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quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

NOVO ANO

 



O ano começa, ou começou, em primeiro de janeiro de acordo com o calendário gregoriano, instituído em 1582 pelo Papa Gregório XIII e adotado gradualmente por quase todos os países do mundo. Um ano velho se despede e um novo recebe as festividades promovidas por quem tem dinheiro ou poder; governantes gastam milhões em shows pelo mundo à fora mostrando para o povo sofrido como é bom ver o dinheiro dos impostos sendo queimados em fogos coloridos e apresentações musicais ‘gratuitas’. A mídia, devidamente patrocinada pelos empresários, convence até alguns pobres a comprarem fogos e fazerem festas de esperança por um ano melhor.

Mal o ano começa e as dificuldades vão aparecendo; os governos cobram impostos do carro e até das casas que foram adquiridas há muitos anos novos e ainda não estão quitadas. As empresas abrem as portas e um enxame de trabalhadores começam a produzir lucros para os patrões; trinta dias depois chegam os salários para garantir que, afinal de contas, nada mudou além do calendário.

Ano novo é sempre assim, mas às vezes acontecem coisas diferentes, como a invasão de um país por outro dominante. Os Estados Unidos, sob a liderança do extremista Donald Trump, ocuparam a Venezuela e prendeu o Presidente daquele país, e não era para restaurar a democracia, mas para que as empresas norte americanas pudessem se instalar e extrair o petróleo da maior reserva mundial conhecida.


Que impacto tem isso na minha vida? Aparentemente nenhum! Os preços nos supermercados não aumentaram e nem diminuíram por causa disso. Nem o Ano Novo e nem a prisão ilegal do Maduro foram capazes de me trazer mais conforto e alegria. Na Venezuela os magnatas do petróleo vão investir bilhões para lucrar ainda mais e fazer os Estados Unidos grande de novo.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

NA ESTRADA III


 



No meu celular toca uma playlist de rock, hoje eu fui na praia; gosto de rock e também gostei da praia, mas não sei tocar ou cantar a música, também nada sei da Enseada da Pinheira ou de Barra Velha; só sei que a Enseada, que fica em Palhoça, é uma praia muito bonita e em Barra Velha o mar está bravio e os bombeiros colocaram bandeiras vermelhas. O meu caminho segue. São muitos caminhos desde Rio Grande; são muitos pensamentos em cada caminho, parece que tem um EU diferente em cada lugar.






Dois lugares ao mesmo tempo? De jeito nenhum! Fiquei dois dias em Enseada e segui caminho até Barra Velha. O mar é o mesmo só que de um jeito diferente. Eu também, sou o mesmo, mas os sentimentos são diferentes. A vida num camping é diferente porque a sociedade que se forma nesse lugar é feita de pessoas diferentes, com culturas e costumes diferentes, mas todos estão ali por um só objetivo: Ser e estar num lugar diferente!



A sociedade do camping é formada por pessoas que decidiram sair de casa, alguns para passar um fim de semana, outros porque decidiram viver num motor home, outros ainda, só para uma viagem. Eu estou neste último grupo, estou indo para casa. Talvez EU esteja lá, esperando pela minha volta, mas talvez esse EU que me espera já seja outro, talvez eu seja outro quando voltar para casa. O camping é um espaço dinâmico, cada dia chega ou sai alguém, cada dia somos diferentes num espaço diferente.



Meu prazo nessa nova sociedade está se esgotando, amanhã mesmo vou para São Bento do Sul para viver em sociedade com minha filha e meu genro, e lá estarei até o Natal.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

NA ESTRADDA II

 



O caminho segue, de Kombi, de Rio Grande até Tapes: 230 quilômetros; os pensamentos voam pelo asfalto e as emoções vão junto, às vezes ultrapassando a velocidade do veículo, às vezes lentamente como se não estivessem interessadas no caminho. Tapes existe, é uma cidade antiga, fundada no século XIX, teve origem numa fazenda de produção de charque. Tapes tem o privilégio de estar às margens da Lagoa dos Patos onde uma linda praia atrai muitos turistas. Quando chegamos na área de camping, estava acontecendo um festival de música e teatro em comemoração ao encerramento do ano letivo das escolas municipais; os filhos orgulhosos no palco e os pais mais orgulhosos ainda aplaudindo tudo de certo e de errado nas apresentações que pais são assim mesmo!


No dia seguinte deixei meu filho em Porto Alegre e segui na poesia até Torres. Sim, na Poesia, esse é o nome de batismo da Kombi. Em sua homenagem vou lançar, no início do próximo ano um livro, claro, de poesias. Em Torres eu e a Poesia apreciamos uma das praias mais famosas do Rio Grande do Sul; praias e belos paredões de pedras que separam o mar do continente.


Me despedi do Rio Grande do Sul e a Poesia me levou até um lugar onde aconteceu uma das lutas mais importantes do Sul do Brasil: A Revolução Farroupilha, na batalha do dia 22 de julho de 1839 entre a então República do Rio Grande e o Império do Brasil, consagrou para sempre a memória de Anita Garibaldi, a mulher invencível de dois mundos. Na praça do Centro Histórico tem um museu que reconta a história da cidade, mas em frente do museu está a estátua da mais importante lutadora pela liberdade do povo do Sul. Anita Garibaldi nasceu na Itália em 1821, onde lutou pela unificação do seu país e morreu em 1849.


