um medicamento sem nenhuma prescrição médica e salvou-nos.

Em 1.951 uma garota de dezoito anos foi eleita a mais bela dentre todas as garotas da cidade da Boa Vista, no Rio Grande do Sul, tornando-se a Rainha da beleza! Hoje, aos 87 anos de idade, a minha Rainha continua bela e é com ela que homenageio as mães no seu dia.

sexta-feira, 30 de abril de 2021

COMO POSSO ME DEFINIR SE NÃO SEI QUEM SOU?


O mês de abril vai terminando e eu também. Um mês é só um mês e uma vida é só uma vida. Um marco temporal. Data marcada para o fim. Estatística: finda o quarto mês do ano; finda mais uma vida. Talvez eu viva além desse mês que matou a quatro centésima milésima vida pela COVID-19, talvez eu seja o próximo número, como posso me definir?

Agora vou tomar um vinho para celebrar que ainda estou vivo e o mês não acabou. O que é um mês em um bilhão de anos e o que sou eu em sete bilhões de pessoas? Para os matemáticos, eu sou matemático, um número que tende a zero. Eu sou exatamente 0,0000000001428571 da população mundial, um número completamente insignificante. Você também!! Se eu morrer, irão acrescentar + 1 na estatística e, pronto. Hoje é o último dia do mês de abril, talvez maio nem venha a existir!

Ando na rua e vejo somente números. Três clientes numa loja que deveria estar fechada para que eles não morram de Covid, cinco na farmácia comprando remédio para prevenir a gripe e dezenas no supermercado fazendo compras para alimentar os que continuam vivos. O comércio garante o cumprimento das normas de higiene e distanciamento e até a limitação do número de clientes, mas os ônibus estão lotados. E daí, são só trabalhadores!

Enquanto escrevo estas linhas, já penso no fim... de semana quando não se deve pensar em nada que não seja o prazer de viver o feriado. Dia do trabalhador. O trabalho dignifica o homem, a mulher, as crianças e produzem riquezas que são apropriadas por pessoas que não trabalham. Ano passado os maiores bancos no Brasil tiveram lucro de mais de R$ 61 bilhões!!!! A lista da FORBES agora tem 66 bilionários brasileiros, todos com patrimônio acima de US$ 1 bilhão. Em um mês morreram mais de 100 mil brasileiros de COVID. E daí? Eu não sou coveiro!

E, já que o dia do trabalhador é no sábado, talvez eu deva tomar mais um vinho. O álcool cria uma ilusão de que a vida pode ser o que pensamos que ela possa ser, menos real que a realidade real e mais ilusória que a ilusão da qual nos iludimos. Depois de meia garrafa penso que liberalismo econômico seja como a mulher ideal: Nunca vou ter, mas lutarei até o fim para que ela seja feliz! Enquanto luto, o tempo passa e eu fico me olhando no espelho, cada vez mais velho, menos atraente, mas a mulher ideal do livre mercado desfila esbanjando bilhões de dólares em festas privadas nas melhores das orgias neoliberais! Quem sou eu?

sexta-feira, 23 de abril de 2021

EU TENHO MEDO DO COMUNISMO!


Logo eu, que sou comunista, ando com medo desse sistema tomar conta do mundo. Pensa bem. Ontem mesmo vi uma postagem sobre as barbáries ocorridas na segunda guerra mundial e um comentário implorava ao Deus ou deus, sei lá, para que nunca mais chegássemos aquela mesma situação de ameaça do comunismo. Corri até a biblioteca e procurei na Larousse Cultural e tava lá: Hitler, o vilão da segunda guerra, combatia justamente os judeus e os comunistas! Em outra postagem, um mapa, também divulgado como verdadeiro informava vários países sul americanos que já estariam sob controle dos vermelhinhos. Tentei entender o mapa. Não consegui. Pesquisei no google e não achei nenhum país deste continente que hasteasse uma bandeira vermelha com a foice e o martelo e uma estrela de cinco pontas em amarelo. Nada! Mas os comunistas devem ser assim mesmo, invisíveis a olho nu.

