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sexta-feira, 21 de setembro de 2018

AMANHÃ, CERTAMENTE AMANHÃ


                             AMANHÃ, CERTAMENTE AMANHÃ




Amanhã eu vou fazer tantas coisas

Que hoje planejei

Vou plantar uma horta

Semear flores no jardim

Tudo amanhã, e será bonito assim

 

Poderia começar hoje

Mas acho que não

Agora estou cansado e

Vou preparar um chimarrão

 

Meu filho quer brincar de esconde-esconde

Pega-pega, jogar chinelo e não sei o que mais

Agora estou preocupado, não vai dar

Deixa para amanhã, aí nós vamos jogar.

 

Sabe aquelas aulas de inglês

Que eu sempre quis fazer?

Cada dia chega uma de grátis no e-mail

Tem um montão que ainda não fui ver

Amanhã, certamente terei tempo para ler.

 

Vou estudar espanhol

Economia, política e sociologia.

Tenho planos para me desenvolver

Já sei onde tem o material certo

Amanhã, começo a ver.

 

Meus filhos estão crescendo

Cada um vai seu caminho escolher

Já nem tenho mais o controle

‘tô partindo', cada um deu de dizer.

 

Minha mulher também me chama

Agora quer mesmo saber

Como vou me virar

Depois que ela desaparecer

 

Amanhã quando eu acordar

Certamente vou rever

Uma vida inteira que passou

Sem eu mesmo perceber

 

Mas amanhã...

Certamente amanhã!

Hoje não dá para ser.

Estou cansado. Amanhã, vamos ver.

 

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Elairton Paulo Gehlen

terça-feira, 18 de setembro de 2018

ÇEÇEDILHÓFOBO


ÇEÇEDILHÓFOBO

 

         Meu filho me perguntou por que o ‘ç’ não faz parte do alfabeto. Pois é, não faz mesmo! Aí eu resolvi sair em defesa do ‘ç’. Não só está excluído do alfabeto, como nunca é colocado no início das palavras, então nunca será o primeiro ou, se você quiser com mais rigor, nunca será a primeira letra. Também nunca está no final da palavra. Será que é medo daquele ditado que os últimos serão os primeiros? Pelo sim, pelo não, o ç se parece com muita gente que eu conheço. São importantes para dar sentido ao trabalho e produzir bens e serviços para a sociedade, mas na hora do reconhecimento é como se não fizessem parte do alfabeto.

 

Não é vogal nem consoante, mas na hora de formar fila, quer dizer, sílaba, aí elas estão presentes, sempre no meio das palavras que é para não dar destaques. Aparecem em muitos lugares, mas é como se fossem invisíveis e sem importância.

 

Então, fica lançado, com ‘ç’ o movimento pela inclusão do ç no alfabeto e que seja declarado crime qualquer ato çeçedilhófobo, se quiser pode também escrever çfobo. Todos os ç terão o direito e o esquerdo de ser colocados no alfabeto e também no início e no fim das palavras. Para que haja reconhecimento da importância dessa letra, seja também incluído nas consoantes.

 

Elairton Paulo Gehlen

MARIA CLARA E SUA LINDA CABELEIRA (II)

                      Maria Clara tinha dezoito anos quando se casou. Seus cabelos castanhos, ondulados até o meio das costas, estavam guard...