Eu e a Poesia estamos fazendo uma viagem de introspecção. De dentro de nós mesmos olhamos para os lugares que se diferem a cada dia e vemos tantas coisas que quase não fazem sentido para nossas vidas. Quem sou eu nesses lugares? Qual é o meu lugar nessas histórias? Por que eu me interesso por elas?

domingo, 14 de dezembro de 2025

NA ESTRADA – DE KOMBI

 



Estou viajando de Kombi, viajando na vida, à procura de um ser estranho chamado: Mim Mesmo! A viagem está apenas começando e eu já sou diferente; atravessei quase um estado, passei por diversos estados emocionais; não sabia que o Rio Grande do Sul tinha as belezas que têm, e olha que eu só vi um pouquinho. Dentro de mim têm tantas vidas que nem sei encontrar o significado de cada uma. Também não sei onde estão as ‘cada uma’ das vidas que tenho dentro de mim.


Dois dias passei na Praia do Cassino, a maior praia do mundo; tão grande quanto fria. Foram os primeiros dois dias de solidão na Kombi; o frio dentro de mim parecia tão grande quanto a praia: 240 quilômetros! Não me arrisquei entrar nas águas geladas do mar, achei melhor não me afogar em pensamentos frios e quase estranhos, ainda que à vista das emoções. A Praia do Cassino tem uma história interessantíssima, foi o primeiro balneário em mar aberto do Brasil, tem um navio argentino afundado que virou atração turística e um hotel abandonado nas areias da praia. Eu tenho uma história, interessantíssima? Costumava ser o último em quase tudo e andei afundado em tristeza e acanhamento por uma vida inteira, meu hotel costumava estar abandonado.


A segunda viagem da Kombi foi para ver cachoeiras. São lindas as quedas d’água por sobre as rochas duríssimas e persistentes, lá embaixo formam um poço profundo onde se pode nadar e apreciar a água que lava o corpo e a alma. Parece que a alma desce junto com a água da cachoeira; água geladíssima e que se espalha por vários caminhos até chegar no remanso e daí seguir por entre as pedras, do mesmo jeitinho que a vida. Eu me vi ali naquela queda livre, o choque contra as durezas da vida, o remanso e milhares de pedras. Mas tinha uma beleza! A alma tem um atrativo, mesmo nas quedas ou entre as pedras, mas é no remanso que as pessoas se acomodam, basta outra pedreira e, pronto! Só restam os olhares e os comentários, no máximo umas pisadas.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

HISTÓRIAS

 



Tenho muitas histórias para contar. Quem não as tem? Mas como contar as histórias sem parecer que sejam inventadas só para ganhar likes nas redes sociais? Não que as curtidas não sejam importantes, mas escrever para agradar leitores que não se importam em pensar é mais fácil e totalmente inútil para a cultura. Histórias precisam de um conteúdo que transforme a vida de quem as lê. E hoje eu tenho uma, que está transformando a minha vida: Comprei uma Kombi home!

Neste exato momento estou de frente com a maior praia do mundo: A Praia do Cassino, em Rio Grande, RS. É uma praia diferente, com certeza. Além da ‘grandeza’, possui mais de duzentos quilômetros de extensão, tem um diferencial importante da maioria das praias, aliás dois: A faixa de aria é enorme e é permitido, e até incentivado a entrada de veículos na faixa de aria até na beira do mar; é, também uma das praias mais frias do Brasil. A água do mar é fria a maior parte do ano, mas, mesmo no verão tem uma corrente de ar gelado que espanta os banhistas.

Nem por isso deixa de atrair turistas; eu vim inaugurar minha Kombi aqui. Eu moro há mil e quatrocentos quilômetros de distância, e, não, eu não viajei tudo isso só para estar aqui na primeira viagem. Meu filho mora em Rio Grande e a Kombi foi adquirida aqui, então inaugura-la neste lugar maravilhoso é quase o óbvio. Poderia ter ido para a Praia da Capillha que fica na Lagoa Mirim, outro lugar bacana, pretendo ir lá também, mas estar na Praia do Cassino é uma marca que eu quero. Daqui a pouco, à noite, tem uma feira de artesanato na avenida principal e vale à pena ver.

Além da praia em si e da feira central, vale visitar os Molhes da Barra do Rio Grande, uma bela estrutura de pedras feita para amenizar a força da água e permitir que os navios trafeguem com mais tranquilidade por esse ‘canal’ formado pela barreira de pedras. Um carrinho movido pelo vento, chamado de vagoneta, transporta os turistas por um trecho de 4 quilômetros até onde tem trilhos de trem, depois é só se equilibrar sobre enormes pedras até chegar no farol e tirar uma foto da vitória.

O navio Altair, afundado por um ciclone desde 1976 é outra atração imperdível; andando pela praia se chega ao que resta da embarcação que saiu da Argentina com destino a Natal e não resistiu aos ventos fortes daquele ano.