Outra coisa que me deixa muito assustado com a ameaça comunista é o medo que os latifundiários e os banqueiros têm. Eles são assessorados por profissionais altamente capacitados. Não é possível que suas análises políticas e econômicas estejam erradas. Banqueiros juram que somente a livre iniciativa permite o desenvolvimento das pessoas com oportunidades iguais para todos e meritocracia para selecionar os melhores em cada área. Assim, um pobre pode disputar a mesma vaga que um rico, é só se dedicar e superar o concorrente. Num eventual sistema socialista, as riquezas seriam distribuídas para todos. Um absurdo. Pobres que nunca conseguiram um emprego iriam usufruir da riqueza sem nenhum esforço, do mesmo jeito que o filhinho do rico, que nunca trabalhou, faz.

Não sei muito bem de onde me veio essa ideia de ser comunista. Deve ser algum tipo de lavagem cerebral. Já ouvi isso. Dizem que os comunistas arregimentam jovens com promessas de aventura e poder, depois mandam eles para lugares ermos onde recebem muitos ensinamentos e são doutrinados de tal forma que não conseguem mais aceitar o capitalismo. Eu fui para Cuba, onde fiquei 28 dias estudando na Escola Nacional de Formação de Quadros Sindicais, mas nessa época eu já era comunista. Isso foi em 1997, faz tempo já e eu continuo comunista. Deve ser muito convincente essa doutrina!

Veja o caso do Bolsonaro. Ele combate um comunismo totalmente imaginário. Para os bolsonaristas, políticos como Dória, Witzel e qualquer que se oponha à sua aventura ditatorialesca é vermelho, na certa! Eu tenho que admitir, me tornei comunista lendo Jorge Amado, um dos mais importantes escritores brasileiros, escrevo poesia por que amo ler Neruda, comunista chilelo respeitado no mundo todo e sou apaixonado pelas crônicas do Carlos Drummond de Andrade, outro comunista. O meu caso não tem cura!

segunda-feira, 19 de abril de 2021

O DIA MAIS IMPORTANTE


Tem uns dias que a gente pensa que são mais importantes que os outros, e são justamente aqueles que passam mais de pressa! Tipo assim, um feriado no meio de semana para comemorar Tiradentes! Por sorte esse dia é amanhã e ainda dá tempo de deixar que ele passe lentamente, como a importância que a história vem dando para o fato que inspirou essa data comemorativa. Ontem foi dia do Índio, e daí? Meu tataravô veio da Alemanha para colonizar o Sul do Brasil, junto com muitos outros homens e, não tendo mulheres para todos se casarem, laçou uma índia numa aldeia e a levou para ser sua esposa. Essa história foi romantizada por gerações até que lideranças indígenas escolarizadas puderam explicar o tamanho da violência que isso foi para seu povo.

Um feriado é sempre uma boa desculpa para a gente se alegrar, mas já pensou que tem sempre uma tragédia por trás desse dia? Só neste mês celebramos a morte de Jesus Cristo, pregado numa cruz, e o esquartejamento de Joaquim José da Silva Xavier, sabe quem é? que teve as partes do corpo pendurado em postes no caminho entre Rio de Janeiro e Ouro Preto. Dia do Índio nem feriado é! Não dá para marcar um feriado para um genocídio que continua acontecendo!

Se eu fosse legislador, proporia Lei para ser feriado toda quarta-feira e todo sábado. Domingo deixava como está para podermos descansar! quarta-feira seria dia da acumulação capitalista e sábado para lembrar de todos trabalhadores que morrem na semana devido à exploração do trabalho no processo de produção capitalista.

Mas hoje é terça e, eu não tenho nenhuma ideia para esse dia, a não ser que se canonize mais um santo brasileiro que faça o milagre de curar a ganância dos políticos e dos banqueiros. Eu sei, isso é querer demais. Não há santo que de conta de milagre tão grande! Pelo sim, pelo não, continuemos rezando e orando em missas e cultos virtuais, quem sabe Edir Macedo ou Valdomiro Santiago ou o Papa nos ensine o caminho da riqueza! Ou da humildade.

Por ora, melhor agir com cautela, pois 20 de abril é o dia do Diplomata. E, nesses tempos bicudos onde facções políticas se agridem pelas redes sociais, quem sabe não devêssemos eleger a diplomacia como a atividade mais importante! Lembra daquele primeiro ministro que mandou o presidente da Venezuela se calar? E a diplomacia do Ernesto Araujo? Pensando melhor... voltemos nossas atenções ao Tiradentes e suas inconfidências!

quinta-feira, 15 de abril de 2021

CADA UM TEM O SEU SEGREDO

Me sento à mesa deste computador para escrever e não entendo como as palavras, tão disponíveis em outros tempos, de repente se escondem como se tivessem medo de uma contaminação qualquer desse vírus que anda fazendo as pessoas se trancarem em casa, para não serem visitadas mesmo depois da segunda dose da vacina. Dei de procurar na literatura para ver se encontrava caso parecido, se não, talvez tenha chegado o fim das minhas escritas! Não demorou e encontrei um Vinicius, penoso numa crônica de desabafo com a dificuldade da escrita, eventualmente presente na hora de mandar o texto para o jornal, isso lá pela década de 1960!

É certo que meu álibi vem das ruas. Além dos supermercados que se enchem nos sábados à tarde e as lojas que se esvaziam de segunda a sexta, só as igrejas, que agora são virtuais, têm público cativo, sem contar o Bolsonaro que, por mais que faça loucuras, tem um bando de seguidores insanos e fidelíssimos, para a vida ou para a morte! As ruas estão cheias de robôs programados para continuar produzindo e quando se transformam em pessoas ficam em isolamento dentro de suas casas, quando morrem adquire-se outro na linha de montagem.

Às vezes falta matéria-prima. Isso não depende da pandemia, a não ser que o industrial seja escritor e os textos precisem de relacionamentos. Aí só tem um jeito: seguir o exemplo das igrejas, fazer cultos, quer dizer, relacionamentos virtuais! Quem nunca teve um? Essa seara, ao contrário do texto bíblico, tem muitos operários. Ali se cultivam todos os tipos de loucuras. Andei experimentando, afinal, de onde vem uma boa história?

Histórias, em tempos de pandemia, preferencialmente via internet, que só tem vírus eletrônicos, desses que destroem o Hard Disk, mais conhecido como HD, podem eventualmente infectar relacionamentos tidos por absolutamente fieis. Uns chamam a isso de loucuras de amor, outros uma aventura sem maiores consequências, os padres e os pastores juram que isso é pecado, mas os poetas, contemplando o infinito criado por Deus, sabem por sabedoria do sentimento, que o amor, ah, o amor! pode ter lá as suas licenças e permissões, inda que se tenha que morrer de amor!

 Se déssemos atenção à República, de Platão, não teríamos necessidade de guardar segredos. Para o filósofo, tudo deveria ser comum, inclusive os homens, as mulheres e os filhos. Nada de propriedade particular! Pronto. Um grave problema moral estaria resolvido. Mas, não! Enquanto o moralismo sustenta a ganância de uma sociedade hipócrita, os segredos pululam pelas redes sociais. Quem ainda não tem um segredo, que atire a primeira pedra!

quinta-feira, 8 de abril de 2021

O DATENA VEIO PARA MATAR ROUBAR E DESTRUIR

 

- A Joana enlouqueceu!

Precisava de uma resposta mais esclarecedora? Precisava, talvez uma menos enlouquecida! Joana não podia estar assim, fora das suas faculdades mentais. Sempre fora tão disponível na comunidade. Não tinha um pobre que batesse à sua porta e de lá não saísse sem uma ajuda. Agora estava assim: Enlouquecida?

Estava. Estava que estava! O marido teve que mudar de casa. De um mês para cá Joana deu de imaginar que ele ia matá-la de noite. Reuniu os filhos para falar-lhes dos planos do pai deles para a sua morte, seria cruel, ela sabia, cuidara de observar seu comportamento suspeito. Não podia mais dormir, a qualquer hora ele daria a ordem e os capangas viriam para matá-la, morte cruel, mal pegava no sono e vinha o pesadelo. Uma noite, quando o marido a abraçou, querendo um querer de intimidade e ela estava quase dormindo, que já não dormia desde muitos dias, sentiu  o braço do marido no pescoço e, de um pulo empurrou o marido com tanta força que ele caiu fora da cama e quebrou o braço que ficou preso em baixo do corpo e teve que ser levado ao hospital de onde voltou engessado.

- Bem feito! Quem mandou tentar me estrangular?

- Ninguém enlouquece assim, do nada!