A praia do Cassino é o balneário mais antigo do Brasil, fundado em 1890, era destino dos endinheirados que se hospedavam no luxuoso Hotel Atlântico. Hoje é um destino democrático, acessível até para quem anda de Kombi home. Ainda bem!

sábado, 15 de novembro de 2025

RENOVAÇÃO

 



Esta semana eu estava andando a pé por uma rua da cidade quando, num cruzamento, um ciclista quase foi atropelado por um automóvel; o motorista brecou o carro, buzinou fortemente, daí abaixou o vidro da janela e xingou o coitado do ciclista assustado que caíra da bicicleta. “Isso é mesmo o fim do mundo!” Exclamou uma senhora que andava quase ao meu lado na calçada. Sim, isso é o fim! O mundo não resiste mais à tanta ignorância.

Esse motorista é uma bela metáfora da sociedade. O mundo está cheio de ‘motoristas’ de carro atropelando ciclistas e se achando na razão, afinal, eles estão andando num carro que custa pelo menos umas cem vezes mais que uma bicicleta. Como pode um ciclista reivindicar qualquer direito diante de tamanha discrepância financeira?

Por séculos motoristas brancos atropelaram ciclistas negros e ainda hoje se prendem os pretos pelo simples fato de serem pretos e pobres. Não só pretos, mas pobres em geral são atropelados socialmente porque os que tem, ou pensam ter, dinheiro se acham nesse direito.

É certo que os pobres lutam, mas a luta parece ser inglória; é bíblico, até Jesus teria dito: ‘Os pobres sempre os tereis’. Desde que a sociedade se ‘organizou’, os mais pobres sempre foram atropelados porque o poder não está na moral e nem na ética, mas no dinheiro e no capital.

Bem na minha cara, na parede acima do meu computador, está um quadro do saudoso Sebastião Salgado mostrando o momento exato da ocupação de uma fazenda pelo Movimento Sem Terra. O MST é o maior produtor de alimentos orgânicos do Brasil, ainda assim é tido, por muitos, como um grupo terrorista!

Mais de setenta por cento dos alimentos são produzidos em áreas de agricultura familiar, mas o glamour é dado aos grandes produtores de commodities cheias de veneno e que vão diretamente para os portos de exportação. O grande capital vive atropelando os trabalhadores nas esquinas e ainda os xingando de vagabundos e baderneiros.

Talvez tenhamos que voltar ao texto bíblico de Romanos 12:2, que diz: “E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação de vossa mente, ...”

terça-feira, 4 de novembro de 2025

SEM SENTIDO

 



Em física, quando se estuda vetores, aprende-se que eles têm módulo, direção e sentido. O módulo e a direção não me interessam, mas o sentido é para onde aponta a seta do vetor, é para onde ele vai, para onde a vida vai. E quando ela vai para lugar nenhum, qual é mesmo o sentido?

Eu poderia ficar por horas discorrendo sobre o módulo, que é a medida da vida. Quantos ano? 80, 90, 1.300? De que vale isso se a parte que interessa é o presente e o momento presente é um módulo que tende a zero; o resto é tudo passado ou futuro e a vida só tem sentido no exato momento em que a estamos vivendo, ou seja, no momento presente que não passa de uma fração ínfima de tempo.

Também poderia ficar outro tanto de horas falando de direção: horizontal, vertical, diagonal. Parece que o vetor está sempre sobre o plano ou espaço. Assim é a vida, morna e sem graça se muito planejada; arriscada e emocionante se sai do plano. A vida só tem sentido quando perde o controle.

Um vetor é física, é matemática, é biologia, mas a vida só tem sentido quando não se dá um sentido para ela. Se a vida só vai para a direita, para a esquerda ou para a vertical então ela é um vetor, e vetor é uma doença. Epidemiologistas estudam vetores!

A vida só tem sentido se for livre dos sistemas, das crenças limitantes, das ideologias, dos dogmatismos. Uma vida com sentido é extremamente perigosa para qualquer sistema. Arrisca-se a viver aquele que sai da caixinha modular onde se vai acrescentando módulos à cada fase da vida até que esteja cheia e então seja substituída por outra mais moderna.

Sentido também pode ser sinônimo de bom-senso. E o bom-senso me diz que não faz o menor sentido a maior parte das coisas que a sociedade chama de bom-senso. Nós nascemos livres de ‘bom-senso’ e a vida não tem a menor necessidade dele; o sistema sim!

sábado, 1 de novembro de 2025

REVOLTADOS

 



Eu tenho um blog, este mesmo, é meu domínio, e nele eu publico o que eu quiser, sem censura e sem restrições, por isso que o blog se chama: Literatura Para a Liberdade. A única restrição para minha liberdade é a legal, se bem que às vezes o que é legítimo tem mais valor.

Em geral a lei diz, e depois desdiz, que todos somos livres e iguais. Livres para obedecer e iguais para participar dos processos legais. É tudo muito bonito! E é bom que tenhamos uma referência de direitos e obrigações. Pelo menos teoricamente isso nos faz iguais na sociedade, mas...

Mas, tem um treco na constituição que nos faz diferentes perante a lei. É um direito fundamental, artigo 5º: o direito à vida à liberdade, igualdade e à segurança. Todos devemos respeitar esses direitos.

A constituição também tem outros direitos, chamados sociais, artigo 6º: todos os cidadãos têm direito à educação, saúde, alimentação e moradia. E, sendo direitos constitucionais, é dever do estado garantir esses direitos ao cidadão.

Eu acho que eu consigo preservar esses direitos. Sou um cidadão brasileiro, tenho casa própria, um carro e um salário que supre essas necessidades. Com minha renda eu consigo comprar aquilo que se chama constitucionalmente ‘direitos sociais’. Todavia, se eu tenho que ‘comprar’, já não me é um direito!