O Padre andava de um lado para o outro dentro da Sacristia. Beata Severina andava atrás, de mãos juntas jurando que sim, Joana estava louca! Padre Amâncio, queira chamar José, o marido, para uma confissão que pudesse esclarecer tudo. Não adianta padre, confissão é para Deus, padre não pode fazer juízo de valor e nem julgamento! Então deixa, melhor nem confessar... E os vizinhos o que dizem? Não dizem..., dizem..., quer dizer, dizem, mas dizem que não disseram, porque ela anda de um jeito que não dá para saber se não vai quebrar o braço de outro alguém, então é melhor não dizer, ou pelo menos dizer que não disse, caso tenha já dito alguma coisa.

- E o delegado?

Não pode fazer nada, ainda ninguém denunciou. Que mal ela fez? Quebrou o braço do José! Quem disse que ele não merecia? Homem é tudo igual! Dona Jaqueline sempre se colocava ao lado dos acusados achando neles alguma inocência que fosse. E Joana? Coitada, não seria difícil arregimentar um exército de pobres que formariam fileiras em sua defesa!

Enquanto a igreja se ocupava de racionalizar o sobrenatural, na Vila, a casa da Joana virou atração turística. Da janela ela alertava para o perigo que eram os padrastos e as madrastas. Não deixem seus filhos em casa, ela gritava a pleno pulmões. Parte do público ria das peripécias, parte se indignava, especialmente quando Joana aparecia seminua invocando Afrodite, a deusa do amor! “Mais, mais...” gritava uma galera que há uma semana programara o hapy hour para a esquina próxima da casa.

- Mas, o que afinal pode ter afetado a mente da Joana?

- Não sei, Padre, disse a beata Severina, só sei que pelas informações dos vizinhos, a Joana assistia sempre o Datena! E com o volume cada vez mais alto!

segunda-feira, 5 de abril de 2021

OS EXCLUÍDOS HERDARÃO A TERRA

 

JUVITA BALLARINI

Já passei um pouco daquela idade em que a gente corre atrás dos neologismos, especialmente esses do internetês que deixam a gente meio sem saber o que se quis dizer. Esse novo jeito de falar que os jovens inventam a cada dia para se comunicar pelas redes sociais parece um pouco com taquigrafia, aquela forma de escrever que os jornalistas tinham para escrever rápido, usando sinais que simbolizavam quase que somente os sons das consoantes. Estudei taquigrafia quando tinha vinte e poucos anos e copiava as matérias das aulas no caderno com esse monte de rabiscos depois traduzia para a língua formal e assim eu fazia duas coisas: Era admirado por conseguir escrever e depois traduzir e, fazendo isso, estudava duas vezes, daí minhas notas eram sempre boas! Eu queria ser jornalista...

O máximo que consegui como jornalista foram dois dias de redação no Jornal O Panfleto. Fui sumariamente demitido. Daí a Caixa me chamou e eu virei bancário e continuei minha carreira de professor por mais alguns anos. Mas nunca parei de escrever, agora me vem essa dificuldade de comunicação pela internet. Fds pode significar muitas coisas, inclusive ‘fim de semana’, pqp não precisa tradução e todxs é um novo jeito de falar assexuadamente. Fico no meu deboismo com certos exageros.

Meu espírito jornalista encontrou hoje o foco das atenções: Dona Juvita! Eu me chamo Juvita, ela disse, sou a irmã da Lorita. Disse ‘irmã da Lorita’ como se essa informação fosse muito importante. Dona Juvita veio visitar minha mãe. Sentou-se na cadeira de fios que lhe ofereci, pôs o saco que carregava, ao lado da cadeira e disse que queria saber como estava a vozinha. Aproveitei para saber um pouco mais dessa figura folclórica desse lugarejo onde moro agora.

Juvita, a irmã da Lorita, não sabe quantos anos tem. Precisa ver no registro. Ela diz ‘ver no registro’ com a maior naturalidade do mundo! Não sabe ler nem escrever e isso parece não ser importante para essa mulher que passou a vida alheia ao sistema que organiza as pessoas num modelo de produção de bens de capital. Nenhuma importância ela dá a quem se proponha a incorpora-la a uma lógica social racional.

 Católica, parece ser uma das poucas fieis a compreender o cristianismo. “Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus”. É quase incompreensível a simplicidade com que vive e se relaciona com as pessoas. O Sermão da Montanha é uma dura advertência aos ‘cidadãos de bem’. “Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra”. Pessoas como Juvita, a irmã da Lorita, herdará a o Céu e a Terra!!!!

quinta-feira, 1 de abril de 2021

ERA 31 DE MARÇO OU 1º DE ABRIL?

             Aproveito as duas datas para publicar esta crônica, já que a escrevo no último dia de março e será publicada no primeiro de abril, ambas datas com celebrações e troças. Sei que meus textos não agradam a todos que os leem, assim como a ditadura imposta às vésperas do dia da mentira, em 1964, não agrada aos que defendiam e ainda defendem a democracia, então aproveito que ainda temos democracia para celebrar as lutas sociais que advieram em oposição à fatídica madrugada daquele dia da mentira, primeiro de abril de 64.

Para ser sincero, prefiro mil vezes as loucuras de amor em tempos de paz! Fui jovem na década de setenta e oitenta quando o Brasil era governado pelo séquito de militares que prometiam um novo país ordeiro e seguro. Os bailes de salão embalados pela banda Os Wikins de Marechal Cândido Rondon faziam rodopiar os sonhos mais lindos e as garotas mais encantadoras, até que, em algum momento, para desespero da juventude, cantavam: Ai, ai, ai, está chegando a hora...

O líder da banda, o cantor Walter Basso, ainda faz sucesso com suas músicas e até hoje apesenta programa de rádio. O Brasil dos militares também fez sucesso. Obras como a transamazônica, a ponte Rio-Niterói e usina de Itaipu são obras de vulto. A Petrobrás se tornou a mais importante petrolífera do mundo e todo setor estratégico como riquezas minerais, telecomunicações, energia e navegação de cabotagem eram estatais e a indústria produzia seus próprios bens de capital! Tudo alimentado por captação de divisas externas abundantes, enquanto o povo encantava as praias do Brasil ensolaradas e cantava eu te amo meu Brasil! Mas, ai,ai,ai...

Quando voltei do Colégio Agrícola, em 1977, encontrei o grande amor da minha vida! Uma garota maravilhosa de quem tenho saudades até hoje. Me apaixonei pelos livros e fiz descobertas incríveis: Eles não usam black-tie, Cabra marcado para morrer, O que é isso, companheiro?, Zuzu Angel, Batismo de Sangue, Lamarca, Chuva sobre Santiago, Tortura nunca mais e outras obras que iluminavam a sangueira das Veias Abertas da América Latina.

Sinto saudades da minha garota como muita gente sene saudades da ditadura militar, uma ilusão sobre algo que não conhecemos bem. Conheci outras garotas e tive outros amores, a literatura engajada de Jorge Amado e o romantismo compromissado do Neruda me levaram ao altar da justiça social onde firmei compromisso eterno com a democracia e a igualdade de oportunidades, Leonardo Boff me levou direto à opção preferencial pelos pobres e Frei Beto ao socialismo cristão.

Afinal, foi 31 de março ou 1º de abril? Era tudo mentira?

domingo, 28 de março de 2021

SEMANA SANTA NUM MUNDO INSANO

             O mundo cristão comemora esta semana o evento mais importante do mundo religioso. Tem gente que ama peixe e não vê a hora do jejum da sexta-feira santa para cometer o pecado da gula, depois é só esperar a quarta-feira de cinzas e confessar, o padre manda rezar três ave-marias e, pronto: tá perdoado!

Este ano o caso está bem complicado. A maioria dos prefeitos e governadores resolveu fechar o comércio e as igrejas, justamente nesta época em que há um forte apelo em ambos os setores. O comércio sempre conta com datas especiais como essa para faturar alto e não são poucos os que protestam contra as medidas de prevenção contra COVID-19. Já as igrejas, com raras exceções, estão de boa com a prevenção. Nem é muito difícil de entender, comerciantes entendem que o Capital é mais importante que a vida e o lucro vêm do fortalecimento do capitalismo. Já as igrejas aumentam suas receitas se os fiéis continuarem vivos.

Não sou comerciante, então está até um pouco mais fácil fazer a crítica. Mas, Páscoa, que no original hebraico é pesach, e significa passagem parece uma boa metáfora para os dias atuais. A praga, que hoje chamamos de Corona Virus e vai ceifando vidas por todos os cantos, os Hebreus conheceram com outro nome, chamavam de morte mesmo. Enquanto os Egípcios protestavam contra a prevenção e viram seus primogênitos morrerem pela praga, os Hebreus vacinaram suas casas com o sangue do cordeiro.