Já houve um tempo em que eu não tinha nem se quer o direito de comprar porque simplesmente eu não tinha dinheiro suficiente para isso. Estima-se que no Brasil mais de 50 milhões de pessoas vivem abaixo da linha da miséria. Isso quer dizer que eles não têm o direito de sequer se alimentar; essa situação elimina não só o artigo 6° como também o 5°. Para que serve mesmo a constituição?

Por outro lado, dez por cento da população detêm mais de quarenta por cento da riqueza enquanto que outros 40 por cento ficam com renda em torno de 14 vezes menos que o primeiro grupo. O sistema que proporciona tamanha injustiça social se chama capitalismo.

Entre os mais ricos e os mais pobres tem uma tal de classe média, cuja única função é doutrinas os de baixo com a ideologia dos de cima.

Ah, eu sou revoltado? Sim, eu sou.

quinta-feira, 23 de outubro de 2025

VIDA LOUCA

 





Erasmo de Rotterdam, em seu Elogio da Loucura, fez muito bem em defender esse estado mental mais livre e descompromissado com as regras de comportamento social. Na verdade a vida é muito louca mesmo! E eu me conforto com a defesa que Rotterdam faz de grande parte dos meus comportamentos e até me sinto de certa forma lisonjeado; eu decididamente não concordo com a maioria das regras de sociedade.

Nem mesmo com as democráticas, ou pelo menos essas que se dizem tal. Desde Jean-Jaques Russeou, mais precisamente, desde 1.762 quando foi publiccado seu O Contrato Social, que a democracia vem se debatendo entre ditadores disfarçados e elitistas enrustidos. E, quando alguém tenta defender de fato a democracia, necessariamente num viés social, logo é taxado de comunista por quem não tem a menor ideia do que seja o comunismo. Mas, também por quem sabe muito bem o que é e odeia a possibilidade de isso ser compreendido pelo povo.

Erasmo de Rotterdam viveu entre 1.466 e 1.536 e o discurso da loucura teria sido escrito em 1.509 na casa do escritor e filósofo Thomas More, autor de Utopia, belíssima obra que pode ter tido como referência geográfica a Ilha de Fernando de Noronha. Na obra de More, os valores sociais são completamente invertidos e, o que parece normal para o mundo “exterior” é absolutamente normal na Ilha. Isso é uma loucura! Diriam os ricos ao ver que exibir correntes de outro ou outros objetos “preciosos” era símbolo de condenação, só os condenados usavam joias. Isso me fez lembrar de joias, muitas joias, as que foram e as que seriam desviadas do governo. Umas valiam mais de 14 milhões de reais, certamente para condenação. Hum! More estava certo!

Existem muitos loucos por aí, uns são chamados de Poetas, outros de Filósofos, alguns espiritualistas. Até os matemáticos! eu sou matemático! Já escrevi umas poesias e até dei uns pitacos filosóficos e sou religioso, louco para viver a eternidade num lugar onde não haja razão!

Gosto mesmo dos renascentistas, eles eram loucos por escrever livremente durante a idade das trevas. Hoje vivemos em outra idade das trevas, e precisamos de muitos loucos para escrever livremente.

quinta-feira, 16 de outubro de 2025

LEGADO

 



Legado é aquilo que se deixa para trás. Às vezes algo aproveitável, outras vezes uma espécie de vazio e outras, ainda, totalmente reprovável. Mas, quem é que pode dizer qual legado é bom ou ruim ou inútil?

Têm milhares de cristãos no Brasil que amam o legado de violência que o primeiro ministro de Israel está deixando, e são os mesmos que amam o legado de paz deixado por Jesus! Mahatma Gandhi é venerado pelas mesmas pessoas que usam do legalismo para explorar os pobres. O presidente Trump promove um capitalismo bárbaro e excludente e se diz candidato ao Prêmio Nobel da Paz!

Estou lendo o texto original, na versão em português, do clássico “A Divina Comédia Humana”, do poeta Dante Alighieri. Dante viveu entre 1265 e 1321 e deixou esse escrito para muitas gerações. Esse é um legado que nos deixou o período Renascentista. Essa publicação de mais de setecentos anos, que fala de um inferno que não existe, de um purgatório ilusório e de um céu onde ele não esteve de verdade, e ainda não está, é uma obra prima da literatura mundial e deveria ser lida por todos que, de alguma maneira, desejam deixar um legado para, pelo menos, a próxima geração.

E por falar em poeta, ah, que saudades de ler um Vinícius ou um Drummond, ainda hoje vou revirar algum sebo e tentar encontrar algo que ainda não li. Talvez eu deixe mais algumas palavras tortas em linhas retas para a próxima geração. Poesia não é difícil de fazer, mas me parece complicado demais fazer poesia que valha à pena. E essas, as que valem à pena, parece que são justamente as que falam de um jeito simples as coisas ‘simples’ da vida. Quando vejo um texto de alguém que diz exatamente que horas são quando está escrevendo, e fala do tempo e deixa derramar os sentimentos, como o faz a Katuxa, isso para mim é pura poesia!