Também não quero fazer nenhuma comparação maldosa, mas o Faraó também não aceitava nem um tipo de prevenção contra as pragas até que a morte ceifou pelo menos um dos filhos de cada família egípcia para só então tomar uma atitude mais prática e libertar o povo Hebreu da escravidão. Por esses dias em que no Brasil se chegou a mais de três mil mortes num único dia, parece que o Faraó vai libertar o povo comprando vacinas.

Esta semana levei minha mãe para tomar a segunda dose da Corovac, a vacina comunista que o Bolsonaro disse que jamais compraria. Comprou. É meio como que passar o sangue do cordeiro no umbral da porta. Este ano vamos comemorar a Páscoa! Entre o lucro que alimenta o capitalismo e o fiel que permanece vivo, fico com o último. Minha mãe foi Ministra da igreja por décadas. Jesus Cristo, uns diazinhos antes de celebrar a Páscoa passou pelo templo e expulsou os comerciantes e banqueiros gananciosos!

NÃO TEM A FOTOGRAFIA

 

Por que só posso imaginar

E não ver a fotografia

Das tuas pernas roliças

De que tanto te elogias?

 

Já te pedi e não queres me dar

A imagem que tanto quero ver

Do teu corpo lindo

Prenhe de prazer

 

Onde teus olhos negros?

Onde teus cabelos loiros?

A malícia do sorriso?

E a boca de batom?

 

Onde?

Se me negas o essencial

Da imagem do teu ser

Não posso te amar

Nem no dia do teu querer!

 

Ainda que me queiras

Ainda que eu te queira

Como podemos ter o amor

É imoral? É pudor?

 

Vivemos da fantasia

Do que não é permitido

Daquilo que o mestre Raul dizia

Ser a maçã, proibida!

 

Quem proíbe a maçã de se comida?

É o pudor, ou é a crença religiosa?

O senso moral. Que moral?

Qual é mesmo o mal?

 

O compromisso do dia da escolha

Tinha escolha? Racionalismo!

Eu me comprometo a ser fiel...

Não era a natureza. Era a razão!

 

Que razão tem a razão?

Onde está o amor?

Não quero mais o compromisso

Tenho razões para não querer

 

Já me basta a idolatria dos santos

Já me bastam os dogmas de Roma

Sou livre para viver.

Amanhã há de ser um novo dia.

Vou te amar até o amanhecer!

quarta-feira, 24 de março de 2021

TENHO UMA SOLIDÃO AQUI, QUER VER?

             - Oi, você pode falar agora?

Estou diante do computador, mas sempre tem um tempo... Assim começou uma conversa pelo WhatsApp que me deixaria sem o capítulo que pretendia escrever para meu livro que, de tanto que espera pelos acontecimento imaginados pelo autor, quase que desiste de imaginar o desfecho do caso que fez a personagem Laura a ter uma visão e ser levada para dentro do espelho até um lugar chamado Início, na Vila Menor.

- É que eu estou precisando falar, você tem tempo?

Sim, tenho quase todo o tempo do mundo, aliás, tenho mais tempo que vida, que depois da vida o tempo continua existindo. Então pode falar.

- Você sente solidão?

Tem pergunta que pega a gente de surpresa! Quem não sente? A solidão sempre me faz companhia e se ajunta comigo até quando estou rodeado de pessoas, tem uma espécie de solidão que se destaca no meio da multidão e faz a gente pensar que está só.

- As crianças estão na sala e meu marido está assistindo televisão...

Crianças são boas em disputar espaço com a solidão, elas falam com a gente sobre qualquer assunto e ficam perguntando sobre coisas que ainda não são capazes de entender e sempre perguntam: ‘Por quê?’ Porque sim, oras! Mas, tem um tempo em que a solidão se impõe e aí a gente dá um grito e as crianças vão pro seu canto dizendo uma para a outro que o pai ou a mãe está braba!

- Crianças é modo de dizer, já estão adolescentes e nem querem mais que eu fique com eles, é só o celular e o computador, às vezes assistem filmes, mas não querem que eu fique lá na sala.

E, eu em silêncio, só ouvindo, quer dizer, lendo as frases que pululam no Whats. Vão brotando como alfaces no canteiro da horta. E eu vou regando canteiros de pensamentos de solidão, esperando qual vai ser o próximo legume a ser cultivado. Não demorou e veio como um vendaval:

- Quero te mostrar umas fotos que fiz hoje, você quer ver?

Olhei para o Drummond que me olhava da estante com sua Boca de Luar. Não resisti, porque um escritor está sempre à procura de uma história e, fotos, assim, feitas hoje, e ainda mais com pergunta, quero te mostrar, você quer ver? Olhei outra vez para o Drummond, a Boca de Luar era pura sensualidade. Como pode alguém desenhar uma boca assim? Seria uma foto? Eu amo ler Drummond...

- Sim, quero. Quero ver!

domingo, 21 de março de 2021

TUDO É UMA QUESTÃO DE SEMÂNTICA

Estamos num tempo em que as palavras me faltam até mesmo para uma escrita sem compromisso, dessas que a gene publica só para entreter o leitor e quem sabe trazer um momento de desinteresse por tantos problemas que se avolumam nos noticiários dos jornais. Mesmo assim vou produzir este texto quase como uma súplica a algum eventual leitor que queira sugerir um assunto mais importante para a próxima crônica.

Não que faltem assuntos, só o dia de São José, incansavelmente comemorado neste mês, oficialmente no dia 19, já daria uma bela reflexão, tanto para crentes na sua santidade como para os que desconfiam dos dogmas da igreja católica. Pelo sim, pelo não, deixo os milagres do santo para os católicos, afinal não é tão mal assim acreditar em coisas boas! De minha parte, não compreendo muito bem como crentes de todas as denominações acabam sucumbindo aos males mundanos, dos quais deveriam estar protegidos pela sua fé, seja ela qual for.

Março também tem as águas de março que fecham o verão. Nem foram tantas as águas, mas o verão esse cumpriu o seu papel de esquentar o clima! As praias ficaram lotadas e os hospitais também, graças ao calor que levou milhares de pessoas às aglomerações, exatamente como apregoava o presidente da República! E era para salvar a economia! Agora temos mais de dois mil mortos por dia! Claro, era para salvar a economia, não as pessoas.

Ando evitando polêmicas em torno de questões político-partidárias, elas acabam colocando um bando de desinformados contra outro igualmente sem as devidas informações para o debate, o que torna inútil o confronto, no fim ambos saem perdendo e, pior, inimigos. Nem por isso deixo de, de vez em quando dar um pitaco aqui, outro acolá sobre o assunto, afinal o preço da gasolina e dos produtos alimentícios não aumentaram assim do nada! Basta lembrar que o preço da carne dobrou depois que o presidente visitou a China comunista e ofereceu nosso produto por lá.

Agora me dou permissão para uma cervejinha, Bohemia, a cerveja dos poetas! Que, se fosse servida na beira da piscina com a companhia da bem-amada, faria o tempo deixar de existir e, não havendo o tempo não há que se pensar nas consequências do que se possa fazer nessa hora!

quinta-feira, 18 de março de 2021

UMA CARTA DE AMOR

Ainda estou arrumando coisas que vieram com a mudança para o Paraná. Coisas que nem sabia ainda existirem, de repente aparecem em alguma gaveta, uma fotografia dos tempos em que as crianças eram pequenas e não precisavam do celular para se alegrarem, bastava um abraço e alguns minutos de atenção. Um álbum daquela viagem para a praia em Santa Catarina ou um acampamento na beira do lago de Itaipu em Porto Mendes, a Gruta do Lago Azul em Bonito ou a cachoeira do Véu da Noiva na Chapada dos Guimarães.

E por falar em noivas... deixa para lá! Entre as fotos antigas encontrei uma cartinha cheia de erros gramaticais. Foi mandada pelo correio! O mesmo correio que me deixou três anos esperando cartas de amor no Colégio Agrícola, elas nunca chegavam e também não levavam as minhas porque eu não as escrevia e se escrevia não mandava. Depois que me formei fiz concurso para trabalhar no correio: Operador de Teleimpressor! Passei no concurso, nunca me chamaram para trabalhar, acho que eu deveria ter mandado mais cartas!