A Katuxa pode nunca ter pensado em deixar um legado para as próximas gerações, mas com certeza já deixou para esta, deixou para mim. Eu queria que a Katuxa escrevesse um livro, eu o compraria, o leria para ver o que ela escreveria a cada vez que marcasse as horas e os minutos em que estava diante do computador. Então eu guardaria o livro dela na minha biblioteca e ali ele estaria, disponível para a próxima geração de leitores. Um belo legado.

segunda-feira, 6 de outubro de 2025

ENSIMESMADO

 



Eu estava querendo escrever sobre mim mesmo, de como eu ando meio compenetrado, mas essa palavra não descreve a minha situação. Estou evitando falar ensimesmado, que eu acho mais representativa do meu caso, porque fiquei com uma dúvida: Posso dizer ensimesmado, se for para mim mesmo? Tenho a impressão que ensimesmado se refere a uma terceira pessoa, quando dizemos que alguém está como eu agora.

Para evitar a crítica ácida dos gramáticos, posso trocar esse adjetivo por outro, talvez mais significativo. Que tal meditabundo! Apesar de parecer um palavrão, meditabundo é mais ou menos como me sinto, meio triste, melancólico, cogitabundo. Ish! Outro palavrão!

Mas, por que eu ando tão meditabundo? Aí eu respondo com outra pergunta: E quem não ficaria assim, meditabundo, quando passa pelo que estou passando? O que eu estou passando? Acabei de descobrir que pênfigo não tem cura, e eu estou com pênfigo! E não ter cura nem é o problema. O problema é ter que se adaptar à doença para poder continuar vivo, e eu quero continuar vivo!

Adaptar-se à doença, significa que agora é ela quem vai dizer como eu vou viver, o que vou comer, o que vou beber e até o que eu posso e não posso pensar. Aliás, o que a doença do pênfigo me diz realmente é o que eu não posso comer: carne de gado e de porco, isto é, churrasco está definitivamente banido! Carne de frango deve ser evitado e, se comer, que seja sem a pele e nunca, nunca mesmo, assado. Ovos, três por semana! Frutos do mar nem pensar. Bebidas alcoólicas estão terminantemente proibidas, as não alcoólicas também, com a raríssima exceção da água. Se eu pudesse viver só de água, então não teria nenhuma restrição, desde que não seja mineral e com gás!

Como não ficar meditabundo, cogitabundo e macambúzio ao mesmo tempo? E taí outro problema: Eu não posso ficar assim, com todos esses adjetivos na minha vida. O pênfigo é uma doença autoimune, portanto de causa emocional ou psicológica. Isso significa que, se eu permanecer na situação que estou agora, a doença vai se alimentar disso e vai se fortalecer e eu vou ficar mais macambúzio ainda, um verdadeiro sorumbático!

Mas, eu não me entrego fácil, não! Um alemão que se preza nunca se entrega. Dizem que alemão é mais teimoso que duas mulas, e se tiver o sobrenome Gehlen, então pode dobrar a aposta. Eu vou é viver a minha vida, e o pênfigo que se dane! Acabei de comprar uma Kombi home, fim de ano estarei morando nela e vivendo pelo mundo. Comida vegetariana também é comida e água também é bebida. O pênfigo não gosta? Problema dele! Na beira do mar, meu emocional vai estar fortalecido!

terça-feira, 23 de setembro de 2025

SE EU PUDESSE ESCOLHER, EU QUERIA SER....

 



Eu sempre quis muitas coisas. Quando era criança eu queria mesmo era ser grande; quando cresci, desejei fortemente voltar no tempo para poder ser a criança que não fui. Se eu pudesse, de alguma forma, voltar para o passado, talvez o homem que me tornei fosse mais seguro, menos tímido e não cometesse todos esses erros que cometi. Ou iria?

Se eu pudesse escolher, eu não escolheria ser um humano. Os humanos são muito maltratados. As galinhas criadas em aviários são muito melhor cuidadas! Desde a gestação, feita em salas especiais, com controle de temperatura e humidade, elas recebem atenção constante de pessoas treinadas para que nada atrapalhe o ovócito germinado até que saia da casca para se tornar um pintinho lindo e querido. E valioso!

Diferente dos pintinhos, os humanos, quando nascem, não tem nenhum valor comercial, talvez por isso não sejam cuidados pela sociedade como os pintinhos. Estes, os filhotes de aves, logo são levados para granjas onde tem ambiente aquecido na temperatura ideal, recebem alimento farto, água tratada e o cuidado constante para se desenvolverem saudáveis porque eles têm valor comercial, os humanos não. Mas eles vivem apenas uns trinta e poucos dias, daí são mortos, porque têm valor comercial.

Os bois vivem mais. O tempo de gestação de um bezerro tem o mesmo tempo da gestação de uma criança, com a diferença que as vacas em gestação são normalmente melhor cuidadas do que as mulheres porque eles, os bezerros, têm valor comercial. Os bezerros, assim como os pintinhos, são bem cuidados por pessoas treinadas que lhes oferecem alimentos em abundância, água limpa e toda a medicação necessária para conservar a saúde, se for necessário, tem também médicos veterinários que fazem atendimento domiciliar sempre que forem solicitados. Diferente das galinhas, que vivem presas em galinheiros, os bois costumam ter um espaço maior para usufruir a vida. Enquanto as galinhas vivem um pouco mais que trinta dias, os bois vivem aproximadamente três anos antes de serem abatidos.

Os seres humanos têm expectativa de vida de mais de setenta anos e o sistema econômico e social onde vivem é o mesmo onde se criam galinhas e bois. Tem uma coisa que eu não entendo: Por que os seres humanos, que tem expectativa de vida maior que as galinhas e os bois, e cuidam tão bem deles, não são capazes de cuidar dos seres humanos tão bem como cuidam das galinhas e dos bois? Seria porque não tem valor comercial?

O homem mais poderoso do mundo não se importa com a morte de todo um povo na Palestina porque ele tem um projeto de construir um Resort na orla do Mar Mediterrâneo. Um Resort é um lugar bonito, bem cuidado. Um Resort, diferente de um ser humano, tem valor comercial.

Se eu pudesse escolher, o que eu seria mesmo?

quinta-feira, 18 de setembro de 2025

O LADO DO CORAÇÃO

 



Teoricamente, o coração fica do lado esquerdo do peito; teoricamente é no coração que moram os sentimentos de amor, compaixão, alegria, tristeza... Teoricamente, claro, primeiro porque o coração não está efetivamente do lado esquerdo, e nem no direito, mas mediastino, que é a região central entre os pulmões e apenas um pedacinho dele, chamado ápice, é que se inclina para o lado esquerdo, e é ali que sentimos quando o ventrículo esquerdo se contrai para bombear o sangue para o corpo todo, aí temos a falsa impressão que o órgão todo está desse lado do peito.

Também não tem muita ciência, nenhuma na verdade, a ideia que os sentimentos moram no coração. Nem por isso deixamos de acreditar que os apaixonados têm residência fixa entre os ventrículos! É o coração que bombeia o sangue para o corpo; sangue é vida. E tem vida mais viva que paixão? Uma paixão que se presa se esparrama pelo corpo todo, entre calafrios e arrepios; quenturas e excitações. A mente está presa no cérebro, mas o coração apaixona o corpo inteiro. Então, que seja, ainda que teoricamente, os sentimentos estão mesmo no coração, ainda que seja apenas para os apaixonados.

Lado esquerdo e lado direito têm muitos sentidos e eu não quero ficar elucubrando sobre quem se assentava à esquerda ou à direita do presidente do Parlamento francês durante a Revolução Francesa; se eram simpatizantes da revolução ou partidários do rei, isso já não faz mais diferença. Me importo com os extremos, tanto um quanto outro se fizeram depois, muito depois de 1.789. E certamente embruteceram barbaramente e tem séquitos emburrecidos por todos os lados.

Do alto do meu sexagenário tempo de vida, me é relativamente fácil perdoar extremistas. Mas, a conta tem que ser paga; perdoar não significa isentar de culpa, menos ainda anistiar aquele que deseja firmemente continuar agindo com o mesmo propósito culpável.

Eu sinto meu coração batendo do lado esquerdo, próximo do centro, e é ali que me acomodo e me apaixono. Nunca sofri dessa condição congênita conhecida como destrocardia!

sábado, 13 de setembro de 2025

QUANTO É MESMO ETERNAMENTE?

 



Num sábado à noite não sei como mensurar o quanto é eternamente, o próprio sábado já me parece eterno, então, se somo a esse eterno a ansiedade que vivo a cada dia, eternamente me parece um tempo tão grande que nem na eternidade será possível descreve-lo.

Não fossem os sábados, talvez não existisse a eternidade. O sábado é o fim! É o fim da semana. É o fim das metas impostas. É o fim do entendimento que se tem desde o começo da semana. Sábado é o fim, mas ele teima em não acabar. É no sábado que se vive a eternidade, os outros seis dias da semana são de trabalho inútil para o desenvolvimento de um sistema capitalista que destrói o mundo.

O sábado é a renovação da esperança, é no sábado que os bares se enchem de gente que trabalhou a semana inteira para alimentar um sistema mau e agora sonha com um mundo sem os males do sistema.

As horas do dia podem até terminar, mas o sábado se prolonga pelo infinito da madrugada até que finalmente nos entregamos ao sono, e ele, o sono, dura uma eternidade e quando acordamos o mundo já é outro completamente diferente e o domingo é a marca da desilusão, porque a partir dele começa outra semana de dias finitos e tediosos onde não sobra tempo para viver.

A eternidade é o tempo que dura o sábado daqueles que acreditam que esse dia é o dia do Deus eterno e foi ele que fez o sábado para que nesse dia não trabalhemos de jeito nenhum. E quem fez o sábado também fez a eternidade, inventou o tempo e o livre-arbítrio para que os seres humanos pudessem escolher entre o finito e o infinito. Acreditar, vai do livre-arbítrio de cada um. Tem gente que fica infinitamente acreditando que uma mentira é verdade; tem gente que nunca acredita na verdade. Eu acredito na vida eterna e que o sábado foi feito para quem acredita na eternidade.

Dia de sábado eu não trabalho, nem sexta, porque é véspera de sábado, nem quinta porque é véspera da véspera do sábado. Também não trabalho na quarta porque é meio de semana e já está na hora de descansar um pouco. Terça é dia de se preparar para o descanso da quarta e na segunda é o dia de fazer planos para passar mais uma semana sem fazer absolutamente nada, e a semana inclui o domingo que é dia que não se trabalha por lei e não seria eu a descumprir a legislação justo nesse dia.