A cartinha cheia de erros gramaticais tinha sido remetida do Paraná e eu já morava no Mato Grosso do Sul. Uma semana depois o correio bateu à minha porta para entregar a missiva: Carta para o senhor Elairton! Quando lembro disso fico com vontade de escrever uma carta e mandar pelo correio. Quando deveria ter escrito, não o fiz, agora sei o quanto perdi não recebendo cartas de amor pelo correio. Quem me dera voltar no tempo! Talvez um romance que demorasse pelo menos dezesseis dias para saber a resposta da bem-amada, oito dias para ir a carta e mais oito para a resposta, tivesse mais tempo para selecionar somente coisas boas a serem ditas.

A carta que recebi e que ainda guardo há quase quarenta anos, é a mais pura expressão do amor. Um amor que já não expressamos mais, não dá tempo para pensar quando chega a mensagem pelo WhatsApp. Em vez de oito dias, temos no máximo oito segundos. Com tão pouco tempo é improvável que sejamos capazes de expressar sentimentos de amor. O amor é paciente, bondoso, não se vangloria, não se ira facilmente, tudo espera, tudo crê e tudo suporta, inclusive dezesseis dias para ver a carta resposta! Nada disso é possível pelo WhatsApp, o correio está certo quando demora!

A carta que encontrei na gaveta foi mandada pela avó para minha filha que ainda não completara dois anos de vida!

domingo, 14 de março de 2021

UMA CERVEJA NA BEIRA DA PISCINA

Quando saí de Dourados deixei quase tudo para trás, mas algumas coisas não têm jeito, já penetraram por osmose, não tem como não carregar junto. Cada filho veio comigo, mesmo alguns já tendo se mudado para muito longe há anos, sempre estiveram lá, e agora estão aqui, juntinho dos que ficaram em Dourados, assim também os netos, vieram todos lotando o coração e fazendo algazarra nos pensamentos. E eles gostam de andar de skate! Às vezes vou andar de bicicleta e levo o skate junto para aproveitar uma descida no asfalto e tem sempre um vindo pela memória se equilibrando para um abraço do vô!

De quase tudo a gente consegue se desvencilhar. Não tenho nenhum plano de voltar, também não tenho de permanecer neste lugar para além da missão. Os imóveis vou vender e os amigos, deles eventualmente vou me lembrar, quem sabe até algum dia visitar! A história que deixei, alguém há de em algum momento se beneficiar ou ficará simplesmente para a história. Quase não há lembranças das quais valha a pena me lembrar, a não ser dos escritos que escrevi, das lutas sociais por justiça que lutei, das entidades que ajudei a criar e dos amores que tive. Tive?

Um poeta é sempre um poeta! E eu, sou altamente suspeito para falar dos amores. As poesias que fiz, quase todas foram dos amores que não tive! Mas, sim, tem sempre uma flecha do cupido passando de raspão e deixando em frente da casa uma frase lindamente escrita com gravetos numa belíssima declaração de amor em inglês, uma loucura de mobilete até um parque numa madrugada qualquer, uma relação sexual no provador de roupas da Riachuelo, ou os segredos do carro estacionado numa esquina qualquer. Me casei, formal ou informalmente, pelo menos quatro vezes. Sou testemunha em favor de qualquer que queira processar o cupido por desídia!

Certamente não sou o único a ter vivido o amor que não tive. O filósofo mais importante do cristianismo, Agostinho, escreveu eu suas ‘Confissões’ as aventuras amorosas que teve em sua juventude, antes de se tornar Bispo de Hipona. Entre os mil e setecentos anos que nos separam têm milhões de pessoas que buscaram num não-tempo na beira da piscina, tomando uma cerveja Bohemia, um amor descomprometido para compensar todos os amores frustrados de antes e quem sabe, quem sabe, delimitar o antes e o depois nessa linha tênue que pode separar a ilusão do amor pelo amor que não se ilude.

Agora escuto música pelo celular enquanto escrevo estas mal traçadas linhas e começo a revisar as crônicas e poesias que desejo publicar no próximo livro. É algumas coisas continuam iguais e nunca ficarão para trás!!! 

MARIA CLARA E SUA LINDA CABELEIRA (II)

                      Maria Clara tinha dezoito anos quando se casou. Seus cabelos castanhos, ondulados até o meio das costas, estavam guard...