E assim são os meus dias: eternos! Eu só escrevo. Escrever é trabalho?

terça-feira, 9 de setembro de 2025

COLÉGIO ELEITORAL

 



O Presidente do Brasil é eleito de forma direta, eu, você e todos os eleitores aptos a votar e que forem às urnas no dia da eleição escolhem o candidato que mais agrada, e confirma o voto, daí o Tribunal Superior Eleitoral faz a contagem e o que tiver mais votos será anunciado como eleito e irá cumprir seu mandato até que novas eleições aconteçam. É assim nos países com democracia plena como o nosso.

Em alguns países o processo eleitoral é indireto. Por lá, os eleitores votam para formar um Colégio Eleitoral que irá escolher o presidente. É assim em Cuba, por exemplo. É assim, também nos Estados Unidos da América. Nesses países a democracia não é plena, já que não é dado ao eleitor o direito de eleger o representante máximo da nação. Só a titulo de ilustração, esse modelo era utilizado no Brasil durante a ditadura militar.

Mas, democracia não é só o direito de votar e ser votado. Democracia é o direito de participar nas decisões políticas, de criticar ou elogiar, de receber os benefícios da governança, de poder se organizar enquanto sociedade civil e até de protestar quando algo vai mal na aplicação do dinheiro público ou na forma inadequada de governo.

Ganhar ou perder uma eleição faz parte do processo. Às vezes se ganha, às vezes se perde. Eu mesmo já fui candidato à vice-prefeito da minha cidade, perdemos a eleição e respeitamos o vencedor. Tem candidato que protesta contra o resultado, recorre ao judiciário e até faz algum tumulto. Até aí, tudo bem, o que não se pode é arrebanhar pessoas de boa fé, doutrinando-as com mentiras, e fazendo-as cometerem crimes como os do dia oito de janeiro de 2023.

O candidato Jair Bolsonaro não se conformou em perder o pleito eleitoral, o que sucedeu todos sabemos. Inconformado com a eleição, o ex-presidente, que gostava de chamar o adversário de ‘ex-presidiário’, jamais imaginava passar por outro processo, agora num Colégio Eleitoral, o mesmo que tentou, por anos, desqualificar.

Nada como um dia depois do outro. Neste momento, às vinte horas mais trinta e cinco minutos do dia 09 de setembro, o placar está em dois a zero, basta mais um único voto e o inconformado candidato derrotado será eleito para cumprir um novo mandato: o de presidiário. Quando ele sair, talvez saiba o peso que é ser chamado de ‘ex-presidiário’.

quarta-feira, 27 de agosto de 2025

20.000!!!!!!!!!

 


É hora de comemorar!!! 


 

Mas, qual página? A minha, claro! Meu Blog alcançou mais uma marca a ser celebrada.



LITERATURA PARA A LIBERDADE não é meramente uma marca comercial com interesse de atrair o interesse de leitores, é a expressão do meu direito de escrever livremente. E também o direito dos leitores de fazerem seus comentários. E eu tenho o prazer de dizer que são muitos, tem mais comentários do que postagens:



Eu amo ler cada um dos comentários!

 

O texto mais visitado do blog é também o maior texto publicado até hoje:

 

               Quando comecei a escrever essa história, o projeto era concluí-la no terceiro capítulo, mas os personagens ganharam vida própria, agora já são vinte e sete capítulos publicados e teremos pelo menos mais uns três.

Essa postagem recebeu 345 visitas!



               Sempre tem visitantes de outros países. Nesta semana a estatística do blog mostra que pessoas de pelo menos dez países viram meu blog:

                        Mas, às vezes a lista surpreende! O número de visitantes estrangeiros na semana do dia 04 de agosto foi impressionante:

                        Nos últimos dois meses, a média de visitas ficou acima de 700/mês.




                    Eu amo escrever 



Amo também ler bons livros. Muitos livros!



Os livros estão sempre diante de mim!

 

OBRIGADO! A cada pessoa que visita o meu blog, sem vocês não faria sentido publicar.

 

 

Volto a este assunto quando chegar a 25.000!!!

terça-feira, 26 de agosto de 2025

O QUE ME LEMBRA VOCÊ

 



Estou numa idade em que ‘lembrar’ já é uma parte importante da vida. Seis décadas! A maioria de lembranças ruins! E a pergunta que me faço é: O que fazer com isso? A resposta mais imediata é: ‘Eu sou um escritor, então, transforme isso em literatura!’ Uau! Esse é mesmo o meu papel, romantizar as desgraças da vida e, no final, transformar tudo em um “felizes para sempre!”

Eu amo essa parte do felizes para sempre, porque isso é a metáfora da vida. Quase sempre esperamos até final para entender que poderíamos ter sido felizes desde o começo. Mas o começo e o meio da história precisam de reviravoltas para que a vida tenha alguma graça. Então, vamos à luta, acumulando atitudes que nos parecem absolutamente racionais. Lutamos a luta inglória contra moinhos de vento, fazemos o óbvio para provar que o que nos ensinaram era verdadeiro, até descobrirmos que o verdadeiro era falso e o que parecia falso era mesmo o verdadeiro! A verdade que nos contaram era mentira e, hoje, quase perto do felizes para sempre, eu tenho tido bastante tempo para me lembrar do todos os ‘vocês’.

Tudo ao redor parece lembrar algum ‘você’, uma cidade, uma planta, um livro, um lugar distante, uma fotografia, ... . Fiz um filtro maravilhoso que é capaz de conter vários aspectos da psique. Por quase uma década eu trabalhei cada processo da construção desse objeto maravilhoso, capaz de separar o joio do trigo psicológico. Hoje olho para as coisas que me lembram a maioria dos ‘vocês’ e rio de mim mesmo pensando em quanto fui tolo em deixar que abusassem das minhas fragilidades. Cada vez que mergulho no filtro psicológico deixo para trás mais algum peso de amargura e saio do outro lado mais feliz! Daí olho outra vez para as coisas que me lembram de você e vejo uma planta florindo, lembranças de uma viagem recente, uma simulação de placa de automóvel escrito: ‘Fui em 2024” e até um ímã de geladeira. Dalí para trás quase tudo está retido no filtro psicológico.

Acho que estou ficando melhor a cada dia! Estudo Inglês porque eu quero aprender Inglês para eu me divertir assistindo filmes e séries no idioma original; Estudo espanhol porque amo estar naquela sala de aula divertida e organizada ao mesmo tempo; Vou comprar um violão para tocar músicas que eu mesmo vou compor sem me importar com notas musicais ensinadas nas escolas de música, quero fazer música como fiz ‘E o Sapo Tava Lá”, que toquei e cantei para meu filho quando ele ainda era pequeno. Agora ele já cresceu e o pequeno sou eu, vou cantar ‘E o Sapo Tava Lá’ para mim mesmo e vou rir à vontade!

Se você quer que eu me lembre de você, então faça coisas boas. Eu só fico com as lembranças que passarem pelo filtro maravilhoso que construí nos últimos dez anos!

sexta-feira, 15 de agosto de 2025

NA CORDA BAMBA

 


Tem uma praça a uns trinta metros daqui onde eu moro, é lá que vou fazer meus exercícios físicos diariamente, lá, também, muitos jovens jogam futebol de salão, vôlei de areia, praticam skate, tomam tereré e namoram quase livremente. Os adultos aproveitam o espaço para os exercícios físicos e tem uma galera, bem pequena, que de vez em quando estica uma slackline e se diverte andando na corda bamba!

Slackline é uma fita esticada, sobre a qual se pratica esporte de equilíbrio, antes conhecido por funambulismo, quando ainda se caminhava sobre uma corda esticada, daí o nome de corda bamba. Eu tenho uma Slackline e já andei praticando esse esporte divertidíssimo quando ainda morava no sítio. Esticava a fita entre duas árvores e passava horas buscando o equilíbrio, meu grande feito foi permanecer sobre a fita por uma distância de cinco metros até alcançar a outra extremidade! Viva!



Mas, nem tudo na corda bamba é divertido. A vida é uma espécie muito especial de corda bamba, e ela balança o tempo todo desequilibrando nosso entendimento sobre quase tudo. Alguns mal conseguem dar os primeiros passos no rumo da dignidade, outros andam, andam e andam, mas nunca chegam. Uns são impedidos de subir na corda e outros não tem ideia do que seja alcançar um objetivo, daí nem tentam se equilibrar, e quem chega, louco de alegria, olha para trás e pensa em como a corda estava cheia de ilusões, o caminho seria mais fácil sem os muitos conselhos inúteis.

E haja conselhos! A internet é uma corda esticadíssima onde a maioria busca equilíbrio entre as infinitas mensagens das redes sociais. É fácil subir nessa corda e o espetáculo é maravilhoso, mas chegar ao objetivo... Seguindo o tic-tok se pode dar milhares de passos e não sair do lugar; O Instagran te leva a lugar nenhum depois de criar mil ilusões; O Facebook é uma fábrica de mentiras e o WhatsApp é um caminho rápido para te fazer de bobo. Enquanto isso, você continua na corda bamba da desinformação acreditando que a Democracia pode ser defendida por golpistas ditatoriais!

Os trabalhadores estão permanentemente sobre uma corda bamba, o objetivo grita MERITOCRACIA! Daí você estuda o melhor jeito de dar cada passo e quando está prestes a chegar... a vaga não existe mais, a corda se rompe e de baixo dos pés se abre o precipício do desemprego.

Os capitalistas subiram alegremente sobre a corda bamba da globalização. “Qualidade total!” Gritavam os invisíveis do mercado, mas a extremidade da corda, que estava firmemente amarrada, rompeu-se no tronco da América Great Again.  

Algumas denominações Evangélicas de caráter empresarial fizeram os crentes desamarraram cuidadosamente a corda do Tronco Forte e fixaram seus olhos no Fascismo, aos poucos começou a aparecer uma luz do outro lado. “Olha, é o poder de Deus!” Entoaram hinos de glória e ouviram as vozes do além. Na outra extremidade, firmemente amarrada na Extrema Direita, se acenderam labaredas que não se apagam. Idólatras vão queimar eternamente nesse engano.

 



Corda bamba é uma expressão popular que descreve situações de perigo e incertezas. É bom saber onde a corda está amarrada!

NOVO ANO

  O ano começa, ou começou, em primeiro de janeiro de acordo com o calendário gregoriano, instituído em 1582 pelo Papa Gregório XIII e ado...